A sério que sim
21.11.12

Li que no terceiro trimestre desembarcaram no Aeroporto de Beja - 0 passageiros.

 

Um aeroporto em Beja é um desafio à razoabilidade - curiosamente, obra de um governo cujo ministro das Obras Públicas ridicularizou em público a ideia de um aeroporto em Alcochete com o argumento de ser "um deserto".

 

Um aeroporto que custou 30 milhões de euros e não tem passageiros, faz tanto sentido como um hospital sem doentes. A diferença, infelizmente para nós, é que este hospital pertence ao reino da ficção:

 

link do postPor João Sousa, às 09:56  comentar

7.9.12

Faço apenas uma leve ideia daquilo que tem sido escrito sobre Luis Amado pelas claques organizadas do socratismo - tascos como o Câmara Corporativa, AspirinaB ou Jugular. Esta ida de Amado à Universidade de Verão do PSD deve-lhes estar atravessada na garganta. Imagino que raras vezes o nome de Judas tenha sido tão amiudadamente invocado em vão.

 

Eu confesso não ter uma ideia formada sobre Luis Amado - nem boa, nem má. Ser-se Ministro dos Negócios Estrangeiros tem destas vantagens: gere-se uma imagem de diplomata, alguém que não chateia muito cá por casa. Recordo-me de críticos do socratismo, como João Gonçalves, terem para com ele uma atitude respeitosa. Talvez isso fosse por, no meio da restante clique socrática, Luis Amado parecer o único capaz de comer com faca e garfo e possuir um mínimo de sensatez e boa-educação.

 

E, convém não esquecermos, Luis Amado experimentou em (muito literalmente, como é dado ver nos primeiros seis segundos deste vídeo) primeira-mão o tipo de gente que é José Sócrates:

 

link do postPor João Sousa, às 15:08  comentar

11.7.12

Isto torna-se cansativo, ter que estar sempre a repetir o óbvio. O problema é que as Esquerdas são como as crianças, nunca se fartam de brincar com uma caixa de fósforos da qual fantasiam um castelo (e pensam que o dinheiro acaba sempre por aparecer). Portanto, aqui vai - de novo:

 

Não, este governo não está a levar o país à bancarrota. O país já estava na bancarrota. Ou a troika instalou-se cá pelas praias e Sócrates pôs-se a jeito para fugir por o país ser o paraíso?

 

Este Governo não está a levar o país à bancarrota; este Governo está a tentar retirar o país da bancarrota. Se vai ou não conseguir, é outro assunto. Aliás, eu iria mesmo mais longe: se é ou não possível... pois os estragos podem já ter sido demasiados. Nas séries sobre médicos que parecem pulular em qualquer canal de televisão, este seria o momento em que o cirurgião se dirige com ar solene à família: "conseguimos estabilizá-lo mas perdeu imenso sangue, o cérebro não foi oxigenado durante muito tempo, os órgãos foram submetidos a um enorme esforço, corre o risco de infecções e, por enquanto, só consegue sobreviver ligado às máquinas. Só o tempo dirá se ele vai ou não acordar."

link do postPor João Sousa, às 10:35  comentar

27.6.12

Se não é na homilia semanal do DN, é na SIC-Notícias, ou numa inauguração, ou numa apresentação, ou numa comemoração:

 

(...) Mário Soares considerou que o país está actualmente pior do que há um ano atrás (...)

 

O que o nosso velho de estimação parece querer omitir é que se tivéssemos continuado com Sócrates, estaríamos muito pior do que agora. E a demagogia de Soares quer ocultar que as dificuldades são por estarmos a corrigir os recentes desvarios socialistas: aeroportos que (felizmente) nunca chegaram a existir; aeroportos que (infelizmente) existem; Parque Escolar; TGVs que nunca saíram do papel mas já custaram milhões em estudos e arriscam custar mais em indemnizações; PPPs; ajustes directos; Magalhães; SCUTs;  Allgarves; energias alternativas que ficam bem na lapela mas têm de ser subsidiadas pelo contribuinte; etc, etc. 

 

Ao dar a entender que o país está pior por causa do Governo, Soares é como aquelas pessoas que beberam dois litros diários de aguardente - e depois queixam-se do médico por os tratamentos serem dolorosos.

link do postPor João Sousa, às 13:57  comentar

18.6.12

Embora seja um dos meus despeitos de estimação, Paulo Campos está longe de ser especialidade minha. Nunca me dediquei a mais do que breves investigações sobre casos pontuais do personagem, mas bastaram-me para entender um palmarés de pulharias tão vasto que uma carreira de jornalismo talvez não seja suficiente para abarcar na totalidade.

Saúdo, por isso, o inventário (não exaustivo) feito pel'O Triunfo Dos Porcos. Ler aquele desfilar de canalhices recordou-me algo que aprendi nos Verões da minha adolescência: à medida que escavamos num monte de esterco, o cheiro piora em ritmo exponencial.

 

Post-Scriptum: sim, aquela é a fotografia com que Paulo Campos se apresenta no site do Parlamento. Garanto que não retoquei um pixel que seja.

link do postPor João Sousa, às 12:03  comentar

12.6.12

Em entrevista ao Sol (edição de 08/06), o nosso ex-secretário de Estado preferido Paulo Campos garantiu:

 

É totalmente falso que eu tenha dado qualquer orientação ao INIR.

 

No I de hoje, pode-se ler que afinal

 

Regulador do sector rodoviário diz que recebeu orientações do gabinete do ex-secretário de Estado para praticar “significativas omissões de informação” ao TC.

 

Na verdade, lá para o final da notícia, é tudo mais bem explicado:

 

A carta do InIR ao Tribunal de Contas, que também surge publicada num anexo da auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário divulgada em Maio pelo TC, salienta ainda alguns dos “factos relevantes omitidos por força das orientações da tutela”, citando mesmo emails do gabinete do então secretário de Estado das Obras Públicas para o InIR a solicitar “que previamente ao envio das respostas para o TC seja dado conhecimento prévio a este gabinete” ou “que logo que possível faça chegar o ‘draft’ de que falámos”, referindo-se neste caso ao contraditório a entregar pelo InIR. Um outro email do gabinete de Paulo Campos vai mais longe e avança com respostas alternativas: “A resposta deverá ser: ‘O InIR não dispõe de dados para responder a esta questão.’” Ou ordens: “Devem ser retiradas as referências à forma como a EP envia os contratos e ao prazo em que o InIR tem verificado os mesmos.”

 

Ah, mas isto não são, nas sages palavras de Paulo Campos, "orientações ou determinações". Serão, quando muito, "comentários", "troca de impressões entre técnicos". Posso também sugerir "conselhos fraternos"?

 

Alguém quer apostar comigo que, daqui a uns tempos, quando a coisa estiver ainda mais clara, Paulo Campos vai recorrer ao argumento dos espertalhões "as ordens podem ter partido do meu gabinete, mas não fui EU que as enviei"?

 

Que molusco...

link do postPor João Sousa, às 09:59  comentar

9.6.12

Paulo Campos, pobrezinho, diz que era um humilde Secretário de Estado e que a responsabilidade no escândalo das PPP foi partilhada (e tutelada) pelos Ministros das Finanças (Teixeira dos Santos) e das Obras Públicas (António Mendonça). E pelo próprio José Sócrates que presidia ao Conselho de Ministros.

 

Este Paulo Campos tem tudo para ser um sucessor de Armando Vara. Parece estar omnipresente em qualquer questão mais dúbia que envolva o anterior Governo e/ou o Partido Socialista. Nem por acaso, nesta reportagem de 2009 do Expresso sobre a farsa Magalhães, lá aparece o nome dele...

 

Eu tenho um particular asco por estas eminências pardas. Raramente tomam a linha da frente. Ficam-se por uma Secretaria de Estado, não são eles que assinam os papéis decisivos nem são eles que aparecem nas televisões. Mas são quem realmente gere a casa. São eles os olhos e ouvidos do chefe supremo, são eles a sua correia de transmissão. São eles que dão ordens ao pessoal, são eles que negoceiam os esquemas e planeiam as trafulhices. Ao fim do mês, apresentam as contas ao Ministro e uns papéis para ele assinar. E quando se trata de documentos que fedem à distância, como estas PPPs deviam feder, atafulham-nos no meio da última de quatro caixas com papelada que entregam ao ministro para que ele reveja e assine durante a noite.

 

E claro, quando se sentem acossados, cobardes como sempre são, tentam fugir, escorregadios como enguias.

 

Conhece-se uma história cinzenta, um contrato que favorece um amigalhaço, um tráfico de influências - e revirando bem as pedras, descobre-se sempre uma eminência parda lá escondida, de rabo espetado como um lacrau. Pois que se faça o mesmo que se faz aos lacraus.

link do postPor João Sousa, às 19:42  comentar

As não-notícias aborrecem-me. Isto é uma não-notícia: segundo o Tribunal de Contas, Sócrates terá arruinado a Saúde. E depois? Onde está a novidade? Porque havia a Saúde de ser imune ao flagelo socrático? Notícia será quando alguém descobrir algo que Sócrates não tenha deixado num desastre. Por exemplo:

 

Sócrates não deixa desastre na J.P. Sá Couto.

 

Em paralelo, continuo a questionar o papel do Tribunal de Contas. Em princípio, tribunal é um local onde se julga, onde se administra justiça. Ora o nosso Tribunal de Contas apenas parece julgar... as contas. Mas não seria interessante se, ao descobrir contas aldrabadas por velhacada ou desastrosas por negligência, também julgasse os seus [ir]responsáveis? Se não tem poderes para tal, devia ter. Se possui poderes para isso - alguém que lho diga, pois não o parece saber.

link do postPor João Sousa, às 13:07  comentar

6.1.12

 

Chegou, de acordo com esta notícia, ao Sporting. A cultura do passa-montanhas tem vindo a fazer escola em Portugal, depois de trazida para a ribalta pelo anterior governo. Sintoma de um país sem rei nem roque, fruto de uma liderança ímpia que veremos até que ponto foi defenestrada a tempo, que sancionou tanto os assaltos de que ouvimos falar todos os dias como incitamentos ao golpe de Estado por parte de um velho tolo, entretanto alvo de um inquérito do MP (sinais de mudança?).
É, portanto, assim que vivemos, tentando erradicar esta utilização compulsiva do "passa-montanhas" metafórico, que permitia, até há bem pouco tempo, a qualquer um meter a mão no jarro dos biscoitos de forma totalmente impune.
link do postPor António Pinto, às 10:03  comentar


 
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