A sério que sim
7.12.11

Primeiro, falou-se da necessidade de ajuda externa à Grécia, pronta e veementemente negada por quem de direito. Seguiu-se a ajuda externa à Grécia. Depois, falou-se da necessidade de ajuda externa à Irlanda, mais uma vez rejeitada pelas autoridades. Seguiu-se, como se sabe, a ajuda externa à Irlanda. Exactamente a mesma coisa se viria a passar com Portugal. Agora, a necessidade da moda que os "powers that be" têm vindo a ignorar é a inevitabilidade da ajuda externa a Itália e, a cereja no topo do bolo, o fim do Euro. Se a capacidade preditiva das sumidades que gerem a Economia do espaço europeu se mantiver com a precisão que a história recente nos mostra, então todos sabemos como tudo acabará.

 

Creio que está na hora de parar um pouco para pensar. A Europa entrou numa rotina incomportável de atirar com centenas de milhões de euros de um lado para o outro, como se nada significasse. São tempos loucos, nos quais líderes em transe, dominados por histerias eleitorais, vão lançando os europeus para o abismo. O sistema falhou. O actual modelo de organização política e social não responde à necessidades reais nem de pessoas nem de Estados. A partidocracia proto-democrata deu-nos algumas décadas de ilusões, que vamos pagar amargamente. Preocupam-me, acima de tudo, os movimentos anarquistas que se vão levantando do chão aqui e ali, pois no desespero até esses podem parecer uma solução às massas desvairadas. Preocupa-me Portugal, a Europa e o Mundo. Existe, dentro de cada sociedade, um insaciável desejo de destruição mútua por parte de grupos políticos, religiosos ou associados a outras classes. Não existem lideranças fortes, existem espantalhos que procuram eternizar-se agradando a uns e a outros, acabando por deixar uma pegada nefasta entre as hostes que deveriam ter protegido.

 

É o caminho errado. É o sistema errado. Quando tempo demoraremos a percebê-lo?

link do postPor António Pinto, às 11:48  comentar

 
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