A sério que sim
22.3.12

Eu não me recordo de quais, nestas greves dos últimos meses, foram "gerais". No entanto, recordo-me perfeitamente das greves gerais de 1982.

 

Pode ser argumentado que esta diferença de percepção explica-se pela minha juventude em 82, para a qual tudo aquilo seria novidade. Não o creio, até porque não é assim que a minha memória fuciona e uma greve geral, na prática, apenas significava um dia sem (ou com muito poucas) aulas.

 

A explicação, acredito, está na banalização. Hoje, as greves gerais são convocadas pelo encrostado Arménio para justificar a existência do seu próprio posto.

 

Resultado da privatização da economia, uma greve geral tem hoje pouco mais efeito que uma greve sectorial nos transportes. A CGTP tinha dois caminhos possíveis. Por um lado, podia revalorizar o conceito de greve, usando-a com mais parcimónia e baseando-a em argumentário sério. Escolheu, claro, o segundo caminho: greves sucessivas e manifestações em fila indiana, que já pouco mais despertam nas pessoas do que a reacção de uma inconveniência folclórica.

 

Corre-se o risco de, tal como na fábula, um dia o lobo vir e ninguém já dar importância aos gritos de Pedro. E isso é mau: mau para os trabalhadores que o sindicalismo é suposto representar e defender; e mau para uma democracia que se quer saudável e perde assim uma das suas ferramentas. 

 

Mas também, quanto mais conheço Arménio Carlos, menos me parece que "democracia saudável" esteja no topo das suas preocupações...

link do postPor João Sousa, às 12:11  comentar

 
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