A sério que sim
30.12.11

Isto é o perfeito exemplo de uma não-notícia:

 

Coreia do Norte não vai mudar de política com o seu novo líder.

 

Houve alguém que teve sequer a mais leve expectativa do contrário?

 

Mas pelo menos percebemos, para lá de qualquer dúvida, onde vai o jornal Avante buscar o seu livro de estilo. Atentemos nos seguintes nacos de prosa:

 

Declaramos solenemente e de forma confiante que os políticos estúpidos de todo o mundo, incluindo o grupo fantoche na Coreia do Sul, não deverão esperar qualquer mudança política da nossa parte.

 

(...) recusaremos sempre relacionarmo-nos com o traidor Lee Myung-Bak e o seu grupo.

 

O mesmo azedume, a mesma truculência. 

link do postPor João Sousa, às 11:11  comentar

28.12.11

Ontem tivemos pássaros que tiravam a neve da estátua do defunto querido-líder. Hoje temos uma ave migradora asiática que se engana no trajecto migratório e termina nos EUA em vez de no Japão. Decididamente, a passarada daquelas bandas está um bocado alucinada.

link do postPor João Sousa, às 15:59  comentar

Ordem propõe expulsão de psiquiatra que fez sexo com doente deprimida e grávida.


Qual a argumentação apresentada por dois desembargadores (um dos quais mulher) para absolver o psiquiatra? "(...) o facto de ele ter agarrado a cabeça da doente e lhe ter introduzido o pénis na boca e, de seguida, a ter empurrado para o sofá, onde concretizou sexo vaginal, não constituiu violência suficiente para enquadrar o crime de violação previsto no Código Penal". Repito: dois juízes, um dos quais mulher, consideram que um psiquiatra agarrar na cabeça de uma doente, introduzir-lhe o pénis na boca, empurrá-la para um sofá e concretizar sexo vaginal (isto tudo, entende-se, sem o consentimento dela), não é suficiente para ser considerado violação. Nem é dar-se o caso de a acusação não ter sido provada, pois ele foi inicialmente condenado por estes factos: é ser "insuficiente".

Chamem-me antiquado, se quiserem, mas eu pensava cá na minha que sexo, quando não consentido, deixava de ser sexo e passava a ser outra coisa - violação. Dois senhores juízes, um dos quais mulher, entenderam uma qualquer interpretação literal da Lei que lhes deu uma terceira alternativa. Acharam uma espécie de limbo das relações sexuais, algo que não é consentido mas não chega a ser violação. É abjecto. E se existe uma Lei que, por mal escrita ou pensada, dá azo a ser interpretada com esta literalidade, também é abjecto que não tenha sido imediatamente corrigida.

E qual a argumentação apresentada por este psiquiatra? Que lhe efectuou uma "palpação mamária" e houve alguma "envolvência emocional", que foi um processo "com alguma ternura, com alguma excitação". Isto merece uma nomeação para o prémio Cara-de-Pau 2011.

No meio disto tudo, parece-me um curioso comic-relief que o único desembargador a colocar-se do lado da doente seja alguém chamado Papão.

link do postPor João Sousa, às 13:34  comentar

19.12.11

Vítor Constâncio falou lá do seu exílio dourado. E disse o quê?

 

"Não vemos isso [o colapso da zona Euro] como um risco que devemos considerar."

 

Ou seja, o Euro está condenado.

 

"A dinâmica de um acontecimento desta dimensão não pode ser previsto."

 

Sim, nós sabemos perfeitamente da tendência de Vítor Constâncio para não prever acontecimentos. Foi assim com o défice socrático, foi assim com o BCP, foi assim com o BPN... A única coisa que me recordo de ser "prevista" por Constâncio foi o défice de Santana Lopes - e esse, acredito que só por alguém lhe colocar um papel à frente do nariz com aquilo que "devia ser encontrado".

link do postPor João Sousa, às 22:54  comentar

Mário Soares diz-se "preocupado, naturalmente" com os resultados do Conselho de Ministros de ontem. "Estou ainda para saber, e tenho que estudar primeiro, as medidas que forem tomadas."

 

Mário Soares vai estudar medidas, dossiês? Como diz a sabedoria popular, para tudo há sempre uma primeira vez.

link do postPor João Sousa, às 13:22  comentar

Seguro afirmou-se chocado com as afirmações de Passos sobre os docentes desempregados. Como não as tivesse visto, ouvido ou lido, fui procurar a causa de tanto reboliço. Aparentemente, quando questionado sobre os professores excedentários (excedentário, adjectivo, que excede uma quantidade necessária), Passos terá dito que estes tinham duas soluções:

 

"estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa".

 

Seguro está chocado. Eu acompanho-o. Mais do que isso: as narinas fremem-me de indignação. Um primeiro-ministro a dizer as coisas como elas são? A não dourar a pílula? Que insensatez se seguirá, um primeiro-ministro que não minta?

 

A tribo dos opinion-makers também está delirante, saltam à cachalote. Que um PM não deve dizer isto, mesmo sendo verdade - deve antes transmitir optimismo. Que em política, se deve gerir a comunicação e nem sempre "a verdade é boa conselheira". Que exercício de hipocrisia, para mais partindo das mesmas gentes que criticariam Passos Coelho por ter um discurso "contrário à realidade" se seguisse o caminho oposto.

 

Sim, senhores opinadores, vê-se o excelente resultado que deu o supremo gestor de comunicação que antecedeu Passos Coelho, o político cujo comportamento fazia crer que a verdade, mais do que nem sempre ser "boa conselheira", era um conceito blasfemo.

link do postPor João Sousa, às 10:00  ver comentários (1) comentar

18.12.11

Figo diz-se desiludido com Sócrates. Estou cheio de peninha.

 

Mas o mais interessante é isto:

 

"Hoje ninguém acredita nos políticos, há uma descredibilização total, aqui, em Espanha ou em Itália, é igual. Não me venham dizer que há uma crise financeira, uma crise mundial. Há é políticos que gastam mais do que há para gastar."

 

"Há é políticos que gastam mais do que há para gastar". Há um par de anos, estranhamente, não o vi preocupado com o preço daquele famoso pequeno-almoço que deglutiu com Sócrates...

link do postPor João Sousa, às 16:40  comentar

Finalmente, Seguro falou. Mais valia não:

 

“Quero lançar desde Viseu um desafio ao primeiro-ministro: [no domingo] tem uma boa oportunidade para dar uma boa notícia aos portugueses. O Conselho de Ministros vai reunir-se extraordinariamente e eu desafio o primeiro-ministro a que finalmente ponha fim à austeridade e que tome medidas concretas para o crescimento económico e para o emprego no país."

 

Seguro quer o fim da austeridade - quando ela praticamente ainda está no início.

 

Mas não: afinal, "é necessária austeridade para consolidar as contas públicas" mas "não tanta".

 

Se tento seguir as piruetas de Seguro, ainda tenho uma luxação ocular.

link do postPor João Sousa, às 16:12  comentar

 
subscrever feeds
Statcounter
blogs SAPO