A sério que sim
4.2.13

Marinho Pinto demite-se... (até que enfim!) ... se advogados acatarem nova lei das associações profissionais. (ora bolas!)

 

[O Público, para variar, até pinta um retrato fiel de Marinho Pinto: usa o termo vociferar, pois falar ou insurgir são verbos demasiado civilizados para a bastonária personagem.]

 

O que faz agora esbracejar Marinho Pinto? Pelo que entendo, não quer que haja a possibilidade de inspecções à Ordem dos Advogados. O bastonário diz-se revoltado com os deputados-advogados que não se opuseram à lei:

 

"Tenho vergonha deles. Devem estar mais preocupados com os negócios dos seus clientes do que com a dignidade da profissão".

 

São  palavras duras. Por outro lado, questiono-me quantos advogados não terão, no passado, dito de Marinho Pinto:

 

"Tenho vergonha dele. Deve estar mais preocupado em defender publicamente José Sócrates do que com a dignidade da profissão".

 

Eu confesso que não domino a matéria em causa. Até pode ser que Marinho Pinto tenha razão. O problema é que o seu estilo, que balança entre o taberneiro e o cavernícola, faz-me sempre, por reacção, olhar com simpatia para o lado oposto.

 

Depois, há a sua pose moralista. Marinho Pinto adora falar de "transparência". É "transparência" para aqui, "transparência" para acolá, usa tanto a palavra que esta deixa de ter significado. E, no entanto, quando questionado sobre quanto custou a encomenda do anteprojecto de alteração do estatuto da Ordem à sociedade de advogados Sérvulo&Associados, afirma:

 

"Não tenho que dizer publicamente aquilo que eu e a Ordem pagamos aos advogados. A Ordem paga o que tem de pagar".

 

E quando questionado sobre o porquê de pedir uma assessoria jurídica fora da Ordem, quando o mesmo trabalho poderia ter sido executado por membros da própria Ordem, Marinho Pinto responde:

 

"... não é do interesse público saber quem são os meus assessores."

 

Porque me fica a impressão de que o conceito de "transparência", para Marinho Pinto, varia de gradação consoante o aplica na primeira, segunda ou terceira pessoa?

link do postPor João Sousa, às 13:21  comentar

 
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