A sério que sim
21.6.12

A ERC votou o caso Relvas como eu já esperava: os nomeados pelo PS queriam-no punir e os nomeados do PSD queriam-no ilibar. Dá vontade de perguntar o porquê de a ERC existir. Podia ser substituída com economia de meios por uma calculadora.

 

Entretanto, o Público fala no assunto... Público. Acho sempre interessante quando um jornal é notícia de si próprio. Bárbara Reis, directora, diz que

 

"(...) a ERC dá por provado apenas aquilo onde existe uma coincidência entre as partes. Em tudo o que não há rigorosa coincidência, a ERC dá por não-provado. Ora, isto não faz sentido pois é aí que está, justamente, o âmago da questão – houve ou não pressões inaceitáveis do ministro Miguel Relvas sobre o PÚBLICO? Mantemos que sim, como de resto desde o primeiro momento."

 

Traduzindo por miúdos, a directora do Público diz que a ERC dá razão ao jornal em tudo o que foi possível apurar como prova; quando houve conflito de versões, e não sendo possível apurar para lá de qualquer dúvida o que aconteceu na realidade, a ERC optou por ilibar o acusado; e a directora Bárbara Reis achou mal.

 

Ora eu, vá lá saber-se porquê, sempre achei interessante como a "presunção de inocência" é considerada um valor civilizacional ou um empecilho - conforme os seus recipientes. No caso Relvas, a directora Bárbara Reis pretendia isto: há conflito de versões, é a palavra de um contra a palavra de outro, não é possível obter provas, logo a ERC devia acreditar piamente em si e considerar Relvas um supino mentiroso, logo Relvas é culpado. Porque os jornalistas de política são seres impolutos e a sua palavra deve ser considerada letra de lei.

 

Um dos meus problemas com um certo tipo de jornalista é que, intimamente, todos querem o seu Watergatezinho pessoal.

link do postPor João Sousa, às 09:38  comentar

 
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