A sério que sim
26.6.12

O Público/José António Cerejo chamam-lhe "uma história a precisar de ser esclarecida". Nada contra. Não só JAC tem a suportá-lo um historial de escrutínio aos desmandos do poder socrático, o que lhe confere pelo menos uma sugestão de independência; como Miguel Relvas nunca foi santo de minha devoção.

 

Acontece, contudo, que há aqui uma segunda história que importa esclarecer: a razão para Helena Roseta ter deixado este assunto a macerar durante perto de dez anos. Quando alguém revela factos que são, no mínimo, desconfortáveis para o[s] sujeito[s] desses factos, é típico questionar o timing da revelação. Eu, pelo contrário, com frequência acho mais interessante o timing da espera.

 

Helena Roseta, que se gosta de mostrar paladina do contrapoder e da moral, amiga de Alegre e do Zé-que-fazia-falta, soube há dez anos em primeira-mão que uma pessoa A, titular de um cargo político, usaria esse posto para promover negócios com o(s) seu(s) amigo(s). A inabalável Helena Roseta esbracejou, perdigotou, expôs a utilização abusiva de um cargo político? Não: amochou, relativizou, "não valorizou o caso".

 

Isto dá a entender que o conceito de "ética", para a impoluta Helena Roseta, evoluiu bastante ao longo do tempo: o que era "relativo" em 2002, é ameaçador em 2012. Mas também pode dar a entender algo muito diferente e mais sombrio: que Helena Roseta sabia "o tipo de pessoa que era Miguel Relvas" e, em vez de o desmascarar na hora, preferiu deixá-lo continuar no espaço público durante 10(!) anos até que a informação lhe causasse o máximo de danos políticos.

 

Ora importa esclarecer qual destas é a segunda parte da história. Porque se é a primeira hipótese, então isso diz bastante sobre os princípios de Helena Roseta; se é a segunda hipótese, diz ainda mais sobre o cinismo de Helena Roseta.

link do postPor João Sousa, às 09:17  comentar

 
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