A sério que sim
11.1.12

Baptista Bastos dá-nos, aqui, mais um exemplo da sua desconcertante desonestidade intelectual. Fala de assaltos à democracia, fala de desrespeito pela concertação social e pelos vetustos sindicatos, atira-se ao PSD e atira-se ao PS e diz coisas como esta:

As ordens procedem de fora. E as rodas dentadas da grande engrenagem movem-se através dessas cumplicidades ocultas. Lenta mas perseverantemente foram roubando o nosso já de si tão ausente protagonismo. Deixámos, há muito, de decidir o nosso destino; mas, pelo menos, possuíamos uma noção de presente, por obscuro que fosse.

Opinador de outros tempos e de outras vontades, Baptista Bastos mostra-nos como não abordar o problema, incitando a uma revolta revivalista não se sabe de quem nem contra o quê. É, como sempre foi, um intelectual situacionista que agora, sentado na poltrona, aconchegado pelo calor da lareira, se afirma anti-situacionista. Atiça os mastins a partir da sua posição de "líder de opinião" e assiste, de um ponto bem alto, ao triste espectáculo que se vai desenrolando na proto-sociedade portuguesa. O mesmo fizeram, a seu tempo, Cómodo e Calígula, embora se deva ressalvar a diferença abissal, em termos de pegada histórica, entre os romanos e o palerma do laço.

link do postPor António Pinto, às 14:51  comentar

 
subscrever feeds
Statcounter
blogs SAPO