A sério que sim
30.4.12

Estado vai controlar posição accionista de 20% no BCP...

 

... mas troca-a, de bom grado, por um saco de caramelos.

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link do postPor António Pinto, às 16:49  comentar

28.4.12

Maria Filomena Mónica, em entrevista ao jornal I, quando questionada sobre o desempenho da oposição que vamos tendo, responde certeira e lapidar:

 

A oposição desapareceu. O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de "sciences po", depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso? A esquerda socialista tem ali este belo exemplar a viver no 16ème, e um sucessor que não inspira ninguém. O PCP vive num mundo antes da queda do Muro de Berlim, e o Bloco de Esquerda habita em Marte.

 

Só discordo em parte minúscula da formulação: Sócrates foi um delinquente político - mas também foi um político delinquente.

link do postPor João Sousa, às 12:49  comentar

27.4.12

Luis Marques Mendes denuncia combinação de preços nos combustíveis. Muniu-se de uma máquina fotográfica e foi fotografar painéis de preços de combustíveis nas auto-estradas.

 

Hoje em dia, Marques Mendes é das poucas pessoas em Portugal que faz jornalismo de investigação.

link do postPor João Sousa, às 08:36  comentar

24.4.12

No passado dia 12, um jovem foi condenado a dois meses de prisão, com pena suspensa, por ter partilhado três ficheiros de música.

 

Li a notícia e parece-me pouco. Dois meses de pena suspensa parece-me francamente pouco. Partilhar na Internet uma música dos Delfins e outra de João Pedro Pais merece, no mínimo, dois anos de prisão efectiva.

link do postPor João Sousa, às 11:44  comentar

Quando se é jovem e ainda se acredita nos dias, têm-se visões de grandeza: Amor, Glória, Fortuna. Mas o Tempo é um bom professor. Hoje, limito-me a ambicionar que o envelhecimento me seja mais digno do que foi o de Soares e Alegre.

 

Egomaníacos, ainda os veremos a fazer ski-aquático para captar umas páginas de jornal. Por agora, basta-lhes solidarizarem-se com os "militares de Abril" que se recusam a participar nas sessões solenes de amanhã porque

 

"O poder político que a(c)tualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores."

 

Pelo que se infere dos seus discursos recentes, "os ideais e os valores" que guiaram gente como Otelo e Vasco Lourenço a fazer o 25 de Abril prefiguram um conceito algo maleável de Democracia. É irónico que estes senhores, que derrubaram o Estado Novo para - supostamente - vivermos em democracia, parecem incapazes de aceitar uma das suas consequências: que sejam outros, com posições ideológicas diferentes, a conquistar mais votos em eleições livres. Eleições livres, para Otelo e Lourenço, parecem só ter como resultado possível aquele que lhes convém.

 

Do nefelibata Alegre, tudo é expectável - portanto nada pode surpreender. De Soares, e do seu ego com gravidade jupiteriana, também não se pode esperar nada. Há muito que se tornou óbvia a verdadeira motivação para que se opusesse a uma putativa ditadura comunista no pós-25 de Abril: maior palco de influência para a sua augusta pessoa e o seu grupo. Que tal fosse menos maligno para o país - tal foi um simples acaso menos infeliz.

 

Já de Sampaio, confesso, esperava melhor. Por muito inútil que sempre o tenha achado, pensava-o com alguma genuinidade. Mas fazer depender a presença da "sua agenda internacional" parece mostrar que, também para ele, este dia tem um simbolismo muito relativizável.

 

E assim temos que aqueles que se preparam para celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, são precisamente aqueles que estão "contra os seus ideais e valores" - nas palavras dos que o fizeram, supostamente em nome desses "ideais e valores", mas se recusam agora celebrá-los na "casa da democracia".

 

link do postPor João Sousa, às 11:20  comentar

21.4.12

Se Vitor Constâncio diz que não será necessário um resgate a Espanha, isso só pode significar que Espanha está, na verdade, condenada.

link do postPor João Sousa, às 09:44  comentar

20.4.12

Quando li de fugida que Pedro Silva Pereira é o presidente do conselho técnico das Feiras do Livro, sobressaltei-me. Mas depois dediquei mais atenção, reli o texto e percebi que é Pedro Pereira Silva, não Pedro Silva Pereira...

link do postPor João Sousa, às 11:23  comentar

13.4.12

O título da notícia diz "Seguro ignora Soares". Na verdade, não foi bem assim: lê-se na notícia que ambos estiveram reunidos durante mais de três horas. Isso não é ignorar: isso é dar-lhe três horas de atenção a mais. Ignorar é o que eu faço aos testemunhas de Jeová que me vêm bater à porta.

link do postPor João Sousa, às 12:20  comentar

11.4.12

Parece que a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues foi ao Parlamento dizer de sua justiça sobre a Parque Escolar, obra sua. Ao contrário do que Estrela Serrano e outras vozes próximas do socratismo disseram e dirão, não penso ter sido um extraordinário desempenho de um conhecedor dos dossiês: foi um desempenho cara-de-pau de um político. Ao bom estilo socrático, misturou conceitos, deturpou datas e respondeu com slogans em vez de explicações. Reconheço isto: MLR teria sido uma boa advogada.

 

Deixarei a análise aprofundada para outros, melhores e com mais paciência do que eu. Limitar-me-ei a apontar para um trio de pontos que penso reflectirem a arrogância ou má-fé ou loucura da ex-ministra (ainda não decidi qual destas é).

 

A ex-ministra reconheceu que foi um programa caro mas, a propósito, lembrou o ditado popular "o que é barato, às vezes, sai caro". Segundo Maria de Lurdes Rodrigues foi isso que "aconteceu às nossas escolas" nas intervenções anteriores à existência da Parque Escolar.

 

A ex-ministra citou a propósito uma intervenção realizada na escola secundária Camões, entre 2000 e 2005, orçada em 4 milhões de euros e que não só não melhorou as condições daquele liceu histórico, como pode ter causado um "imenso prejuízo" na estrutura daquela escola.

 

Acho sempre bem que, numa discussão que se pretende técnica, alguém introduza um ditado popular à laia de argumento. Mas gosto principalmente que a ex-ministra apresente, como exemplo de um "barato que saiu caro" pré-Parque-Escolar, um projecto supostamente falhado orçado em 4 milhões de euros. E gosto porquê? Porque eu já mencionei antes um projecto da era Parque Escolar, que mete literalmente água e se esboroa, e que foi orçado em 8 milhões de euros. Foi só o dobro, sra. ex-ministra, e chove nas salas, chove no ginásio, os azulejos descascam e baldes tentam conter as fugas. Mas talvez para a ex-ministra a Escola Secundária Alcaides de Faria tenha saído cara por 8 milhões de euros serem barato - talvez se devesse ter lá enterrado 16 milhões...

 

A ex-ministra lamentou também que nas escolas se “considere ser luxo o que não é considerado como luxo noutros espaços”. Maria de Lurdes Rodrigues respondia assim às observações de deputados do PSD e do CDS sobre a compra de 12 candeeiros de Siza Vieira, por 1700 euros cada, para uma das escolas requalificadas e a utilização de materiais nobres em várias instalações, que também é criticada no relatório da IGF.

 

Fico deliciado: a ex-ministra lamenta que nas escolas seja considerado luxo aquilo que não é considerado noutros locais. Pois deixe-me explicar-lhe isto, sra. ex-ministra, e nem vou cobrar por tal: no mundo real, há de facto coisas que se justificam nuns locais e não noutros. Justifica-se, num casino de Las Vegas, colunas em mármore Carrara - mas o mesmo não terá razão de ser num armazém de rações. De igual modo, justifica-se que a relações públicas de uma cadeia de hotéis se vista com um fato de qualidade feito à medida - mas há que reconhecer que tal será um pouco excessivo numa oficina bate-chapa...

 

Tentar justificar os 12 candeeiros de Siza Vieira, orçando 1700 euros cada (20.400 euros no total), é um exercício impossível. Só tentar fazê-lo é insultuoso para quem ouve. Não consigo imaginar quantos valores a média dos alunos melhorou com tanta auto-estima fornecida pelos candeeiros de Siza Vieira.

 

São 1700 euros por candeeiro: em moeda antiga, cerca de 340 contos cada. Sabe a sra. ex-ministra o que vale cada um destes candeeiros mágicos? Vale certamente as obras completas dos clássicos portugueses na biblioteca de uma escola. Vale provavelmente mesas e cadeiras para uma ou duas salas de aula. Pelo custo de cada um desses candeeiros, muito boa gente é capaz de equipar a sua cozinha - e ainda sobrar dinheiro para o faqueiro e toalhas.

 

Para terminar, diz Maria de Lurdes Rodrigues:

 

“O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”

 

Esqueceu-se das fadas e das libelinhas, sra. ex-ministra.

link do postPor João Sousa, às 23:46  comentar

Em Valença, há um levantamento de pais por causa de uma professora com ideias heterodoxas sobre pedagogia: colocar os petizes das 3ª e 4ª classes a ver filmes e animação. Segundo parece, as sequelas manifestam-se: após manhãs de cinefilia, depressões generalizam-se entre as crianças. Um pai garante que a filha já tem consulta marcada com um psicólogo: "A miúda está deprimida e perdeu a vontade de ir para a escola".

 

Eu sei que sou de outra era. Na minha infância, as crianças (normais) não gostavam particularmente de ir à escola, pois isso representava tempo em que não estavam na rua e nos quintais a brincar com os amigos. Pelo contrário, eram maçadas durante as aulas com horrores como a tabuada (hoje têm as calculadoras) ou a História de Portugal (hoje terão a Wikipedia). Mas posso garantir que se a professora lhes desse uma ementa diária de filmes e desenhos animados, até com febre os miúdos iriam às aulas.

 

Esta notícia de que as crianças, após manhãs inteiras a ver filmes e animação, não querem ir às aulas, faz-me pensar: que raio de filmes e desenhos animados está a professora a exibir-lhes para os mergulhar nesta espiral depressiva? Morte Em Veneza? O capítulo da Valsa Triste de Sibelius do Allegro Non Troppo?

 

Ou talvez os miúdos aborreçam-se por preferirem estar a ver videoclips de Lady Gaga e Lil'Kim...

link do postPor João Sousa, às 11:57  comentar

 
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