A sério que sim
6.8.14

Já aqui chamei a atenção para as dificuldades com que o Museu do Brinquedo se vem debatendo. Agora, é definitivo: ao perder o apoio de 5000 euros mensais que recebia da Câmara de Sintra, a Fundação Arbués Moreira vai encerrar o Museu no final de Agosto, e tem até ao final de Setembro para retirar das instalações os 90.000 brinquedos que compõem a colecção (tarefa obviamente complexa dada a fragilidade de muito desse espólio).

 

A Câmara de Sintra, liderada pelo neo-socialista Basílio Horta, mostra-se muito pressurosa no cumprimento da lei - porque esta retirada de apoio é uma consequência directa das alterações feitas à Lei das Fundações. Não é isto o que me confunde: pelo contrário, é uma variação interessante encontrarmos um autarca socialista tão escrupuloso no cumprimento da lei.

 

Não: aquilo que me faz impressão é a existência de uma Lei das Fundações tão claramente (propositadamente?) deficiente na sua elaboração que leva à retirada de apoios a uma iniciativa de óbvia importância patrimonial como é o Museu do Brinquedo - "apenas" uma das maiores colecções do género no mundo -, mas protege o financiamento à muitíssimo nebulosa Fundação Mário Soares. O mais importante não é que a Câmara de Sintra ou de Lisboa encontrem forma de contornar a lei. O que tem de ser feito é corrigir uma lei defeituosa que permite o encerramento de algo com interesse público - e permite o financiamento de algo que apenas serve a um clã familiar.

link do postPor João Sousa, às 11:44  comentar

 
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