A sério que sim
16.5.12

Já fui desafiado a comentar o início do julgamento de Ricardo Rodrigues. Não tenho muito que possa dizer: o léxico não possui palavras que me permitam descrever os sentimentos em mim inspirados por este repulsivo personagem. Basta ver a limpeza com que procedeu à sua "acção directa":

para perceber que há ali todo um longo estudo das ancestrais artes do carteirismo.

 

Mas a sério: há alguma coisa a dizer em relação a um julgamento que começa dois anos depois do facto consumado - e gravado em flagrante? O que se pode dizer de uma bancada parlamentar que, em vez de exigir a sua demissão, ou pelo menos suspendê-lo, ainda o veio defender como vítima? O que dizer de um líder (Sócrates) que, depois desta magnífica actuação, o apresenta para reocupar o lugar na "casa da democracia"? E valerá a pena recordar o ridículo que foi Ricardo Rodrigues, este mesmo Ricardo Rodrigues que faz desaparecer gravadores com uma técnica digna do eléctrico 15, ser eleito para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários?

 

E quanta ironia o facto deste Ricardo Rodrigues, este mesmo Ricardo Rodrigues que furta gravadores a jornalistas na Assembleia da República, pertencer à Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação - precisamente três conceitos que ele devassou nestes breves segundos (e toda uma carreira antes e depois)?

link do postPor João Sousa, às 11:53  comentar

 
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