A sério que sim
2.2.16

O editorial de hoje do Público mostra um jornal que já foi de referência a estatelar-se no chão - e continuar a escavar. Escrito num linguajar que não destoaria na página web do Bloco de Esquerda (ou num blogue de João Galamba), afirma que Bruxelas tem uma "agenda autista" e que os credores, membros da troika, "escrevem uma coisa e fazem outra, como inimputáveis em permanente risco de surto psicótico". Mas o auge do delírio é o magnífico parágrafo final:

É fundamental que Bruxelas perceba que a vontade dos portugueses conta e que há um antes e um depois de 4 de Outubro de 2015. Um Governo que não faça valer a sua legitimação nas urnas não está só a defraudar os eleitores, mas a contribuir também para a criação de uma caricatura da própria democracia. Mas quem se quer fazer respeitar e ouvir não pode enviar sinais errados. As 35 horas e a reintrodução dos feriados são mesmo prioridades?

O Público quer que "Bruxelas perceba que a vontade dos portugueses conta" - quando o próprio governo que temos resulta de a vontade dos portugueses não ter sido levada em conta. O Público afirma que "Um governo que não faça valer a sua legitimação nas urnas" (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja legitimidade resulta de ter sido derrotado nas urnas) "não está só a defraudar os eleitores" (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja existência defrauda os eleitores) "mas a contribuir também para a criação de uma caricatura da própria democracia." (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja criação, depois de pesadamente derrotado nas urnas, resulta de uma visão caricatural da democracia).

 

Eu continuo a não compreender a relação que Belmiro de Azevedo tem para com o Público. 

link do postPor João Sousa, às 21:18  comentar

 
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