A sério que sim
11.8.14

Rui Veloso diz-se desgostoso do pobre estado da nossa Cultura. Vai daí, anunciou uma pausa na sua carreira. Faço questão de reconhecer quem o merece: a sua atitude é digna. Rui Veloso suspende a sua actividade cantadeira - para que, automaticamente, o pobre estado da nossa Cultura se torne um pouco menos pobre.

 

Actualização: afinal, não é uma pausa na carreira, será só uma pausa nos concertos. Quem me mandou ser optimista e confiar no jornalismo da SIC?

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link do postPor João Sousa, às 10:39  comentar

6.8.14

Já aqui chamei a atenção para as dificuldades com que o Museu do Brinquedo se vem debatendo. Agora, é definitivo: ao perder o apoio de 5000 euros mensais que recebia da Câmara de Sintra, a Fundação Arbués Moreira vai encerrar o Museu no final de Agosto, e tem até ao final de Setembro para retirar das instalações os 90.000 brinquedos que compõem a colecção (tarefa obviamente complexa dada a fragilidade de muito desse espólio).

 

A Câmara de Sintra, liderada pelo neo-socialista Basílio Horta, mostra-se muito pressurosa no cumprimento da lei - porque esta retirada de apoio é uma consequência directa das alterações feitas à Lei das Fundações. Não é isto o que me confunde: pelo contrário, é uma variação interessante encontrarmos um autarca socialista tão escrupuloso no cumprimento da lei.

 

Não: aquilo que me faz impressão é a existência de uma Lei das Fundações tão claramente (propositadamente?) deficiente na sua elaboração que leva à retirada de apoios a uma iniciativa de óbvia importância patrimonial como é o Museu do Brinquedo - "apenas" uma das maiores colecções do género no mundo -, mas protege o financiamento à muitíssimo nebulosa Fundação Mário Soares. O mais importante não é que a Câmara de Sintra ou de Lisboa encontrem forma de contornar a lei. O que tem de ser feito é corrigir uma lei defeituosa que permite o encerramento de algo com interesse público - e permite o financiamento de algo que apenas serve a um clã familiar.

link do postPor João Sousa, às 11:44  comentar

5.8.14

 

Há vários tipos de esquerda. Em Portugal, temos essencialmente dois.

 

Um deles é representado pelo PS e pelos estafermos que vão trocando de cadeiras nos seus orgãos de liderança. Trata-se daquela esquerda que não é bem esquerda mas também não é direita. Não se querem chatear com nada e estão convencidos que, independentemente do cavalo em que apostem, chegarão ao poder por osmose. Arrastam-se pelos bastidores da política, tentando agarrar-se à única carreira profissional na qual terão alguma real oportunidade.

 

O outro tipo de esquerda que Portugal alberga, de forma algo desafortunada, é corporizado pelos tontinhos do "eu é que sou o mais revolucionário", actuais e anteriores líderes, dissidentes e promotores dos 37.651 partidos que procuram orbitar a cada vez menos gravítica esfera de influência do Bloco de Esquerda.

 

Os felizes integrantes do primeiro grupo tornaram-se quase caricatos. A disputa interna, uma versão ordinária das primárias promovidas na política norte-americana, tem sido um espectáculo doloroso de assistir. Já cansou toda a gente e colocou em risco a vitória nas eleições legislativas face a uma coligação que, provavelmente, as perderia contra uma cadeira de escritório do IKEA.

 

Os segundos, elementos notáveis da burguesia portuguesa, são alvo do merecido desprezo da população. Os eleitores têm olhado para eles com o carinho que dedicam a Raymond, a personagem brilhantemente interpretada por Dustin Hoffman no filme Rain Man (1988), embora incapazes de lhes reconhecer o esporádico bilhantismo savant do irmão autista de Charlie Babbitt. Há, no entanto, manifestações de desonestidade intelectual que não devem passar em claro. É o caso da reacção da meia líder do Bloco Catarina Martins, após o anúncio da medida de resolução do Banco de Portugal, como resposta à situação do Grupo Espírito Santo.

 

De forma razoável, a crise será contida, pelo menos do ponto de vista teórico, dividindo o grupo em dois, ficando os principais accionistas responsáveis pelas perdas, com a criação de um badbank, sendo o BES recapitalizado com recurso a um empréstimo proveniente do fundo de recapitalização da banca nacional, criado para o efeito aquando do resgate português. É a única solução que protege os contribuintes e "chama à pedra" os principais accionistas do grupo, responsáveis pelas tomadas de decisão que criaram o caos. Catarina Martins, desonesta, desgrenhada e com os nervos à flor da pele, foi a primeira a tomar o palco, balbuciando um chorrilho de disparates, debitando uns soundbytes dirigidos a quem, de forma legítima, não compreende os contornos da operação.

 

É por causa de gentalha como esta que a política portuguesa é uma merda.

link do postPor António Pinto, às 12:38  comentar

Eles aí estão: os dados referentes à evolução da taxa de desemprego no segundo trimestre de 2014.

 

Longe de brilhantes, os números são encorajadores. Desde logo porque a taxa de desemprego desce para 13,9%, a mais baixa desde 2011. Tratando-se de uma taxa elevada é, pelo menos, honesta em relação à real condição do país, sendo hoje menos afectada pelo emprego fictício na Administração Pública e nas empresas do sector do Estado do que era no pré-Troika.

 

Outro elemento positivo prende-se com os números do emprego. Sabemos que a nossa mui fragmentada esquerda gosta de justificar a descida da taxa de desemprego com a emigração. Desta feita, este fenómeno foi acompanhado de um aumento da percentagem da população activa de 0,5% e de aumentos homólogos e em cadeia de 2% do número de pessoas empregadas. Significa isto que, ao longo deste segundo trimestre, foram criados quase 90 mil postos de trabalho na economia nacional.

 

Posto isto, é importante sublinhar que a taxa de desemprego se mantém elevadíssima, incomportável considerando o nível de produtividade que Portugal precisa de alcançar para conseguir honrar os compromissos que assumiu.

link do postPor António Pinto, às 11:49  comentar

 
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