A sério que sim
30.5.12

Vejamos então se eu percebi isto...

 

Numa escola de Marco de Canaveses, uma aluna de dez anos foi agredida por um colega da mesma idade. Este terá partido uma raqueta na cabeça dela e, como não estivesse ainda satisfeito com a sua performance (ou talvez com a qualidade da raqueta...), usou uma segunda para continuar a agressão; puxou-lhe o cabelo, atirando-a ao chão; e pontapeou-a repetidamente na barriga.

 

A encarregada de educação da alegada vítima afirma que já na véspera a filha tinha sido agredida. Aliás, parece que esta fixação já vem desde os tempos do infantário! (Daqui por uns anos, ainda vamos ouvir falar muito deste jovem.)

 

Repararam que eu escrevi no parágrafo anterior "alegada vítima"? Foi um exercício de ironia. É que estou certo de, algures, haver um lírico rousseauniano pronto a dizer que o rapaz (o lírico certamente diria "menino") é tão ou mais vítima: da sociedade, de um lar problemático, de uma má economia - talvez até das medidas de Nuno Crato. Vítima de tudo excepto, talvez, de uma sociopatia latente.

 

A realidade, contudo, é que passado um mês e meio, a escola ainda não decidiu se vai ou não agir contra o alegado agressor! "Está a decorrer um inquérito, tenho de aguardar", diz o director da escola. Seis semanas para inquirir se um miúdo de dez anos pontapeou a barriga e partiu raquetes na cabeça de uma colega? Seis semanas? Porquê tanto tempo, estarão a ser analisadas escutas, computadores, filmagens? Estarão a ser feitas análises de ADN?

 

A realidade, repito, é que passadas seis semanas daquilo que já seria uma agressão brutal entre adolescentes no 12º ano - quanto mais entre miúdos de dez anos -, o (ir)responsável da escola acha que não há lugar à suspensão preventiva do agressor!

 

E aqui está: uma história real do nosso sistema de ensino, entre miúdos de 10 anos, que pode servir de metáfora para tudo o que está mal no nosso sistema judicial.

link do postPor João Sousa, às 09:57  comentar

 
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