A sério que sim
7.2.17

Os excelsos ciclistas urbanos que não param nas passadeiras precisam de interiorizar alguns conceitos de física básica. É certo que o seu momento linear tende a ser maior do que o meu, mercê de transitarem a uma velocidade superior. Contudo, os meus pés com tamanho 43, por me proporcionarem uma base de apoio muito maior e serem capazes de gerar atrito superior à superfície de contacto das rodinhas das suas biclas, permitem que não seja eu a experimentar os efeitos da gravidade e as consequências das primeira (inércia) e terceira (acção-reacção) leis de Newton quando os eminentíssimos, num arroubo de audácia, pretendem desafiar a velha lei de Arquimedes que postula a impossibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo espaço - e tentam ocupar o espaço que já está ocupado por mim.

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14.11.16

Lisboa, Sábado, nove e meia da manhã. O ar, com um leve aroma a folhas secas, estava fresco e convidativo. Após passar pela livraria para comprar revistas, tinha uma hora para chegar ao local de trabalho e, como qualquer pessoa sensata com prazos para cumprir - optei pela garantia do caminhar em detrimento da sindicalizada balbúrdia do sistema de transportes públicos. Pois sabeis, nos quarenta e cinco minutos de caminhada maioritariamente em ruas servidas por ciclovias, quantos ciclistas vi? Um! Não foi um pelotão, nem um grupo, nem um punhado, muito menos um singelo par. Foi mesmo um(!) ciclista a usufruir dessas infraestruturas com que os lisboetas são importunados pelos visionários Zés e Medinas.

link do postPor João Sousa, às 14:49  comentar

26.1.16

Os ciclistas querem ter direito a pedalar em segurança. E os peões querem ter o direito a andar no passeio em segurança sem serem abalroados por ciclistas; e querem ter o direito a atravessar as passadeiras em segurança sem serem atropelados por ciclistas; e querem ter o direito a esperar pelo metropolitano em segurança sem terem de se desviar de ciclistas.

link do postPor João Sousa, às 19:12  comentar

9.8.13

Uma das coisas que me entedia nas militâncias folclóricas, e em particular nas associadas ao que se convencionou chamar "estilos de vida", é o ar de superioridade moral que exibem. O problema disto é que as ilusões de superioridade moral servem amiúde como justificação para se isentarem do cumprimento das regras comuns - porque se julgam, afinal, num patamar superior da ética. A coisa piora ainda mais quando existe uma classe política pronta a apoiar certas bandeiras a troco do voto destas franjas - e poucos, assim, acabam por perturbar muitos, até porque a sociedade se resignou, a bem do politicamente correcto, a não reagir perante os comportamentos destas minorias folclóricas.


Veja-se o caso dos "ciclistas urbanos". Arrogam-se como solução para o trânsito, para a poluição, até para a saúde pública - e é vê-los, alegremente, a passar semáforos vermelhos, a andar pelos passeios a alta velocidade, a desrespeitar passadeiras (no entanto, ai de um peão que esteja sobre uma das ciclovias quando os cavalheiros pilotam as suas máquinas). Mas são "cool", fazem umas fotografias "radicais", acham-se de Esquerda por se acharem "transgressores" do status-quo. Perante esta gente, logo apareceu um idiota como o Zé-que-nunca-fez-falta a cobrir os passeios de ciclovias praticamente às moscas, e um António Costa que afirma querer substituir os carros por bicicletas - como se tal, pela meteorologia e pela geografia da cidade, fosse uma coisa possível. Quanto mais vêem esta aparente legitimação da sua filosofia pessoal, mais aumenta o fanatismo do pessoal das bicicletas.


Cenário: passadeira no Cais do Sodré, 13h, 6 de Agosto. A passadeira está lá: há um sinal de trânsito a indicar a presença da passadeira; as regras de trânsito estipulam que os peões têm prioridade nas passadeiras; as bicicletas, os seus utentes parecem esquecê-lo, são veículos; sendo veículos, os seus condutores têm obrigação de andar nas faixas de rodagem e seguir as regras do código; os ciclistas, quando montados nas suas bicicletas, são obrigados a respeitar a prioridade dos peões nas passadeiras.


Pois naquele fatídico 6 de Agosto, enquanto várias pessoas já se encontravam sobre a passadeira, um pequeno mamífero, montado na sua bicla, atravessou-a sem sequer abrandar, forçando duas senhoras a saltarem para não serem abalroadas e vários outros peões a imobilizarem-se para que Sua Alteza Bicicleteira seguisse o seu caminho, talvez na direcção de futuros canoros.


Eu próprio estava ainda razoavelmente longe da passadeira em questão. Tenho pena, pois gostaria de ter demonstrado ao ciclista o que pensava da sua conduta.

 

O autor destas linhas, de camisola vermelha, chamando pedagogicamente
à razão um ciclista que desrespeita as regras de trânsito. 

 

E, no entanto, isto teria uma solução fácil. Bastaria que os Zés e os Costas tivessem a coragem de estipular que, se os ciclistas têm direitos acrescidos em Lisboa (pistas suaves exclusivas, subtraídas aos passeios e aos jardins, para darem às perninhas), também lhes seriam exigidos deveres: respeito pelo código da estrada, com coimas em caso contrário, e exigência de uma licença de condução - como é necessário para conduzir qualquer outro tipo de veículo.

link do postPor João Sousa, às 09:44  ver comentários (1) comentar


 
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