A sério que sim
28.6.12

Ponto prévio: muito provavelmente, Soares já não entende as implicações do que diz, escreve ou pensa. Está tonto, vazio da intencionalidade maldosa que o caracterizou nos seus anos mais activos, longe do fulgor cego com que ajudou a desbaratar este País numa das épocas mais frágeis da sua história.

 

Ainda assim, o jurássico barão socialista devia pautar as suas espectrais aparições por algum pudor, ou, em alternativa, alguém que o rodeie e que ainda esteja na plena posse das suas capacidades intelectuais deveria contribuir para que isso acontecesse. De facto, falar da situação económica e social do país, falar dos números do desemprego e atribuir esta espiral descendente a um Governo que tem um ano de actuação é de uma falta de vergonha inaceitável.

 

Soares está triste. Assumiu que a sua pesada figura política ainda poderia ter um último fôlego com a emergência de uma mini-revolução. Enganou-se. Está, pelo menos, a demorar muito. A demorar tempo demais para aquele que o ancião do reino tem disponível.

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link do postPor António Pinto, às 11:34  comentar

Diz o jornal I que socialistas juntam-se a Carvalho da Silva e a bloquistas em defesa da denúncia do Memorando e da reestruturação da dívida pública. Procurei na notícia quais estes deputados socialistas: entre outros, Pedro Nuno Santos, Isabel Moreira, Sérgio Sousa Pinto e João Galamba. 

 

Extraordinário.

 

Estes são os senhores que querem "Resgatar Portugal para um futuro decente" - quando foi precisamente para isso que se realizaram as legislativas do ano passado. Estes cavalheiros, elementos da tropa de elite de José Sócrates, não querem "o país amarrado à troika" - quando foi precisamente José Sócrates quem a chamou e nos amarrou a ela graças aos desmandos do seu consulado. Mas mais grave ainda, esta gente indefectível de Sócrates, verdadeira congregação de culto socrático, diz querer denunciar o memorando da troika - memorando esse negociado, assinado e elogiado precisamente pelo seu líder José Sócrates.

 

Isto não é hipocrisia, não é esquizofrenia, nem sequer é demagogia. Isto é pura sacanice, a típica sacanice socrática, sempre pronta a negar aquilo a que se comprometeu. Sócrates e esta gente não são de confiança nem sequer para lhes emprestarmos 10 cêntimos.

link do postPor João Sousa, às 10:12  comentar

27.6.12

Se não é na homilia semanal do DN, é na SIC-Notícias, ou numa inauguração, ou numa apresentação, ou numa comemoração:

 

(...) Mário Soares considerou que o país está actualmente pior do que há um ano atrás (...)

 

O que o nosso velho de estimação parece querer omitir é que se tivéssemos continuado com Sócrates, estaríamos muito pior do que agora. E a demagogia de Soares quer ocultar que as dificuldades são por estarmos a corrigir os recentes desvarios socialistas: aeroportos que (felizmente) nunca chegaram a existir; aeroportos que (infelizmente) existem; Parque Escolar; TGVs que nunca saíram do papel mas já custaram milhões em estudos e arriscam custar mais em indemnizações; PPPs; ajustes directos; Magalhães; SCUTs;  Allgarves; energias alternativas que ficam bem na lapela mas têm de ser subsidiadas pelo contribuinte; etc, etc. 

 

Ao dar a entender que o país está pior por causa do Governo, Soares é como aquelas pessoas que beberam dois litros diários de aguardente - e depois queixam-se do médico por os tratamentos serem dolorosos.

link do postPor João Sousa, às 13:57  comentar

Soares faz lembrar aquelas (também muito velhas) anedotas que já ouvimos múltiplas vezes - mas que nos fazem sempre sorrir quando as ouvimos de novo.

 

Soares, sempre ele, escreve esta semana de Passos Coelho:

 

(...), tem visitado, como primeiro-ministro, mas mais parece como comerciante, alguns Estados ibero-americanos, para que lhe comprem ações de empresas do Estado português.

 

Façamos, como brincadeira, uma pequena substituição:

 

(...), tem visitado, como primeiro-ministro, mas mais parece como comerciante, alguns Estados ibero-americanos, para que lhe comprem netbooks Magalhães.

 

Soares, pelos vistos, censura agora uma postura que exaltava antes. Soares, recordemos, que não se coibiu de funcionar como anfitrião de Chávez na sua Fundação (sua - mas sustentada em grande parte por todos os outros). Soares, como sempre, sem qualquer vergonha na cara.

link do postPor João Sousa, às 08:00  comentar

26.6.12

O Público/José António Cerejo chamam-lhe "uma história a precisar de ser esclarecida". Nada contra. Não só JAC tem a suportá-lo um historial de escrutínio aos desmandos do poder socrático, o que lhe confere pelo menos uma sugestão de independência; como Miguel Relvas nunca foi santo de minha devoção.

 

Acontece, contudo, que há aqui uma segunda história que importa esclarecer: a razão para Helena Roseta ter deixado este assunto a macerar durante perto de dez anos. Quando alguém revela factos que são, no mínimo, desconfortáveis para o[s] sujeito[s] desses factos, é típico questionar o timing da revelação. Eu, pelo contrário, com frequência acho mais interessante o timing da espera.

 

Helena Roseta, que se gosta de mostrar paladina do contrapoder e da moral, amiga de Alegre e do Zé-que-fazia-falta, soube há dez anos em primeira-mão que uma pessoa A, titular de um cargo político, usaria esse posto para promover negócios com o(s) seu(s) amigo(s). A inabalável Helena Roseta esbracejou, perdigotou, expôs a utilização abusiva de um cargo político? Não: amochou, relativizou, "não valorizou o caso".

 

Isto dá a entender que o conceito de "ética", para a impoluta Helena Roseta, evoluiu bastante ao longo do tempo: o que era "relativo" em 2002, é ameaçador em 2012. Mas também pode dar a entender algo muito diferente e mais sombrio: que Helena Roseta sabia "o tipo de pessoa que era Miguel Relvas" e, em vez de o desmascarar na hora, preferiu deixá-lo continuar no espaço público durante 10(!) anos até que a informação lhe causasse o máximo de danos políticos.

 

Ora importa esclarecer qual destas é a segunda parte da história. Porque se é a primeira hipótese, então isso diz bastante sobre os princípios de Helena Roseta; se é a segunda hipótese, diz ainda mais sobre o cinismo de Helena Roseta.

link do postPor João Sousa, às 09:17  comentar

23.6.12

Nova Zelândia 60 - Irlanda 0

 

60-0! Nem um mísero pontapé aos postes a Irlanda conseguiu.

link do postPor João Sousa, às 21:49  comentar

21.6.12

Isto pode parecer um contra-senso, mas não o é: agora que andamos a retirar feriados, proponho que passemos a celebrar o 20 de Junho de 2012. Afinal, penso ser justíssimo celebrar um dia em que Mário Soares não diz uma idiotice e...

 

... esqueçam. Falei cedo demais:

 

(...) o que a troika faz é ganhar o seu dinheirinho

 

"Vento democrático" sopra desde eleição de Holande

 

(...) está na hora de ela [Merkel] regressar à Alemanha de Leste, onde nasceu.

link do postPor João Sousa, às 13:06  comentar

Vieram a público mais informações sobre as obras da Parque Escolar. Em particular, nas escolas Passos Manuel e D. João de Castro.

 

A empreitada no Passos Manuel custou mais de 23 milhões de euros, quando o estimado inicialmente era de cerca de 16 milhões. Faço as contas de cabeça e dá-me um deslize de cerca de 50%. O trivial, portanto.

 

Mais excertos: "trabalhos a mais sem justificação, que fizeram disparar o custo em mais 13,2% do que o previsto inicialmente"; "inúmeras desconformidades entre o que foi contratado com a empresa HCI Construções e aquilo que foi efectivamente executado"; "violação do regime legal de fiscalização prévia já que os contratos não foram sido submetidos à aprovação do Tribunal de Contas". É um léxico que se repete: desconformidades, violação, ilegalidade, indevido.

 

O TC refere também que a Parque Escolar pagou cerca de 640 mil euros à empresa construtora "a título de 'margem' de 25% sobre os orçamentos dos empreiteiros/fornecedores". A Parque Escolar pagou 640 mil euros "a título de margem de 25%"? Isto quer dizer que a Parque Escolar achou por bem oferecer uma margem de 25% sobre os orçamentos dos empreiteiros, que obviamente (para mim, mas eu não sou seguramente nenhum génio) já deviam ter a sua própria margem de lucro?

 

Se formos ao site da empresa HCI Construções, que é referida na notícia, vemos que ela se anuncia nestes termos:

 

A HCI Construções, S.A. orgulha-se de ser uma das empresas mais estáveis e prósperas do sector de Construção, nomeadamente, na Reabilitação e Remodelação de Edifícios.

 

Rentável e próspera? Pudera...

 

Ao longo do nosso percurso fomos crescendo sempre atentos à realidade que nos envolve, com interesse pela evolução do mercado e empenho na construção do futuro... sempre que possível, antecipando-o. Assim alcançámos a posição que hoje ocupamos.

 

"Atentos à realidade", "com interesse pela evolução do mercado", "sempre que possível, antecipando". Parece evidente que sim, a empresa tem estado com imensa atenção "à realidade" e que "antecipa" bastante bem "a evolução do mercado" - com lobbying.

 

Mas acho particular piada a este parágrafo da notícia:

 

Para a climatização foram pagos mais de dois milhões de euros, mas conforme a auditoria apurou os equipamentos estão desligados "dadas as dificuldades orçamentais da escola face ao aumento das despesas de funcionamento, o que contribuiu também para a falta de qualidade do ar nas salas de aulas, por inexistência de ventilação natural".

 

Tem-se um ar condicionado caríssimo, mas quando não há dinheiro para ele - também não há ventilação natural porque esta tem de ser afectada para que aquele seja instalado. Isto é todo um retrato do homo-socraticus: preocupação com as aparências, se necessário a expensas de tudo o resto. É como comprar um plasma de 50 polegadas para ver televisão - e depois não ter dinheiro para o serviço da Zon.

 

Maria de Lurdes Rodrigues disse que a Parque Escolar foi uma festa. Mais do que uma festa, eu diria que foi uma farra. Aliás, mais do que uma farra, eu chamaria a isto um autêntico bacanal. E como em qualquer bacanal que se preze, há aqueles que fodem e aqueles que são fodidos.

link do postPor João Sousa, às 11:12  comentar

A ERC votou o caso Relvas como eu já esperava: os nomeados pelo PS queriam-no punir e os nomeados do PSD queriam-no ilibar. Dá vontade de perguntar o porquê de a ERC existir. Podia ser substituída com economia de meios por uma calculadora.

 

Entretanto, o Público fala no assunto... Público. Acho sempre interessante quando um jornal é notícia de si próprio. Bárbara Reis, directora, diz que

 

"(...) a ERC dá por provado apenas aquilo onde existe uma coincidência entre as partes. Em tudo o que não há rigorosa coincidência, a ERC dá por não-provado. Ora, isto não faz sentido pois é aí que está, justamente, o âmago da questão – houve ou não pressões inaceitáveis do ministro Miguel Relvas sobre o PÚBLICO? Mantemos que sim, como de resto desde o primeiro momento."

 

Traduzindo por miúdos, a directora do Público diz que a ERC dá razão ao jornal em tudo o que foi possível apurar como prova; quando houve conflito de versões, e não sendo possível apurar para lá de qualquer dúvida o que aconteceu na realidade, a ERC optou por ilibar o acusado; e a directora Bárbara Reis achou mal.

 

Ora eu, vá lá saber-se porquê, sempre achei interessante como a "presunção de inocência" é considerada um valor civilizacional ou um empecilho - conforme os seus recipientes. No caso Relvas, a directora Bárbara Reis pretendia isto: há conflito de versões, é a palavra de um contra a palavra de outro, não é possível obter provas, logo a ERC devia acreditar piamente em si e considerar Relvas um supino mentiroso, logo Relvas é culpado. Porque os jornalistas de política são seres impolutos e a sua palavra deve ser considerada letra de lei.

 

Um dos meus problemas com um certo tipo de jornalista é que, intimamente, todos querem o seu Watergatezinho pessoal.

link do postPor João Sousa, às 09:38  comentar

Trabalhar no Fisco passou a ser considerado um trabalho de alto risco. Por isso, o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos está a organizar cursos de defesa pessoal e manuseamento de armas de fogo. Aparentemente, há mesmo funcionários que pretendem andar armados.

 

Funcionários do Fisco com armas. Como se fosse preciso dar mais argumentos ao contribuinte que se está a queixar (até agora metaforicamente) de "assalto à mão armada"...

link do postPor João Sousa, às 09:06  comentar

 
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