A sério que sim
16.2.16

furador de papel.jpg

Graça Fonseca saltou da vereação da Educação/Cultura na Câmara de Lisboa para o governo de Costa. O ministro da cultura nesse governo é João Soares. A substituta de Graça Fonseca na CML contrata - o filho de João Soares para prestar à vereação "serviços de assessoria em produção de eventos e gestão cultural", em troca de cujos serviços a Câmara lhe pagará 2800 euros mensais.

 

A Câmara de Lisboa justifica a contratação invocando "a especial aptidão técnica e intelectual, bem como experiência profissional" deste neto-do-avô. Como o perfil no LinkedIn deste brilhante Soares está inacessível, espremamos as (poucas) notícias feitas sobre o assunto para nos podermos deslumbrar com o rico historial do jovem neto da democracia:

 

- assistente administrativo entre 2005 e 2009 na Câmara da Amadora (por coincidência, também PS)

- senior document specialist na produtora Cinepalco em 2010;

- secretariado da Fundação Gulbenkian em Paris durante parte de 2012;

- document specialist durante três meses na Sociedade dos Amigos da Cinemateca em São Paulo;

- executive assistant, durante parte de 2014, na produtora de vídeo francesa TV Only International;

- secretário de uma pequena sociedade de advogados desde Janeiro de 2015.

 

Perante tal currículo, a "experiência profissional" de Mário Barroso Soares que a Câmara de Lisboa invoca como móbil para a contratação parece-me ser - empregado de escritório. Quanto às "especiais aptidões técnicas e intelectuais" que se adivinham naquelas alíneas? Tirar fotocópias; saber utilizar um furador; conseguir abrir as argolas de um dossiê sem partir uma unha; ordenar alfabeticamente as facturas dos fornecedores de esferográficas e de sabonete; e telefonar para o senhor da máquina de café quando esta avaria.

 

O que eu questiono, cara Câmara de Lisboa, nem é o pagares cerca de 2800 euros mensais (perto de 600 contos em moeda antiga ou, em moeda de Centeno, um privilegiado e meio) a um "assessor de produção de eventos". É um valor que me parece algo exuberante, reconheço-o, mas talvez seja justo. O que me é difícil de abarcar é o olhar de lince que te permitiu encontrar um assessor de 2800 euros no mesmo currículo em que eu só consegui ver - um secretário!

link do postPor João Sousa, às 23:36  comentar

 
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