A sério que sim
15.6.12

Soares, na sua homilia semanal do DN, continua a dar largas à sua demagogia

 

Lá para o final do artigo, Soares escreve:

 

François Hollande não perdeu tempo desde que ganhou as eleições presidenciais. Falou com a Senhora Merkel, no próprio dia da sua investidura, e não teve papas na língua.

 

Sempre gostei desta forma de estar hipócrita da auto-chamada Esquerda. É bom recordar que foi Hollande quem viajou até à Alemanha no dia da sua posse, o que é um bom indicador de quem detinha a posição de força. Aliás, Hollande estava tão ansioso que teve problemas no avião, regressou à França e, mesmo assim, voltou a encetar caminho.

 

Tivesse isto acontecido com um governante de Direita, o velho Soares não se coibiria de espetar o dedinho bem nutrido e acusá-lo de ir, subalterno, apresentar rapidamente os seus respeitos "à dona". Como Hollande se apresenta de Esquerda, já é alguém "sem papas na língua".

 

Mas o princípio do sermão de Soares também é interessante:

 

Um ano depois de o actual Governo ter entrado em funções, todos os portugueses sentem - e o próprio Governo reconhece - que tudo está muito pior do que antes. A culpa não é só das políticas do Governo. É, fundamentalmente, da crise global que aflige a União Europeia no seu conjunto. Como sempre escrevi, nestas crónicas, mesmo no tempo do anterior Governo e que o PSD então não gostava de ouvir.

 

Talvez desmemoriado - é uma das vantagens que a velhice traz, o permitir-se esquecimentos convenientes -, o velho Soares quer passar em claro que o problema de Portugal, nessa altura, não foi apenas como ele afirma "fundamentalmente da crise global que afligiu a União Europeia no seu conjunto". Foi disso, sim, mas também imenso de um primeiro-ministro chamado Sócrates que não se coibiu de, nessas condições, gerir o Estado de forma ruinosa; aumentar, em tempo de eleições e apesar da crise, os funcionários públicos; e ser alguém tão indigno de confiança que um editor do Financial Times, Wolfgang Munchen, escreveu:

 

"You cannot run a monetary union with the likes of Mr. Sócrates."

 

Eu sei que Mário Soares é um poliglota brilhante, com um inglês tão perfeito como o de Sir John Gielgud, mas permito-me (re)chamar a atenção para isto: um editor do Financial Times disse que não podia existir uma União Monetária com gente da laia do sr. Sócrates.

 

Repito: gente da laia.

link do postPor João Sousa, às 13:06  comentar

 
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