A sério que sim
8.12.15

Consigo precisar: foi no dia 14 de Janeiro de 2001 - as segundas presidenciais Sampaio.

 

Nunca me tinha abstido até aí e fazê-lo não era opção que me atraísse. Sampaio não me inspirava confiança com o seu ar de sonso que passa pelos pingos da chuva - como bem recordamos, o futuro veio a dar-me razão. Ferreira do Amaral era apenas um cordeiro sacrificial para o PSD marcar presença; Abreu o funcionário comunista que o PCP escolhera para se sentar numa cadeira; o onírico Rosas foi o Abreu do Bloco. No meio desta gente, o camarada Garcia, eterno candidato do MRPP a tudo o que é eleição e com quem eu nunca partilhei uma única opinião política, pareceu-me o único candidato com alguma genuinidade. Garcia Pereira, se assim o quisermos entender, era o Alencar do meu Ega. Portanto, optei pelo voto inútil.

 

Faz-me, por isto, um bocado de impressão todo este processo que desaguou na sua demissão do partido pelo qual sempre deu a cara. É, contudo, também verdade que este é o retrato fiel dos grupúsculos de estrema-esquerda: como pressupõem a verdade absoluta daquilo que defendem, se perdem a culpa só pode ser do mensageiro - pois a mensagem, essa, nunca está errada.

 

Não faz mal: Pacheco Pereira há muito que se perfila para tomar o seu lugar.

link do postPor João Sousa, às 10:45  comentar

 
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