A sério que sim
10.9.15

Acompanhei o enfadonho debate de ontem. Uma hora e meia sem uma única ideia para a próxima legislatura, nem de um lado nem do outro. Uma hora e meia de lavagem de roupa suja e conversas patetas acerca do passado. Uma hora e meia vazia, que nos faz arrepender de não termos estado a fazer qualquer outra coisa.

 

Costa ganhou o debate, quanto mais não seja porque conseguiu manter Passos Coelho permanentemente a reboque das suas acusações. Tomou a liderança, Passos seguiu, de forma ingénua. Explicou-se demais, normalmente mal, e acabou por não conseguir fazer passar a sua mensagem. Costa esteve agressivo e acutilante, embora raras vezes honesto, e Passos foi... passivo, talvez demasiado confortável com a tendência nas intenções de voto, que se mostra consistentemente favorável. Por isso, Passos terá entrado para não perder, para o empate. Como normalmente sucede com quem entra para empatar, perdeu.

 

Mas é importante analisar esta vitória. Costa ganhou no estilo, ganhou na postura, mas não no conteúdo. Não conseguiu, por um segundo que fosse, dissociar-se do legado socrático que paira sobre si como um fantasma inquieto, não apresentou uma única ideia ou medida concreta para os próximos 4 anos e até teve aquele deslize do "se tem saudades do eng. Sócrates vá visitá-lo e debata com ele...", de uma deselegância que nos fez recordar que estavámos, afinal, na presença de um socialista.

 

Costa ganhou, é verdade, mas foi uma vitória pífia. Dificilmente terá convencido eleitores a votar em si, simplesmente porque não apresentou qualquer alternativa viável. Dificilmente terá sido suficiente para inverter a tendência que se tem verificado nas sondagens. Fica, no entanto, o aviso a Passos Coelho. Relaxar em cima dessa tendência pode ser uma estratégia perigosa. Colar Costa ao ex-recluso 44 não chega e a procissão ainda vai no adro.

 

Falta menos de um mês. A ver vamos!

link do postPor António Pinto, às 10:31  comentar

 
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