A sério que sim
18.11.11

António José Teixeira chamar-lhe-ia, entre duas entrevistas-monólogo na Sic-Notícias, uma velha raposa, enquanto o olhava com ar enlevado. Clara Ferreira Alves, a putativa-romancista, chamar-lhe-ia um velho leão, enquanto saltitava ao seu lado com olhinhos de uma fã do Elvis.

 

Eu prefiro chamar-lhe um velho. Um velho ressentido e com uma excessiva opinião de si próprio. Um velho que se sente injustiçado porque o Mundo não se vem espojar perante a sua enorme grandeza de pensamento. Ressentido com a "dona de casa" (Nicole Fontaine) que teve a veleidade de se lhe opor à presidência do parlamento europeu, cadeira na qual ele já se imaginava, que na sua cabeça lhe estava destinada pelo simples peso do seu... peso. Que diz que a "Europa deixou de ter líderes" - e ele aqui, ignorado, cheio de soluções, agora como no passado. Que diz que a Grécia "foi o berço da nossa civilização" - como se um passado de há séculos justificasse os desmandos actuais (ou Fundações). Que chama Merkel uma senhora "atrevida, uma senhora que vem da Alemanha do Leste e de um país que provocou duas guerras mundiais".

 

Um velho chato, egocêntrico, deselegante, intimamente misógino, ressentido, pedante, que enche a boca com o "projecto europeu" mas o nega com declarações destas. Declarações às quais, francamente, se devia dar a importância de uma nota de rodapé. Ou do resmungo de um velho num banco de autocarro.

link do postPor João Sousa, às 09:28  comentar

 
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