A sério que sim
27.9.13

Então, vejamos se percebi.

 

Há tempos, Maria Henrique Espada, jornalista da Sábado, abordou José Sócrates para confirmar que a tese que este estaria(?) a preparar na Sciences Po era sobre tortura. Sócrates desmentiu categoricamente e até adiantou:

 

"Não. Peço-lhe aliás que não escreva isso porque estará a enganar os leitores da sua revista e estará a dar-lhes uma informação errada." [Pergunto-me se serei o único com vontade de rir por ver Sócrates preocupado com a hipótese de "enganar" outras pessoas e "dar-lhes informação errada".]

 

A jornalista, perante tal desmentido, ficou-se e não publicou nada.

 

Fast-forward de algumas semanas.

 

O Expresso publica uma notícia, com declarações do próprio José Sócrates, sobre a tese deste que tem como tema - A Tortura (e os regimes democráticos). Aliás, retiro o que disse: o Expresso não publicou uma notícia - o Expresso publicou uma celebração, como se daqui resultasse a reformulação dos equilíbrios geo-estratégicos, a solução para a Crise Mundial, e Sócrates se tivesse tornado automaticamente candidato ao Nobel da Paz E da Literatura.

 

Maria Henrique Espada e a revista Sábado, ao terem conhecimento da notícia do Expresso, decidiram confrontar Sócrates com o sucedido. Este, com a fleuma que lhe é habitual, respondeu:

 

"Não lhe admito isso, nem que me peça explicações."

 

"(...) que interessante, um jornalista a pedir-me explicações, costuma ser ao contrário." [Daqui ficamos a saber que, para Sócrates, e como Judite de Sousa bem o sabe, o normal é ser ele a mandar no jornalista.]

 

"Você disse que a minha tese era sobre tortura, e não é, a minha tese não é sobre tortura. É sobre tortura em determinadas circunstâncias, embora, é claro, eu não tenha na altura acrescentado esta informação." [Daqui se vê que, quando tal lhe convém, Sócrates é muito cioso da verdade absoluta dos detalhes.]

 

"Isto é um assunto privado e não quis permitir que amigos meus, ainda que bem intencionados, usem informação que só a mim diz respeito para efeitos de quando deve vir a público. Eu é que decido a quem digo e como o digo." [Aqui se vê que, para Sócrates, o homem que os jornalistas/hagiógrafos afirmam defender ferozmente a sua vida privada, esta é um valor absoluto e irrevogável - para ser exposto quando, onde e como for mais vantajoso.]

 

E assim percebemos, pela história da sua polémica tese na polémica Sciences Po, noticiada no polémico Expresso do polémico Balsemão e editoriado pelo polémico Ricardo Costa, e que será publicada com o apoio da polémica Fundação do polémico Soares, sendo prefaciada pelo polémico Lula da Silva - assim percebemos como o polémico José Sócrates, numa inversão de 180º, tomou o gosto à Verdade Absoluta e à Impecável Correcção Factual.

 

Ou será...?

 

É que basta ler esta investigação de António Balbino Caldeira sobre a notícia do Expresso, onde um esfuziante Ricardo Costa anuncia que:

 

"(...) Sócrates escolheu este tema para a sua mémoire (tese de mestrado), que defendeu em Julho na Sorbonne, em Paris (...)"

 

para se perceber que uma mémoire não é bem, bem, bem uma tese, tal como a Sciences Po não é bem, bem, bem a Sorbonne (esta, aliás, nem tinha nada a ver com a tese de Sócrates), tal como... enfim, em se tratando de Sócrates, receio virmos a descobrir que a sua Paris não era bem, bem, bem Paris - mas sim Casal do Marco.

 

Sócrates, o eterno empolador da sua própria realidade - ajudado por Ricardo Costa, aqui apenas ligeiramente melhor do que o seu colega Nicolau Santos.

 

link do postPor João Sousa, às 12:11  comentar

 
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