A sério que sim
30.9.13

A RTP, paga por todos nós, para comentar a noite eleitoral ofereceu-nos Morais Sarmento e José Sócrates. A SIC apresentou-nos o pequeno Vitorino. A TVI impingiu-nos a demente Constança (e nem sequer me dei ao trabalho de ver quem mais lá estava).

 

E eu, perante tais escolhas, optei - por desligar a televisão e ir dando uma vista de olhos à Internet.

link do postPor João Sousa, às 15:52  comentar

O pior que estas eleições trouxeram ainda é capaz de ser - o regresso ao frenesim do dinossauro Soares, que prometeu não falar de política antes das autárquicas.

 

NOTA: vamos fazer de conta que não percebemos que o decano Soares, para quem não ia falar de política, esteve muito activo - a falar de política.

link do postPor João Sousa, às 15:36  comentar

João Semedo passou semanas a invocar que estas autárquicas deviam ser vistas como uma oportunidade para mostrar um cartão vermelho ao Governo, e um sinal para Passos Coelho se demitir, e coisas que tais. O que dirá, então, João Semedo do claro cartão vermelho que o povo português mostrou - ao Bloco de Esquerda?

link do postPor João Sousa, às 15:28  comentar

27.9.13

Enquanto regressava a casa, e passava pelos cartazes dos candidatos à Câmara de Lisboa, pensei como, seja qual for o resultado eleitoral, o derrotado não será o PSD, o PS, Costa ou Seguro: o derrotado será, sempre, Lisboa.

link do postPor João Sousa, às 23:30  comentar

Então, vejamos se percebi.

 

Há tempos, Maria Henrique Espada, jornalista da Sábado, abordou José Sócrates para confirmar que a tese que este estaria(?) a preparar na Sciences Po era sobre tortura. Sócrates desmentiu categoricamente e até adiantou:

 

"Não. Peço-lhe aliás que não escreva isso porque estará a enganar os leitores da sua revista e estará a dar-lhes uma informação errada." [Pergunto-me se serei o único com vontade de rir por ver Sócrates preocupado com a hipótese de "enganar" outras pessoas e "dar-lhes informação errada".]

 

A jornalista, perante tal desmentido, ficou-se e não publicou nada.

 

Fast-forward de algumas semanas.

 

O Expresso publica uma notícia, com declarações do próprio José Sócrates, sobre a tese deste que tem como tema - A Tortura (e os regimes democráticos). Aliás, retiro o que disse: o Expresso não publicou uma notícia - o Expresso publicou uma celebração, como se daqui resultasse a reformulação dos equilíbrios geo-estratégicos, a solução para a Crise Mundial, e Sócrates se tivesse tornado automaticamente candidato ao Nobel da Paz E da Literatura.

 

Maria Henrique Espada e a revista Sábado, ao terem conhecimento da notícia do Expresso, decidiram confrontar Sócrates com o sucedido. Este, com a fleuma que lhe é habitual, respondeu:

 

"Não lhe admito isso, nem que me peça explicações."

 

"(...) que interessante, um jornalista a pedir-me explicações, costuma ser ao contrário." [Daqui ficamos a saber que, para Sócrates, e como Judite de Sousa bem o sabe, o normal é ser ele a mandar no jornalista.]

 

"Você disse que a minha tese era sobre tortura, e não é, a minha tese não é sobre tortura. É sobre tortura em determinadas circunstâncias, embora, é claro, eu não tenha na altura acrescentado esta informação." [Daqui se vê que, quando tal lhe convém, Sócrates é muito cioso da verdade absoluta dos detalhes.]

 

"Isto é um assunto privado e não quis permitir que amigos meus, ainda que bem intencionados, usem informação que só a mim diz respeito para efeitos de quando deve vir a público. Eu é que decido a quem digo e como o digo." [Aqui se vê que, para Sócrates, o homem que os jornalistas/hagiógrafos afirmam defender ferozmente a sua vida privada, esta é um valor absoluto e irrevogável - para ser exposto quando, onde e como for mais vantajoso.]

 

E assim percebemos, pela história da sua polémica tese na polémica Sciences Po, noticiada no polémico Expresso do polémico Balsemão e editoriado pelo polémico Ricardo Costa, e que será publicada com o apoio da polémica Fundação do polémico Soares, sendo prefaciada pelo polémico Lula da Silva - assim percebemos como o polémico José Sócrates, numa inversão de 180º, tomou o gosto à Verdade Absoluta e à Impecável Correcção Factual.

 

Ou será...?

 

É que basta ler esta investigação de António Balbino Caldeira sobre a notícia do Expresso, onde um esfuziante Ricardo Costa anuncia que:

 

"(...) Sócrates escolheu este tema para a sua mémoire (tese de mestrado), que defendeu em Julho na Sorbonne, em Paris (...)"

 

para se perceber que uma mémoire não é bem, bem, bem uma tese, tal como a Sciences Po não é bem, bem, bem a Sorbonne (esta, aliás, nem tinha nada a ver com a tese de Sócrates), tal como... enfim, em se tratando de Sócrates, receio virmos a descobrir que a sua Paris não era bem, bem, bem Paris - mas sim Casal do Marco.

 

Sócrates, o eterno empolador da sua própria realidade - ajudado por Ricardo Costa, aqui apenas ligeiramente melhor do que o seu colega Nicolau Santos.

 

link do postPor João Sousa, às 12:11  comentar

26.9.13

valter hugo mãe (acompanho a grafia do próprio) é um pateta. Não há problema algum nisso. O que não falta no nosso mundinho literário e artístico é patetas, idiotas e loucos com mais jeito para a autopromoção do que para a literatura ou arte. Não me preocupo com este tipo de gente - enquanto não começam a acreditar na sua própria lenda.

 

valter hugo mãe é apenas mais um escrevinhador a quem, algures no tempo, alguém encontrou talento - certamente no fundo de uma garrafa. Resultado: ganhou prémios com as suas torturas em forma de livro e é entrevistado como alguém "seguido com atenção no panorama literário nacional" (eu também o sigo com atenção - para evitar cruzar-me com ele).

 

Pode parecer, por estas palavras, que eu tenho alguma má-vontade pessoal para com o nosso valter. Nada disso. Não tenho qualquer problema em acreditar que o rapaz é uma excelente pessoa, amigo do seu amigo, e que nutre um verdadeiro amor pela escrita (amor esse, infelizmente, não correspondido). A questão é que a simpatia e o amor à arte não são (não deviam ser) suficientes - como é fácil de ver nas audições de programas como American Idol.

 

Veio-me isto a propósito das metáforas sexuais que valter hugo mãe tem usado nas suas intervenções recentes. Já é um facto reconhecido que a literatura portuguesa tem um enorme problema com o sexo, com as metáforas sexuais e com a descrição da sua execução. Recordo-me de um interessante (e divertido) debate na nossa blogosfera a propósito da ridícula sopa de peixe de José Rodrigues dos Santos (in Codex 632):

 

Tomás trincou um pedaço de peixe, pareceu-lhe abrótea, temperada pelo líquido branco do caldo. 


"Porque razão é branca a sopa?", admirou-se ele. "Não é feita de água?"

 

"Leva água, mas também leva leite."


"Leite?"


"Sim", assentiu ela. Parou de comer e fitou-o com uma expressão insinuante. "Sabe qual é a minha maior fantasia de cozinheira?" 


"Hã?"


"Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas." 


Tomás quase se engasgou com a sopa. 


"Como?" 


"Quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas", repetiu ela, como se dissesse a coisa mais natural do mundo. Colocou a mão no seio esquerdo e espremeu-o de modo tal que o mamilo espreitou pela borda do decote. "Gostava de provar?"


Tomás sentiu uma erecção gigantesca a formar-se-lhe nas calças. Incapaz de proferir uma palavra e com a garganta subitamente seca, fez que sim com a cabeça. Lena tirou todo o seio esquerdo para fora do decote de seda azul; era lácteo como a sopa, com um largo mamilo rosa-claro e a ponta arrebitada e dura como uma chupeta. A sueca ergueu-se e aproximou-se do professor; em pé ao lado dele, encostou-lhe o seio à boca.


Tomás não resistiu.


Agora, para subir a parada, valter hugo mãe confidenciou há dias em entrevista ao Diário de Notícias:


Afinal, o sexo do homem é muito mais honesto, visível e mais facilmente lavável, enquanto o das mulheres é mais sinistro.


e hoje, no I Online, pode-se ler:


A primeira vez que editei um livro de poemas, tinha 24 anos, dormi com o livro na cama. Pu-lo ao meu lado um pouco entalado na almofada e passava a noite toda a acordar, a olhar para ele. Fiz isso outra vez quando saiu o meu primeiro romance e agora voltou a acontecer. Alude a uma satisfação com o texto mas é um objecto impecável. Estou apaixonado por este livro. E se é verdade que os livros são gente vou exigir que a lei, já que se podem casar pessoas do mesmo sexo, que se possam casar pessoas com livros independentemente de os livros terem sexo.


Pois: é óbvio, pelo segundo naco de texto, o porquê das confusões que mostra no primeiro. O caro valter hugo mãe é como os marinheiros antigos: imagina adamastores naquilo que desconhece.

link do postPor João Sousa, às 10:16  ver comentários (1) comentar

Comparado com gente como Carlos Abreu Amorim, Menezes e António Costa, Manuel Almeida começa a parecer um Marquês do Pombal...

link do postPor João Sousa, às 08:51  comentar

24.9.13

Devem os jornais, em relação aos quais se deseja ter confiança na sua isenção e distanciamento, expor candidamente a sua linha política? O I, na pessoa do seu editor executivo Nuno Ramos de Almeida, também co-autor no blogue 5Dias, entende que sim. Não é nada de inédito: trata-se, tão somente, de um regresso aos tempos do PREC, tão desejado por esta malta.

link do postPor João Sousa, às 09:06  comentar

23.9.13

Ler, de entre toda a gente, o repugnante PSP (Pedro Silva Pereira), um cínico hipócrita por excelência, acusar Nuno Crato de ter um "sorriso cínico" e "falar de forma falaciosa", faz-me lamentar não estarmos nos idos de 1800 - quando estas coisas se resolviam na ponta de uma espada.

link do postPor João Sousa, às 09:37  comentar

19.9.13

Sócrates vai lançar um livro sobre Ciência Política com prefácio de Lula da Silva. E eu vou lançar um livro de culinária - com prefácio de Jeffrey Dahmer.

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link do postPor João Sousa, às 14:31  comentar

 
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