A sério que sim
31.3.14

Afinal, é verdade: tal como dizia o velho Soares, sopra um vento democrático desde a eleição de Hollande. Infelizmente para ele, parece que é o próprio PS francês que está a ser assolado pela ventania.

link do postPor João Sousa, às 20:04  comentar

29.3.14

Relógios avançam uma hora no próximo domingo: Seguro diz que é ‘pouco’. (in Imprensa Falsa)

 

«Se eu fosse primeiro-ministro, os relógios adiantavam todos pelo menos duas horas e isto é só para não prometer coisas que não sei se posso cumprir, pois na verdade acredito que comigo os relógios dos portugueses adiantavam uma semana»

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link do postPor João Sousa, às 12:38  comentar

27.3.14

Chamem-me romântico, sentimental, ingénuo, o que quiserem. Sou o primeiro a aceitar que eu seja uma ilha de anacronismo nestes tempos moderninhos e sofisticados. Digam o que quiserem, façam o que vos apetecer. Eu ficarei cá na minha de achar que o jogo, qualquer jogo, deve ter um mínimo de regras e que devemos um módico de respeito por quem o joga connosco. E estes cavalheiros que fazem a política que vamos tendo, implícita ou explícita, seja a "grande" que se mostra nas televisões ou a "micro" que se pratica nos blogues, das duas uma: ou são idiotas; ou acham-me, pelo argumentário que exibem, um completo néscio. Acontece que eu não gosto que, apenas pelo meu razoável anonimato, me assumam parvo. Não gosto. Como diria o saudoso Pinheiro de Azevedo, não gosto, é uma coisa que me chateia - pá!

Olhemos para os sorteios de automóveis que o Fisco irá fazer. Seria de esperar que alguém receber algo em troca de quase nada fosse considerado desejável. Afinal, andamos há décadas a preencher totobolas, totolotos e bingos; a comprar lotarias, rifas e raspadinhas; a coleccionar caricas de refrigerantes e a fazer chamadas de valor acrescentado para programas de entretenimento de valor reduzido. E no entanto...

... e no entanto, políticos, jornais e blogues acotovelam-se para encontrar a iniquidade.

Não tenho problemas em conceder que talvez houvesse outras formas de fazer isto. Por exemplo, pergunto-me se, em vez de adquirir automóveis para sortear, o Estado não deveria recorrer àqueles que já possui sem deles retirar qualquer mais-valia para o interesse público - como o Mercedes Benz S350, pertença da Direcção Geral das Finanças e do Tesouro, cedido a Sua Excelência Dinossoárica. Também acho interessante que, de entre aqueles que vêm papagueando sobre o tema, muito poucos chamem a atenção para o contribuinte português ter que ser aliciado com o prospecto de automóveis para fazer aquilo que é a sua obrigação.

Mas não.

O Bastonário dos TOC, pessoa que pelo seu passado de 12 anos como deputado socialista, devia ver as suas declarações serem cuidadosamente relativizadas, mostra-se compungido pelos coitados dos sorteados que não têm meios para sustentar o Audi atribuído. Não fosse isto suficiente, ainda acusa a medida de ser publicidade encapotada à Audi - assim uma espécie de Renault Roadshow F1, com menos Zé-que-não-fez-falta e incómodos para o trânsito. Curiosamente, ou talvez não, não me recordo de ouvir o bastonário dos TOC dizer que o Estado dar netbooks manhosos a criancinhas, com honras de Telejornal e tempo de antena, fosse publicidade encapotada à JP Sá Couto.

Bloguers, cobertos de manha, dizem que isto é incentivar o consumismo - como se o Pingo Doce tivesse sido invadido por multidões que acumulam, na despensa, caixas de esfregões Bravo só para terem mais hipóteses de receber o carro.

E o Expresso, o nosso querido Expresso dirigido por Ricardo Costa e por Nicolau-que-não-sabe-usar-o-Google-Santos, num rigoroso exercício de canalhice, expõe, com recurso a umas contas marteladíssimas, as despesas a que um automóvel deste género obriga o dono.

Quase dá vontade de recusar o prémio. O Estado, a RTP, a ACAPO, todas estas pérfidas entidades vêm tentando o pobre e ingénuo Zé Povo com frutos proibidos que lhe trarão azar e pestilência. Aguardo, com impaciência, a emissão do Preço Certo em que uma Ti Alzira recusará as chaves do carro que o gordo Mendes lhe quer entregar com um consciencioso "não, obrigado, não cederei à tua tentação, pérfida serpente, o meu orçamento familiar não permite sustentar esta carrinha 4x4 e não sei que mais posso fazer com isto a não ser usá-lo".

Ora quem ouça, leia ou veja estas personalidades, bloguers, jornalistas e paineleiros, fica a pensar:

- que o contribuinte, ao receber o carro, assinará um contrato de fidelização;

- que o contribuinte, se não quiser o carro, será automaticamente inspeccionado pelas Finanças;

- que o contribuinte é idiota e tem que ser guiado, pela mão, por estes iluminados.

Quem diz, com o lábio trémulo de raiva, que é um insulto para o pobre desempregado receber um carro de 35000 euros - quer fazer esquecer o facto de que o desempregado pode vender o Audi que lhe caiu nas mãos e pagar dívidas ou equilibrar um orçamento periclitante. Quem esbraceja com a falta de respeito que é sortear um Audi A4 a um reformado ou a uma família que sobrevive com sacrifícios - não consegue imaginá-los a desfazerem-se da máquina para folgar as contas do mês, ou até para garantir as propinas da Universidade dos filhos. Estes iluminados, com problemas de matemática, recusam-se a ver que vender um destes Audi, mesmo que seja a metade do seu valor, permitiria a muitas casas MAIS DO QUE DOBRAR o seu orçamento anual.

Mas não. Para estes iluminados, o povo é fraco de cabeça e de moral. Será arrogância - ou atribuir aos outros os seus próprios vícios? Afinal, é esta gente que quer ficar, a todo o custo, com os quadros de Miró que não trazem vantagens e empresas públicas que sangram milhões de euros.

link do postPor João Sousa, às 16:15  ver comentários (2) comentar

25.3.14

... e, de repente, os defensores de Sócrates acham que, numa sessão de comentário, um jornalista está ali só para lançar os temas ao comentadeiro e controlar o tempo. Seria assim como um teleponto glorificado, facilmente substituível por um papagaio bem treinado - ou uma buzina e umas folhas de papel seguras com um calhau.

link do postPor João Sousa, às 17:35  comentar

Dois amigalhaços almoçavam ruidosamente na mesa ao lado da minha. No meio da animada conversa, um deles sai-se com esta pérola de sabedoria:

 

- Sabes, o bom de um homem não ter cheta é saber que se uma mulher está com ele, é mesmo pela sua personalidade. O mau de um homem não ter cheta é saber que as mulheres nunca querem estar com ele apenas pela sua personalidade.

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link do postPor João Sousa, às 15:54  comentar

19.3.14

 

Analisemos as seguintes declarações:

"O primeiro-ministro criticou a proposta (...) de reestruturar a dívida portuguesa, dado que isso significa um "calote aos credores e significaria que Portugal passaria a fazer parte da lista negra". (...) reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, desemprego e falências e, pior do que isso, significa pôr em causa o projecto europeu e a moeda única."

E agora analisemos estas:

"Teria assinado o manifesto (que defende a reestruturação da dívida), porque estou de acordo com ele"

As primeiras pertencem a Sócrates, em 2011, quando ainda era primeiro-ministro. As segundas também (!), tendo sido proferidas no seu magazine domingueiro, em pleno 2014. Sócrates, o bandoleiro, está a perder qualidades: já demora 3 anos a dizer uma coisa e o seu contrário.

 

link do postPor António Pinto, às 17:14  comentar

16.3.14

Eu às vezes acho que somos um pouco injustos para com António José Seguro. Dizemos que o homem é aborrecido e sonso, mas ele até é um pândego, sempre pronto a alegrar o ambiente com uma piada:

 

António José Seguro garante que o PS também sabe governar com rigor, disciplina orçamental e pôr as contas públicas em ordem.

 

Se o PS podia governar com rigor e disciplina orçamental? Podia, mas não era a mesma coisa.

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link do postPor João Sousa, às 19:20  comentar

12.3.14

Sócrates vai entrar na campanha para as europeias para dar um sinal de grande unidade no PS. Sim, unidos - na falta de vergonha na cara.

link do postPor João Sousa, às 18:39  comentar

7.3.14

Começo por uma declaração de desinteresses: eu não conheço Fernando Tordo. Vi-o um punhado de vezes no Colombo, e antipatizei com o seu ar. Estarei enganado, ou a ser injusto? É bem possível que sim. Afinal, como já disse, não o conheço e, assim, não posso formar uma opinião baseada em factos - ao contrário de pessoa minha amiga, que o conhece pessoal e profissionalmente, e o achou "um vaidoso insuportável". Mas tenho seguido com alguma curiosidade esta telenovela que o cantor Tordo gerou com a sua "emigração". Por isso, fiz o sacrifício de ler com algum cuidado a sua entrevista ao Público.

 

O título da peça é "O país está irrespirável para uma pessoa que faz música". Eu questiono: admito que esteja mal para quem faz música - mas e então, para ele, também está?

 

O próprio começa por se admitir surpreso pela polémica à volta da sua saída:

 

Eu não percebo por que é que a saída de um único cidadão, é músico mas podia ser engenheiro ou trolha, pode causar tanta confusão e tanta polémica. É por eu ser uma figura pública? O que eu leio e o que as pessoas escrevem é que o tipo está velho, já não interessa… então por quê tanta preocupação?

 

Quero, desde já, descansá-lo: eu não estou preocupado pelo cantor Tordo emigrar. Preocupado estou por ainda termos cá Miguel Ângelo, João Pedro Pais, Represas e alguns outros que não me importaria que fossem com ele - mas não estou preocupado por nos termos livrado do bardo Tordo. E só a sua extrema modéstia, da qual sabemos possuir oceanos, pode explicar a surpresa com a "confusão" e "polémica" pela sua ida para o Brasil. Imagino que não passe pela sua cabecinha que a "polémica" esteja relacionada com a encenação mediática das "cartas" trocadas - de forma bastante pública e publicitada na comunicação social e redes sociais - entre ele e o filho João.

 

Não: só a ingenuidade do artista Tordo pode explicar esta surpresa. Se não fosse ingenuidade, teria que assumir ser hipocrisia - e disto, sabemos que Tordo é incapaz.

 

Também é interessante que Tordo afirmou sair sem amargura ou tristeza - mas demora-se vários parágrafos em queixas sobre falta de trabalho, de que as autarquias não têm dinheiro, de que não é um "artista na crista da onda", de que "não aceita esta gente que está a fazer mal ao país" que apelida mesmo "alarves". [Não me recordo de o ouvir dizer de Sócrates, enquanto este delapidava as finanças públicas, que "fazia mal ao país" - talvez porque, lá está, as autarquias nessa altura tinham carte blanche para se endividarem e contratarem artistas consagrados como Fernando Tordo para educarem o povo.]

 

(...) as autarquias, que são o grande empregador dos artistas em Portugal, (...)

 

E Tordo não consegue compreender que, com estas palavras, expôs muito do que está mal no mercado artístico nacional.

 

Foram os portugueses que os escolheram [Governo].
Foi a escolha de muitos portugueses, que eu respeito, mas foi a escolha deles e eles é que têm de os aturar. Eu não.

 

Este conceito de democracia é suficiente para percebermos a filosofia de Fernando Tordo: se quem vence eleições legítimas não é do seu canto, então não tem que aceitar que esteve em minoria - e sai. É uma ideia muito cara a gente de um certo lado do nosso espectro político.

 

Acha que a política cultural, ou a sua ausência, que está a determinar o contexto que faz com que artistas como o Fernando Tordo tenham problemas em encontrar trabalho?
Claro, porque Portugal é um dos únicos países do mundo em que artistas com 50 anos de carreira são tratados como se fossem cães. Claro que sim. São tratados como se fossem lixo, claro que sim. Vamos a Espanha, vemos artistas consagrados com 40 ou 50 anos de carreira e há um respeito pela vida inteira de uma pessoa dedicada a uma determinada matéria, seja a música, a arquitectura, seja a medicina, seja o que for. Respeito.

 

O poeta Tordo diz que artistas com 40 ou 50 anos de carreira, em Portugal, são tratados como lixo e noutros países são respeitados. Tordo cai no erro de pensar que "longevidade" implica "qualidade" - e o entrevistador não pareceu interessado em chamar a atenção para este facto.

 

Portugal está a varrer para o esquecimento as pessoas que têm esse passado?
Se é o objectivo deles, comigo resultou perfeitamente.

 

Não, não resultou perfeitamente - infelizmente.

 

Mas há artistas da sua geração que continuam a ter públicos, a fazer concertos. Por exemplo Sérgio Godinho. Teria o Fernando Tordo ficado ancorado nos seus dias de glória, sem ser capaz de se modernizar?
Eu sou o único português que gravou com uma orquestra de jazz que é uma das melhores do mundo, sou o único português que cantou 12 poetas prémio Nobel da Literatura em cinco línguas. Eu não sei ao que se está a referir. Acredito que não saiba. As coisas estão feitas, só não as ouve quem não quer, a culpa não é minha. Conhece mais algum português que tenha feito um disco em português com a melhor orquestra de jazz da Europa, a National Youth Jazz Orchestra? Gravámos em Abbey Road, nos célebres estúdios dos Beatles. As pessoas não sabem? Ficam a saber. Actualizar-me mais?

 

O entrevistador faz algo interessante: dá o exemplo de Sérgio Godinho como alguém que continua com público e concertos. Fernando Tordo, sempre modesto, lista depois um rol de exemplos da sua "criatividade" e "dinamismo". Falha, contudo, ao não retirar a conclusão que me parece, dadas as circunstâncias, óbvia: ele não tem a actividade e a visibilidade de Sérgio Godinho porque este é um artista infinitamente mais interessante do que o vate Tordo.

 

Vejamos: perguntem-me de repente e eu, sem consultar a Internet, consigo indicar dois (dois!) temas de Fernando Tordo. De Sérgio Godinho, Vitorino, António Pinho Vargas ou Jorge Palma, poderia debitar uma boa dúzia deles. Raios: até Mário Mata deixou uma maior pegada na minha memória audiófila do que Fernando Tordo.

 

A questão, como eu a vejo, é que Fernando Tordo não tem o mesmo tipo de aclamação de que outros artistas gozam - porque não a merece. Tordo teve o seu lugar ao Sol porque pertencia a uma certa casta política e relacionava-se com as pessoas certas - mas isso, hoje, parece não bastar.

 

Se virmos bem, Fernando Tordo até tem razões para se orgulhar: conseguiu a proeza de alicerçar uma carreira de meio século - no facto de ter sido amigo de Ary dos Santos.

link do postPor João Sousa, às 14:23  comentar

Pinto Monteiro, que eu por momentos confundi com Marinho Pinto - não sei se por esta alarvidade digna do segundo, se pela ternura que ambos dispensavam ao nosso ex-Querido-Líder Pinto de Sousa - é o mais recente exemplo da lei de Godwin:

 

Pinto Monteiro acusa o Governo de estar a imitar o regime nazi ao criar guetos no interior do país. (fonte: TSF)

 

O maior problema é que Pinto Monteiro não é um qualquer pré-adolescente mental que, no anonimato da Internet, discute com outros pré-adolescentes mentais sobre a superioridade moral do open-source ou exibe o seu amor pela Santa Google ou por São Torvalds. Pinto Monteiro foi o Procurador-Geral da República e, não só pelo cargo que desempenhou, como principalmente pela forma como o desempenhou - mais parecendo um Escondedor-Geral da República -, devia manter uma reserva e decoro acrescidos nas suas posições públicas.

 

Por isto, eu proponho Pinto Monteiro para o prémio "Por Qué No Te Callas" da semana.

link do postPor João Sousa, às 10:25  comentar

 
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