A sério que sim
5.10.16

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A confirmar-se a eleição de Guterres para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, será uma excelente notícia para Portugal.

 

António Guterres é (devia ser!) uma má memória do nosso passado colectivo. Sucedendo a uma década de profundas transformações no país, Guterres entregou-se a uma invertebrada gestão, abafando com dinheiro dos contribuintes todo e qualquer gérmen de polémica; comprou uma paz-social podre, engordando um monstro deficitário com o único objectivo de entorpecer o eleitorado numa ilusória bolha de bem-estar condenada a, mais cedo ou mais tarde, rebentar (e fugindo cobardemente quando percebeu que tal iria suceder mais cedo do que mais tarde); e "governou" cinicamente, durante quase sete anos, com um olho nas sondagens e o outro no seu gémeo espiritual, esse personagem igualmente enfunado de nome Tony Blair. Não bastasse tudo isto, deixou-nos como herança, além de um país orgulhosamente a caminho da pré-falência, uma pandilha de criaturas inenarráveis que resgatou das catacumbas do Rato e das últimas filas da bancada parlamentar para a ribalta da política nacional: Augusto Santos Silva, Armando Vara, José Sócrates, José Lello, António Costa (este último pescado do bolso de Sampaio), etc...

 

Perante isto, como devem imaginar, estou absolutamente extático com a hipótese de Guterres ir secretariar geralmente a ONU. É um local perfeito para ele, sem sombra de poder real mas com muitas oportunidades para ter microfones à frente. O nosso jornalismo e a nossa opinião exaltaram a ausência de vetos das potências como um reconhecimento unânime das capacidades inatas de Guterres para o cargo. Pela primeira vez de há muito, estou de acordo com ambos: é o reconhecimento da sua capacidade inata de não ser minimamente incómodo e de não passar de um balão verboso. Dúvidas houvesse sobre a importância relativa do posto, bastaria atentar nos potentados de onde saíram os seus antecessores: Coreia do Sul, Egipto, Gana e Peru.

 

Sim, as Nações Unidas são um cargo ideal para António Guterres, o local onde ele poderá, sem prejuízo para a humanidade, fazer aquilo para que é talhado: debitar discursos ocos e aparentar gravidade protocolar. Mas o melhor de tudo, aquilo que me deixa mesmo, mesmo satisfeito, é isto poder garantir, em definitivo, o seu não-regresso à política nacional. Se um Marcelo na presidência já é o que é, imagine-se o que seria um Guterres a suceder-lhe...

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link do postPor João Sousa, às 23:17  comentar

 
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