A sério que sim
24.4.12

Quando se é jovem e ainda se acredita nos dias, têm-se visões de grandeza: Amor, Glória, Fortuna. Mas o Tempo é um bom professor. Hoje, limito-me a ambicionar que o envelhecimento me seja mais digno do que foi o de Soares e Alegre.

 

Egomaníacos, ainda os veremos a fazer ski-aquático para captar umas páginas de jornal. Por agora, basta-lhes solidarizarem-se com os "militares de Abril" que se recusam a participar nas sessões solenes de amanhã porque

 

"O poder político que a(c)tualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores."

 

Pelo que se infere dos seus discursos recentes, "os ideais e os valores" que guiaram gente como Otelo e Vasco Lourenço a fazer o 25 de Abril prefiguram um conceito algo maleável de Democracia. É irónico que estes senhores, que derrubaram o Estado Novo para - supostamente - vivermos em democracia, parecem incapazes de aceitar uma das suas consequências: que sejam outros, com posições ideológicas diferentes, a conquistar mais votos em eleições livres. Eleições livres, para Otelo e Lourenço, parecem só ter como resultado possível aquele que lhes convém.

 

Do nefelibata Alegre, tudo é expectável - portanto nada pode surpreender. De Soares, e do seu ego com gravidade jupiteriana, também não se pode esperar nada. Há muito que se tornou óbvia a verdadeira motivação para que se opusesse a uma putativa ditadura comunista no pós-25 de Abril: maior palco de influência para a sua augusta pessoa e o seu grupo. Que tal fosse menos maligno para o país - tal foi um simples acaso menos infeliz.

 

Já de Sampaio, confesso, esperava melhor. Por muito inútil que sempre o tenha achado, pensava-o com alguma genuinidade. Mas fazer depender a presença da "sua agenda internacional" parece mostrar que, também para ele, este dia tem um simbolismo muito relativizável.

 

E assim temos que aqueles que se preparam para celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, são precisamente aqueles que estão "contra os seus ideais e valores" - nas palavras dos que o fizeram, supostamente em nome desses "ideais e valores", mas se recusam agora celebrá-los na "casa da democracia".

 

link do postPor João Sousa, às 11:20  comentar

 
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