A sério que sim
18.2.13

O título está muito bem conseguido: "Vendas disparam na empresa que prepara máquinas de facturas". É todo um tratado de questões que a Lusa, amplificada aqui pelo paladino desinteressado chamado Expresso, insinua: pensa-se logo se "As mudanças legais introduzidas no dia 1 de Janeiro de 2013 [que] fizeram com que muitos clientes antecipassem a actualização das suas ferramentas de trabalho" não terão sido cirúrgicas para benefício desta empresa. Já imagino Arménio Carlos, numa próxima manifestação, a repetir que "os amigos são para as ocasiões".

 

Mas, depois, lê-se a notícia com mais atenção: as vendas subiram 13,2%. 13,2%, para a Lusa, é um disparo! Mais: descobre-se que as exportações subiram 30%. Nem a Lusa, nem o Expresso, nem o jornal I, nem certamente nenhum dos outros que gulosamente repassaram a notícia, se preocuparam em fazer umas contas rápidas num papel para perceber quanto desse "disparo de vendas" se deveu ao aumento de exportações. Não: o que é preciso é ligar na opinião pública os eventos alteração de legislação, obrigatoriedade de novas máquinas e mais 13,2% de vendas.

 

E eu termino perguntando à Lusa: se 13,2% é um disparo, que nome se dá à triplicação de facturação que a JP Sá Couto conseguiu graças ao Magalhães, esse transparentíssimo ícone do socratismo?

link do postPor João Sousa, às 00:12  comentar

 
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