A sério que sim
11.4.16

Li há pouco que o novo secretário de estado da Cultura será Miguel Honrado, até hoje presidente do conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II. Se o ministro é o nº 185 da petição A Cultura Apoia António Costa, o secretário de estado é o nº 367 da mesma petição. Parece que a petição era, afinal, uma agência de emprego.

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link do postPor João Sousa, às 19:27  comentar

10.4.16

Francisco José Viegas, pessoa inteligente e que conhece bem o meio cultural, escreveu na sexta-feira a propósito da demissão do filho-do-pai Soares:

António Costa irá finalmente indigitar um daqueles que lhe garantiram que «a cultura está com António Costa», porque, lá está, ou são os proprietários da cultura, ou a cultura os informou da sua preferência, ou entre eles e a cultura não há diferenças essenciais.

Dois dias depois, eis que é anunciado o novo ministro da Cultura: Luís Filipe Castro Mendes. Pessoa que sabe usar talheres e assoar-se num lenço (ao contrário do seu antecessor), o embaixador é retratado pelo próprio Francisco José Viegas como "uma escolha muito sensata, em termos políticos, e uma pessoa muito adequada ao cargo". Não tendo razões para não dar o benefício da dúvida ao sr. embaixador, não posso deixar de acrescentar um detalhe: Luís Filipe Carrilho de Castro Mendes foi o signatário nº 185 da petição "A Cultura Apoia António Costa".

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link do postPor João Sousa, às 18:17  comentar

8.4.16

João filho-do-pai Soares lá apresentou a demissão. Não o fez por achar que tivesse feito alguma coisa mal, mas por "solidariedade com o executivo" - o que evidencia as prioridades do molusco. António Costa lá aceitou "naturalmente", segundo o próprio, a demissão do primeiro. O problema nem é Costa ter aceitado "naturalmente" a demissão do filho-do-pai. O problema maior foi a "naturalidade" com que António Costa convidou tal alimária para o ministério da Cultura.

link do postPor João Sousa, às 15:04  comentar

7.4.16

O suposto Ministro da Cultura renova a promessa de "bofetadas" a um crítico cultural que, pelos vistos, não lhe presta a vassalagem devida. Recordo: num passado já longínquo, quando o destino da nação estava nas mãos de um homem digno, o primeiro-ministro Cavaco Silva demitiu um ministro por causa de uma mera anedota sem piada.

link do postPor João Sousa, às 10:37  comentar

2.3.16

porco.jpg

João filho-do-pai Soares diz, a propósito da polémica CCB, que não tem nada que lhe pese na consciência. Escusava de se ter dado ao trabalho: há muito tempo que reparámos não ter qualquer consciência que lhe possa pesar - é mesmo um traço genético...

link do postPor João Sousa, às 22:07  comentar

22.2.16

Vamos ver se eu pecebo.

 

Durante quatro anos, Pacheco Pereira pelejou contra os neoliberais que estavam a subjugar tudo à ditadura dos números. António Costa, apresentado como "uma lufada de ar fresco" pela artistalhada peticionária que se gosta de dizer independente e anti-sistema mas sempre apoia o que vem do Largo do Rato, era o novo Messias que iria heroicamente cortar as cabeças da hidra austeritária e traria de novo a Arte (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a arte é sempre maiusculada) para o quotidiano.

 

Pois o que faz, meses depois, o primeiro quando convidado para Serralves pelo segundo? Cobra entradas onde antes havia gratuitidade, subjugando o acesso do povo à Cultura (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a Cultura é sempre ministeriável) perante a ditadura dos números.

link do postPor João Sousa, às 12:23  comentar

7.2.16

O nosso ministro da Cultura João filho-do-pai Soares considerou, quando foi nomeado, "positiva a existência de um Ministério da Cultura no executivo de António Costa". Soares disse também que "a Cultura esteve completamente abandonada e numa situação completamente lamentável durante o governo de coligação PSP/CDS". Deve ser para reforçar o simbólico da Cultura (com C maiúsculo) que o orçamento do Ministério, descontado o dinheiro que a RTP irá sugar, é inferior em 20% ao orçamento da Secretaria de Estado que a havia votado ao abandono.

 

Já agora: serei a única pessoa do país que se sente desconfortável pelo governo ter colocado a comunicação social pública sob a alçada de um Ministério? Ainda por cima um ministério regido por um membro do clã Soares e que faz parte da ala esquerda mais caceteira do partido? E que relação têm a informação pública, o gordo Fernando Mendes, a insuportável Catarina Furtado, o menos gordo José Carlos Malato, o matemático António Perez Metello e o Trio d'Ataque com - Cultura?

link do postPor João Sousa, às 10:26  comentar

27.8.15

Está a estrear a primeira parte da trilogia "As Mil e Uma Noites" de Miguel Gomes, um filme político que o realizador assume como não-político - apesar de ser um retrato metaforizado dos "anos da troika" e os dois últimos capítulos estrearem nas semanas anteriores às legislativas. (Gostaria de saber se Miguel Gomes também estaria disponível para filmar retratos metaforizados dos anos do protofascismo socrático.) Gosto sempre de ouvir os realizadores preverem anos de asfixia e paralisia com a subida dos perigosos neoliberais ao poder e com a suposta despromoção da Cultura a Secretaria de Estado. E no entanto... 

 

... e no entanto, recordo-me de pouquíssimas épocas no passado em que se estreassem tantos filmes portugueses e de tantos géneros distintos. Temos tido documentários, comédias, tragédias, farsas, remakes. A paralisia deu em hiperactividade. A asfixia dá-nos filmes de seis horas que são separados em três capítulos.

 

A verdade é esta: com tecnologia barata e ao alcance de todos numa qualquer Fnac, nunca como agora foi tão barato fazer um filme com qualidade técnica (já o talento, infelizmente, é outra conversa). O problema de grande parte da nossa massa "artística" é não conseguir imaginar a sua actividade separada da subsidiodependência, como se ter o selo de um "Ministério da Cultura" no cartaz do filme desse uma qualquer credibilidade acrescida.

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link do postPor João Sousa, às 15:45  comentar

11.8.14

Rui Veloso diz-se desgostoso do pobre estado da nossa Cultura. Vai daí, anunciou uma pausa na sua carreira. Faço questão de reconhecer quem o merece: a sua atitude é digna. Rui Veloso suspende a sua actividade cantadeira - para que, automaticamente, o pobre estado da nossa Cultura se torne um pouco menos pobre.

 

Actualização: afinal, não é uma pausa na carreira, será só uma pausa nos concertos. Quem me mandou ser optimista e confiar no jornalismo da SIC?

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link do postPor João Sousa, às 10:39  comentar

21.2.14

George Clooney defendeu há dias, durante uma apresentação do seu filme mais recente, que o friso de colunas do Partenon, contrabandeado em 1803 e actualmente exposto no Museu Britânico, deveria ser devolvido à Grécia. Estas palavras geraram tanta gratidão na Grécia que até levaram a um convite, feito pelo seu ministro da Cultura, para que Clooney fosse uns dias "ver uma infinidade de antiguidades gregas conservadas sob o sol mediterrâneo". 

 

Eu não tenho muitos problemas com o que Clooney disse. É fofinho e seria simpático que os ingleses o fizessem, pois já puderam brincar dois séculos com os mármores. Mas estas celebridades razoavelmente inteligentes têm um problema: entusiasmam-se e nunca sabem parar enquanto estão a ganhar. Poucos dias depois, George Clooney afirmou que a Mona Lisa devia ser devolvida aos italianos.

 

Acontece que há uma grande diferença entre o friso de Partenon e a Mona Lisa: o primeiro está em Inglaterra como resultado de um acto legalmente dúbio; a pintura está em França porque foi vendida num negócio - em aparência - perfeitamente legítimo.

 

Argumentará Clooney que as obras de arte devem ficar no seu país de origem? Defenderá Clooney, então, que Portugal devolva os Mirós a Espanha - e Espanha, os deuses nos acudam, devolva-nos Kátia Aveiro?

 

Há quem justifique esta ideia de Clooney com a teoria de que a venda do quadro teria sido decidida por um Leonardo da Vinci já pouco esclarecido, ou um seu herdeiro sem noção do real valor daquilo que estava a negociar. Mas a questão é que defender a anulação de um negócio de arte por ter sido mau para uma das partes, ou porque uma das partes estaria mal informada, seria um erro. Se George Clooney seguir esta linha, vai abrir uma Caixa de Pandora com consequências imprevisíveis. No limite, tornaria legítimo que pedíssemos a Clooney a devolução do que pagámos - pelos bilhetes de Batman & Robin.

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link do postPor João Sousa, às 10:36  comentar


 
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