A sério que sim
21.8.15

Quando a liderança socialista ainda não convinha a António Costa, este dizia que era incompatível ser presidente da câmara de Lisboa e candidatar-se a tal. Quando o poder lhe pareceu estar suficientemente podre para lhe cair no colo, a incompatibilidade foi às urtigas.

 

Quando António Costa era presidente da câmara de Lisboa, recordo-me de ver, no final de um Expresso da Meia-Noite, Ricardo Costa anunciar que o próximo programa seria sobre as autárquicas em Lisboa e ele, por razões óbvias, não iria estar nessa noite. Quando António Costa se candidatou à liderança do PS, Ricardo Costa colocou o seu lugar de director do Expresso à disposição - imagino que por achar haver razões óbvias para tal. Isso não foi aceite por Balsemão e companhia e é ver, agora, Ricardo Costa comentar alegremente a política nacional como se não houvesse amanhã. Acontece que as razões antes óbvias não deixam de ser óbvias por causa  da "confiança reforçada da administração".

 

O problema é este: mesmo com eufemismos do género "O líder socialista", ninguém minimamente informado desconhece a relação familiar entre os dois. Ver Ricardo Costa comentar a actuação do irmão com um "o líder socialista" é como ver João Soares a comentar na televisão o debate entre Cavaco e Soares - e referir-se a este último como "dr. Soares".  Nem a confiança da administração do jornal, nem um ilusório distanciamento de trato em relação ao objecto em análise conferem qualquer credibilidade acrescida.

 

Sabemos perfeitamente que o Expresso é para Balsemão um meio de influência negocial, não um projecto de verdadeiro jornalismo - se este acontecer, é apenas uma feliz coincidência. Mas Ricardo Costa, personagem por quem até nem nutro particular simpatia, entende-se jornalista e devia ter imposto limites a bem da sua credibilidade. Ricardo Costa poderia ter-se mantido na direcção do Expresso e anunciar que passaria a comentar apenas política internacional. Assim, comentando as acções de campanha do "líder socialista", Ricardo Costa apenas irá provocar sorrisos sarcásticos em quem o lê.

link do postPor João Sousa, às 13:16  comentar

 
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