A sério que sim
26.2.14

O melhor texto acerca da patetice montada em torno da chorada partida de Fernando Tordo, por Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell.

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link do postPor António Pinto, às 17:03  comentar

21.2.14

George Clooney defendeu há dias, durante uma apresentação do seu filme mais recente, que o friso de colunas do Partenon, contrabandeado em 1803 e actualmente exposto no Museu Britânico, deveria ser devolvido à Grécia. Estas palavras geraram tanta gratidão na Grécia que até levaram a um convite, feito pelo seu ministro da Cultura, para que Clooney fosse uns dias "ver uma infinidade de antiguidades gregas conservadas sob o sol mediterrâneo". 

 

Eu não tenho muitos problemas com o que Clooney disse. É fofinho e seria simpático que os ingleses o fizessem, pois já puderam brincar dois séculos com os mármores. Mas estas celebridades razoavelmente inteligentes têm um problema: entusiasmam-se e nunca sabem parar enquanto estão a ganhar. Poucos dias depois, George Clooney afirmou que a Mona Lisa devia ser devolvida aos italianos.

 

Acontece que há uma grande diferença entre o friso de Partenon e a Mona Lisa: o primeiro está em Inglaterra como resultado de um acto legalmente dúbio; a pintura está em França porque foi vendida num negócio - em aparência - perfeitamente legítimo.

 

Argumentará Clooney que as obras de arte devem ficar no seu país de origem? Defenderá Clooney, então, que Portugal devolva os Mirós a Espanha - e Espanha, os deuses nos acudam, devolva-nos Kátia Aveiro?

 

Há quem justifique esta ideia de Clooney com a teoria de que a venda do quadro teria sido decidida por um Leonardo da Vinci já pouco esclarecido, ou um seu herdeiro sem noção do real valor daquilo que estava a negociar. Mas a questão é que defender a anulação de um negócio de arte por ter sido mau para uma das partes, ou porque uma das partes estaria mal informada, seria um erro. Se George Clooney seguir esta linha, vai abrir uma Caixa de Pandora com consequências imprevisíveis. No limite, tornaria legítimo que pedíssemos a Clooney a devolução do que pagámos - pelos bilhetes de Batman & Robin.

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link do postPor João Sousa, às 10:36  comentar

19.2.14

 

O lançamento do livro "Vítor Gaspar por Maria João Avillez" causou uma enchente no Centro Cultural de Belém. Gente de todos os espectros políticos, à excepção dos fanáticos de extrema esquerda que devem andar entretidos a escavar trincheiras algures em Serpa, fez questão de estar presente no evento, mostrando o seu apreço por este homem. De João Proença a Vítor Bento, de António Vitorino (que apresentou o livro) a Pires de Lima, todos deram um sinal de que as pontuais discordâncias não põem em causa o valor de Vítor Gaspar.

 

Fiquei surpreendido.

 

Sempre disse que Vítor Gaspar seria lembrado com saudade, mas não pensei que o reconhecimento do seu trabalho chegasse tão rapidamente. Provavelmente, até ele estará surpreendido.

 

Sei que vivo num país onde um papalvo bem falante, enfiado à calçadeira num fato caro, é muito mais apreciado do que um homem honesto que diz aquilo que nem todos querem ouvir. Sei que o português gosta do homúnculo medíocre alavancado a cargos de chefia pelo seu dom da oratória. Gosta que vença o pequenino, que ganhe o mole, pois assim a vitória está dissociada do trabalho e do valor. É mais democrática.

 

Fica a minha vénia, também por isto, a Vítor Gaspar.

link do postPor António Pinto, às 10:46  comentar

18.2.14

Ontem, ao fazer o meu zapping final pelos canais do Cabo, passei pela maquilhada Canavilhas a ser entrevistada na Sic-Notícias. Não vi se ela falou - de novo - da já velha história dos Mirós (certamente que, como "culta", o fez). A falar verdade, não me interessa, pois basta ler os jornais ou a blogosfera para perceber como o assunto Miró continua vivo - e continuará durante muito tempo. Estou certo de que será uma repetição dos submarinos de Portas que, como o cubo mágico ou o iô-iô, periodicamente retornam à visibilidade.

 

Eu não falei muito no assunto porque, francamente, sempre pensei que não haveria muito para falar. A questão é que a alucinação parece ser transversal ao espectro político.

 

A Esquerda quer os quadros porque são "cultura". A Esquerda sabe que todo este imbróglio BPN custou um buraco negro nas contas do Estado e, por consequência, ao contribuinte, mas a Esquerda não quer abrir mão dos Mirós. Isto não é surpresa para ninguém. A nossa Esquerda sempre se comporta como uma família arruinada da nobreza que, ao revolver um sótão esquecido, descobre uma baixela de prata e, por mera vaidade, se recusa a vendê-la - preferindo usá-la para as refeições de família onde comem sopa de água quente temperada com poeira.

 

Não. Aquilo que me surpreende não é a palermice na Esquerda. O que me choca é a palermice na Direita, que afirma ser boa ideia ficar - já agora... - com os quadros e rentabilizá-los em exposições.

 

É claro que seria uma boa ideia ficar (já agora...) com os quadros - se pudéssemos. Mas também seria uma boa ideia se estes últimos senhores nos dissessem em quanto tempo projectam que os quadros, via exposições e cedências, gerariam lucro suficiente para compensar os 40 milhões que valem agora em leilão.

 

Falemos a sério. Em Portugal, o cidadão-médio: não consegue nomear dois museus; não conhece mais do que dois realizadores de cinema (conhece o Vasconcellos por causa dos comentários de futebol, e o Manoel de Oliveira porque é velho); nunca colocou os pés na Gulbenkian, nem sequer para usufruir dos jardins numa tarde de Verão; e só vai passear ao Parque Eduardo VII num fim-de-semana avulso durante a Feira do Livro - para ver as roulottes de farturas e comprar um pacote de queijadas.

 

Num país assim, quantas décadas seriam necessárias para o Estado conseguir recuperar, à base de exposições e turismo, os cerca de 40 milhões que não obterá com o cancelamento deste leilão?

 

Posso dar um palpite? Não serão décadas nem séculos. Mais cedo viria o Big Crunch ou o Big Freeze.

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link do postPor João Sousa, às 12:53  comentar

17.2.14

Devo dizer que sempre me fascinou como, com sete notas musicais ou doze semi-tons, temos conseguido criar séculos de música inédita. Por isso, quando ouço duas músicas com algumas semelhanças entre si, não vou de imediato apontar dedos acusadores a ninguém.

 

Vem isto a propósito de um dia recente em que, numa travessia do Tejo, não consegui evitar ouvir um tema de João Pedro Pais arremessado pelos altifalantes do barco. Em particular, pelo seguinte excerto:

 

 

que me evocou logo isto:

 

 

Agora, deixem-me ser absolutamente claro e sincero: não estou a acusar João Pedro Pais de plágio ou, sequer, de se ter inspirado nos Tindersticks. E não o faço por duas razões. Primeiro, pelo que afirmei no primeiro parágrafo deste texto. Segundo, e mais importante: porque assumir que Pedro Pais conhece a obra dos Tindersticks seria atribuir-lhe um bom gosto que, claramente, não tem.

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link do postPor João Sousa, às 14:16  comentar

15.2.14

E o prémio São Valentim de 2014 vai para... Oscar Pistorius.

 

Pistorius escolheu o dia dos Namorados para vir a público recordar o "acidente devastador" que causou tanta dor a todos os que amavam e continuam a amar Reeva Steenkamp, a sua namorada falecida há exactamente um ano, na madrugada de São Valentim de 2013.

 

Pistorius é, como se vê, um romântico, e não achou estranho fazer isto - tendo em conta o pequeno detalhe de o "acidente devastador" terem sido três balas no corpo disparadas pelo próprio Pistorius. Eu não sou especialista na matéria, mas três tiros certeiros em quatro tentados não me parece uma taxa de sucesso que encaixe facilmente na definição de "acidente".

 

E agora que penso bem nisto, talvez também o devesse propor para um prémio "Este Anda A Pedi-las".

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link do postPor João Sousa, às 15:41  comentar

Anders Breivik. Para aqueles que já não se recordem do nome, aqui fica o palmarés desta jóia de rapaz: Anders Breivik, em 2011, fez explodir uma bomba em Oslo, atacou um acampamento de jovens numa ilha e, no total, matou 77 pessoas e feriu outras 240.

 

Pois Anders Breivik, condenado a 21 anos de cadeia e actualmente numa prisão de alta segurança, diz-se sujeito a um tratamento "pior do que animal" e ameaça iniciar uma greve de fome. Estou certo de que há imensas pessoas, por esse mundo fora, que o apoiarão neste seu novo projecto - e até talvez digam que já vem vários anos tarde.

 

O que reivindica Anders Breivik? Entre outras coisas, quer um aumento de ordenado; pretende um computador, em vez da "inútil máquina de escrever com tecnologia de 1873" (eu propunha que se trocasse a máquina de escrever com tecnologia de 1873 por um lápis com tecnologia de 1560); e quer que lhe substituam a actual Playstation 2 (esperem: FOI-LHE DADA uma Playstation 2?!) por um modelo mais recente e jogos para adultos à sua escolha.

 

Pessoalmente, a ideia de o contribuinte norueguês sustentar 21 anos de Breivik a jogar SniperGrand Theft Auto ou Payday: The Heist parece-me um bocado... obscena.

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link do postPor João Sousa, às 13:23  comentar

14.2.14

Dia dos Namorados? Há muito tempo que São Valentim não tem nada a ver com isso. Aliás, há muito tempo que São Valentim está a receber a pensão de invalidez.

 

Recordo-me de, há poucos anos, um restaurante ter promovido esta noite com uma campanha: um casal de namorados levaria um casal de encalhados e teriam 10% de desconto. O que o restaurante não anunciou previamente foi esta pequena surpresa: no final da refeição, com a conta, o empregado também transportaria na bandeja - um preservativo para os encalhados. Talvez até se forçasse a uma piscadela de olho malandra.

 

Há uns dias, esperava pelo barco para Lisboa, sentou-se perto de mim uma lady que começou a folhear a Maria (ou coisa parecida). Ela faz parte, habitualmente, do gangue de harpias que sempre parece existir em todos os transportes de/para o trabalho, a versão funcionária-pública do quarteto d'O Sexo e a Cidade. Mas como se terá atrasado nas pinturas matinais, calhou a ir sozinha e puxou da literatura.

 

Ouvi-a a passar as páginas com alguma rapidez, até que a certa altura abrandou o ritmo. Deitei uma olhadela pelo canto do olho, curioso em saber o que lhe teria despertado o interesse. Tinha chegado às páginas centrais, e havia um suplemento: "SEXO" (assim mesmo, titulado em maiúsculas), e o artigo de fundo era Dia de São Valentim: Dez Novas Posições Para A Noite Mais Romântica. Com imagens esquemáticas. Um destes anos, serão fotografias. Mais uns anos, e será um DVD promocional.

 

Não compreendo. São os homens que, supostamente, dão "demasiada importância" ao sexo, mas não há revista feminina, da cosmopolita Cosmopolitan à sopeira Telenovelas, que deixe passar um número sem qualquer referência ao tema (e com chamada de capa):

 

Os melhores locais para sexo no trabalho

 

Os segredos do dating online

 

As melhores posições para sexo no chuveiro

 

Ponha-o louco com a sua boca

 

Ensine-o a dar-lhe orgasmos múltiplos

 

O mapa para o seu ponto-G

 

Seja a amante que ele quer

 

Solte as garras e seja uma fera no sexo

 

Truques para ter prazer SEMPRE

 

Conheça a nova moda das relações abertas (nova? desde quando?)

 

Comida afrodisíaca para uma noite escaldante

 

Dicas para ter melhor sexo

 

São Valentim: dez novas posições para a noite mais romântica do ano

 

Cinco exercícios para aumentar o prazer do orgasmo

 

Prazer a dobrar

 

Saiba como encontrar bons amantes no Facebook

 

O sexo, como é bom de ver, tornou-se um bem de consumo que vem com manual de instruções; é um direito adquirido consagrado na Constituição, que se combina por SMS ou no Facebook, e em cuja prática se investe menos, emocionalmente, do que numa ida a um restaurante de sushi.

 

Já não há sedução nem se sabe apreciar a expectativa da incerteza. Não se quer alguém com quem ter uma ligação especial; cria-se, ao invés, uma coutada privada com amigos/as positivos/as e que não dêem chatices, à qual se pode ir sempre que der a vontade de caçar.

link do postPor João Sousa, às 06:56  comentar

13.2.14

O António, lá atrás, menciona em tom escarninho o interesse de Mário Soares nas causas ecológicas. Eu não alinho no mesmo tom. Eu compreendo Soares. Quem, como ele, já presenciou uma extinção em massa, certamente não quererá assistir a outra.

link do postPor João Sousa, às 23:28  comentar

 
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