A sério que sim
28.11.14

Maria João Avillez, no seu texto de ontem no Observador, escreve:

Soares nunca “se” impediu nada.

Eu não discuto a justiça disto, mas acho incompleto. Deveria antes ser:

Soares nunca "se" impediu nada e a Soares nunca se impediu nada.

link do postPor João Sousa, às 12:53  comentar

27.11.14

Stasi-files.jpg

O geriátrico Soares foi ontem visitar o amigo e "bom homem" Sócrates à prisão. De cabeça perdida à saída, pois vergonha ou moral nunca teve para perder, disparou em todas as direcções.

 

O que afligia Soares? Ver um amigo, bom homem e impecável primeiro-ministro, vítima de um auto-de-fé? Sentir a sombra negra do fascismo abater-se de novo sobre a sua tão amada pátria, com prisões na calada da noite? Ver esse pilar da ética republicana chamado Partido Socialista sob uma perseguição política? Acordar de manhã e ver que já não tem fraldas na despensa?

 

Não. O velho Soares está desesperado (pois foi medo aquilo que lhe pressenti ontem) porque vê Ricardo Salgado, Maria de Lurdes Rodrigues, Armando Vara, Isaltino, Sócrates a braços com a justiça. Soares pressente o final da impunidade de que gozava toda uma mole de "bons rapazes e raparigas" que se serviam do Poder e da sua proximidade como se fossem Donos Disto Tudo. Soares receia que, finalmente, ele próprio veja a sua imunidade soárica revogada. E imagino que, algures nas catacumbas da sua fundação manhosa, filas e filas de máquinas trituradoras estejam a reencenar aquilo que foram os últimos dias da Stasi por alturas da queda do Muro.

link do postPor João Sousa, às 12:48  comentar

Andam agora os defensores de Sócrates muito preocupados com a violação dessa coisa chamada "segredo de justiça". Eu gostava de saber, em particular, o que diz sobre o tema o líder parlamentar socialista Ferro Rodrigues, que há uns anos foi gravado a dizer precisamente estar-se cagando para o segredo de justiça.

link do postPor João Sousa, às 11:58  comentar

25.11.14

208073_1780133182198_1205478900_31584212_5254237_n

A decisão de Carlos Alexandre quanto à medida de coação a aplicar a José Sócrates enquanto aguarda julgamento é um sinal. Um sinal de várias coisas.

 

A primeira é expressa no fundamento da própria decisão: deixar Sócrates em liberdade representava um risco para a integridade da investigação. Ao que parece, a PGR concorda. Outra, menos expressa mas também evidente, parece apontar para o facto de haver provas incriminatórias que deixam, ao juíz, poucas dúvidas e lhe dão o à-vontade de deixar em prisão preventiva alguém com o perfil mediático do ex-PM. Também parece que a Justiça deixou de ser apenas um sorvedouro dos recursos públicos e começou, de facto, a funcionar. Sem olhar a nomes ou tendências políticas (o caso dos vistos gold ilustra na perfeição este argumento).

 

Na mesma semana em que foi publicado um estudo que mostra o que todos sabiam em relação ao Magalhães, que foi um rotundo fracasso, o seu principal vendedor voltou a colocar Portugal nas bocas do Mundo.

 

Por fim, algumas notas:

1. Panfleto de propaganda online: Câmara Corporativa (ao bom estilo Mohammed Saeed al-Sahhaf)

2. Eu bem avisava...

link do postPor António Pinto, às 10:32  comentar

 

Dada a sua omnipresença neste caso, ainda estou a ver a mãe de Sócrates ficar na nossa História como uma Ma Barker à portuguesa - mas receio que sem Boney M para celebrá-la em canção.

link do postPor João Sousa, às 07:47  comentar

23.11.14

Este tipo de crime, pela sua própria essência, torna-se muito difícil de provar. Contudo, não me sai da cabeça que para um juiz deter um ex-primeiro-ministro, e ainda por cima um com o perfil público de José Sócrates, tem de estar acrescidamente convicto da linha de investigação. Para tal, imagino que possua informações que considera seguras: por exemplo, obtidas via alguém que esteja dentro do circuito da banca. Pessoa que conheço aventava que teria sido Vara a "soprar" isto ao ouvido de alguém interessado. Não acredito nisso: os mafiosos, honra lhes seja feita, não costumam delatar amigos com quem partilham uma vida de "negócios". Por outro lado, recordei-me da ameaça, nos idos de Setembro, proferida pelo dinossáurico Soares: que quando Ricardo Salgado falasse, e iria falar, as coisas iriam ficar de outra maneira. Será que...?

link do postPor João Sousa, às 00:21  comentar

22.11.14

Ontem à noite não vi televisão nem liguei o computador. Hoje de manhã, não vi televisão nem liguei o computador. Já passava do meio-dia quando, num quiosque, li na primeira página do DN "José Sócrates detido". Continuei a andar alguns metros até interiorizar aquelas três palavras e recuei para me convencer de não ter imaginado aquilo que lera. Pensei como era curioso eu ter estado, durante tantas horas, naquela espécie de bolha, completamente alheado do que sucedera.

o escroque

Quem me conhece, sabe que não sou um optimista. Fui vencido tantas vezes que o meu espírito já não contempla a hipótese. Imagino que seja possível que amanhã Sócrates seja libertado e regresse à sua vidinha, com o seu sorrisinho hipócrita e acrescido da auréola de mártir. Mas hoje, pelo menos hoje, vivi num país em que um escroque, por mais bem envernizado, tem de olhar por cima do ombro. E isso, caramba!, foi bom.

link do postPor João Sousa, às 23:23  ver comentários (1) comentar

20.11.14

Hoje deparei-me com um espectáculo bizarro: quatro fiscais do Metropolitano, agrupados à porta de uma carruagem, impediram durante um minuto a saída do comboio em questão porque debatiam se seguir naquela linha ou ir para a linha Verde - e tal trapalhada apenas porque um deles não gostava dessa linha.

 

Isto fez-me recordar que não tive, nas últimas duas semanas, um único dia sem encontrar pelo menos uma linha de Metro com "perturbações na circulação - pedimos desculpa pelo incómodo causado". Aliás, minto. Houve um dia em que não fiquei nunca mais do que cinco minutos à espera nas estações; em que os comboios não estavam à pinha; em que as viagens foram rápidas e sem interrupções pelo meio. Esse dia, curiosamente, foi o da greve na semana passada.

link do postPor João Sousa, às 12:10  comentar

 
subscrever feeds
Statcounter
blogs SAPO