A sério que sim
29.1.13

Seguro está rodeado de predadores. A situação de Seguro no PS faz lembrar o argumento de alguns filmes de meados dos anos 90, de concepção algo descuidada, nos quais um anti-herói insuspeito era largado num bosque e, após duas horas de avanço generosamente concedidas, era alvo de uma perseguição incansável por parte de um grupo de vilões armados até aos dentes. Seguro foi largado no bosque (PS), foi-lhe dado algum tempo de avanço (o suficiente, esperam os caçadores, para que o desgoverno socrático caia no esquecimento) e agora os vilões saíram da cabana.

 

Este é o primeiro momento de clímax desta película. É aqui que começa o suspense. No entanto, ao contrário do que sucede nestes filmes, nos quais o mal amanhado protagonista, contra tudo e contra todos, acabava sempre por prevalecer, Seguro parece condenado a sucumbir às primeiras flechas, confirmando o seu papel desmaiado de líder transitório, caminhando para o túmulo poeirento da História no qual nada é recordado, armado com o ténue conforto de que ali, pelo menos, saberá com o que contar.

 

Resta uma importante questão: quem terá a "honra", entre o assustador friso de vilões socialistas, de dar a Seguro a paz misericordiosa pela qual, com aquele olhar desorientado, o próprio parece implorar? Uma análise superficial atira António Costa para o topo das preferências (talvez não de Arménio Carlos, agora inclinado para interlocutores mais... arianos), mas imagine-se o seguinte: Costa abdica de Lisboa e o PS perde a Câmara para Seara. Numa altura em que as malogradas conferências de imprensa de Gaspar parecem, cada vez mais, fazer parte do passado, estará o anafado edil na disposição de correr um risco que, se correr mal, mas mesmo muito mal, lhe pode custar a carreira política?

link do postPor António Pinto, às 14:26  comentar

 
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