A sério que sim
15.3.12

Ouvi no passado, tal como ainda continuo a ouvir em determinados círculos, que "a nossa democracia existe graças a Otelo". É uma evidência que, naquela frase, deve fazer-se a substituição de um substantivo por um advérbio: "a nossa democracia existe apesar de Otelo".

 

Otelo teve um papel inegável no abanar da árvore de onde pendia, como fruto já apodrecido, o Estado Novo. Numa das ironias em que a vida é fértil, desde esse momento que o Otelo aspirante a actor se tornou, isso sim, num personagem Otelo: um personagem ora trágico, ora sinistro, ora patético.

 

Felizmente, o cidadão comum dá hoje a Otelo a mesma importância que dá aos restantes velhos loucos que gritam, no Metro ou nos jardins públicos, as suas psicoses.

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link do postPor João Sousa, às 11:17  comentar

 
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