A sério que sim
11.7.13

 

Esta crise política começa a parecer um enredo de uma novela mexicana, daquelas que preenchiam as grelhas vespertinas das nossas televisões há uns 15 anos atrás. Com intrigas, revelações e traições mal dissimuladas, os ingredientes estão todos lá. 

 

Não me parece que Cavaco tenha evidenciado uma visão desproporcionada dos seus poderes, como já ouvi, e também não me parece que seja suficientemente ingénuo ao ponto de acreditar que o acordo por si proposto seja viável, como também já ouvi. Cavaco entrou neste enredo e encostou o PS à parede. Com sacrifício da imagem deste Governo, talvez merecido, o Presidente da República propôs uma solução que, até aqui, só tinha conhecido o firme desacordo público das hostes socialistas. É, no entanto, a solução mais popular. Seguro, que tem procurado capitalizar o desgaste alheio recorrendo ao seu marasmo genético, vê-se na contingência de escolher: ou fica de fora, mal visto pelo povo e pelas instituições europeias, ou aceita esta solução, e perde o discurso que tem alinhavado para as próximas eleições, sejam estas quando forem.

 

Duas notas reforçam a minha argumentação: ao contrário do que se tem lido por aí, Cavaco não sugeriu eleições em Junho de 2014. Sugeriu a negociação de um calendário que implique eleições a partir de Junho de 2014, o que é completamente diferente. Por outro lado, deixou no ar a ideia de que, caso este cenário falhasse (e é neste cavalo que o PR aposta), há um Governo em funções, perfeitamente legitimado.

 

Imagino assessores socialistas a tentar arrancar Seguro, forçado a agir, de debaixo de uma secretária, num qualquer gabinete do Largo do Rato.

link do postPor António Pinto, às 10:09  comentar

 
subscrever feeds
Statcounter
blogs SAPO