A sério que sim
30.12.14

socrates_ginasio_prisao.png
(na capa da Vip)

link do postPor João Sousa, às 22:52  comentar

29.12.14

Quando cheguei a Lisboa e fui apanhar o Metro no Cais do Sodré:

 

"... a linha Verde encontra-se com perturbações".

 

Desci no Chiado para mudar para a linha Azul e:

 

"... as linhas Verde e Azul encontram-se com perturbações."

 

Quando regressava uma hora depois, na estação das Picoas, ficámos um par de minutos dentro das carruagens fechadas e às escuras porque os motores se desligaram.

 

Entretanto, nos painéis informativos, circulava a grande notícia de que o Metro de Lisboa festeja os 55 anos.

 

55 anos - e, pelo serviço que nos vem prestando, já só pensa na reforma antecipada.

link do postPor João Sousa, às 18:32  comentar

18.12.14

Há um manifesto contra a privatização da TAP. Tendo como mentor António Pedro Vasconcelos (suponho que se está já a posicionar para o futuro ministério da Cultura do governo de Costa), conta também com Manuel Alegre, Mário Soares, Miguel Sousa Tavares, Pedro Abrunhosa e Tony Carreira. Todos estes cavalheiros, é bom de ver, são reconhecidos como competentíssimos economistas e gestores - certamente saberão do que falam.

link do postPor João Sousa, às 13:08  comentar

8.12.14

A TVI24 entrevistou ontem o jornalista Joaquim Vieira, autor da biografia não autorizada "Mário Soares - Uma Vida". De tudo o que foi dito, uma frase em particular ficou-me na memória pela economia de palavras e absoluta pontaria:

 

"Mário Soares sente-se dono deste regime".

 

A minha primeira intenção era apresentar Joaquim Vieira como o jornalista que melhor percebe Mário Soares. Contudo, não estaria a ser correcto se o fizesse. O ponto principal é que TODOS sabem muito bem a classe de pulha que o velho Soares é e sempre foi: um político (na mais baixa acepção da palavra) sem outro móbil que não seja o seu próprio interesse (pessoal e de carreira); alguém que olha para a actividade política apenas como um jogo de salões, em vez de como um serviço à comunidade.

 

O que me desilude e desiludiu na corporação do jornalismo é isto. Todos sabem do nevoeiro de mitos que a figura soária construiu à sua volta - e sabem-no porque permitiram e, em certas alturas, contribuiram mesmo para tal. Todos conhecem os negócios de bastidores feitos ou facilitados por Soares em seu prol, em prol do seu séquito de trafulhas e em prol do partido. À corporação de jornalistas nunca pareceu fazer confusão, por exemplo, o sumiço de toda a edição de um livro que desmascarava as actividades subterrâneas de Soares e do seu PS. O próprio Joaquim Vieira, quando menciona estas questões, fá-lo com um encolher de ombros impotente.

 

"Mário Soares não gosta dessa faceta da sua biografia e irrita-se muito quando alguém a aborda"

 

e por isso ninguém a aborda, ninguém o recorda, ninguém fala das malas de dinheiro que vinham a pedido; ou do cortejo de ilustres quadros do partido que visitava os escritórios das empresas de "import/export" angolanas; ou do sumiço de primeiras edições; ou da extinção da revista Grande Reportagem, então propriedade do "amigo Oliveira", por o seu editor - o próprio Joaquim Vieira - ter-se permitido recordar o passado cinzentíssimo de Soares.

 

Os jornalistas não o recordam porque não querem perder o lugar privilegiado à mesa do dinossauro; não queriam desperdiçar a oportunidade de uma "cacha" cedida por este velho intriguista; ou, simplesmente, porque para uma classe maioritariamente de Esquerda, um pulha "dos seus" é um pulha bom.

 

Os jornalistas não escrutinam e não escrutinaram - e a corte que rodeia este nosso reizinho de opereta comporta-se como se o passado não existisse e o antigo Soares fosse um farol de ética e sabedoria, um Buda à portuguesa.

 

E, no entanto, aconteceu. No entanto, continua a acontecer. Sócrates não foi uma mancha que surgiu do nada. Sócrates é, pelas suas acções e estilo de vida, o mais lídimo seguidor da cartilha soárica. E eu pergunto-me se José Sócrates existiria como existe se a corporação de jornalistas, em tempo próprio, não tivesse compactuado com a impunidade de Soares, evitando assim que uns quantos marginais se achassem "donos deste regime".

link do postPor João Sousa, às 18:41  comentar

4.12.14

Não ditadas a um colaborador próximo mas sim escritas a tinta vermelha, vão aparecendo nos jornais as cartas que Sócrates escreve na sua cela preventiva. O mesquinho em mim pergunta se também terão sido escritas em francês e depois traduzidas pelo autor.

 

Brincadeiras à parte, penso que há potencial para outro best-seller. A Fundação Mário Soares, entre atribuir obras a Sherlock Holmes e armazenar primeiras edições de Rui Mateus, devia publicar as memórias do cárcere de Sócrates. Até já pensei num título que, se me é permitida a imodéstia, parece-me bem chamativo e muito adequado à personalidade do autor: "A Minha Luta".

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link do postPor João Sousa, às 12:39  comentar

1.12.14

Romaria (substantivo feminino): peregrinação religiosa a igreja, ermida ou lugar santo.
(dicionário Priberam online)

 

A SIC afirma que a prisão de Évora tem sido espaço de romaria devido a Sócrates. Acho a escolha da palavra romaria particularmente feliz, pois acreditar na inocência de Sócrates só pode, mesmo, ser uma manifestação de fé. 

 

NOTA: estou convicto de que, à conta de Sócrates, já houve mais gente a visitar Évora nesta semana do que passageiros a aterrar no Aeroporto de Beja - desde a sua inauguração.

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link do postPor João Sousa, às 08:21  comentar

 
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