A sério que sim
24.4.14

E a boca lá lhe fugiu para a verdade.

 

O ancestral Soares, em mais uma intervenção pública da nova brigada dos reumáticos (em Salão Nobre, claro, pois os seus cansados arcaboiços já não se dão bem com o buliço da populaça), diz que é preciso derrubar este governo - não há mais nada a fazer:

 

À questão 'e agora?', Mário Soares retorquiu: “Agora é preciso derrubar este Governo, a resposta é muito simples. Estou a falar muitíssimo a sério. Não há mais nada a fazer.

 

Gosto desta ideia: o antepassado Soares, invocado por tanta gente como "o pai da nossa democracia", quer deitar abaixo um governo legitimamente eleito e que, daqui a uns tempos, será sujeito a eleições, com o argumento de que "Eles fingem que são democratas mas querem um 25 de Abril a fingir".

 

O velho Soares também diz que, por causa deste governo, já não temos SNS, estado social nem direitos do homem. Direitos do Homem! Soares não faz por menos.

 

Por isto é que digo que a boca lhe fugiu para a verdade. O senecto Soares rematou dizendo que “É indispensável acabar com este regime o mais depressa possível". Como se pode ver, o nosso regime não é do agrado de Soares - é demasiado democrata.

link do postPor João Sousa, às 10:40  comentar

6.12.12

Hoje, no périplo noticioso que habitualmente faço, fiquei a saber que, neste país, é possível atropelar alguém intencionalmente e agredi-lo com uma catana (!!) e, ainda assim, aguardar julgamento em liberdade. Viva a democracia!

link do postPor António Pinto, às 15:54  comentar

7.5.12

O centro do discurso político na Europa não é um centro geométrico: está claramente deslocado para o lado esquerdo. Só assim de justifica que quando a extrema-direita recebe 18% dos votos numas eleições, se puxem cabelos como se tal fosse a prova das profecias Maias; e quando a extrema-esquerda conquista 16% dos votos numas eleições, se olha para tal como uma simples curiosidade. Para muita gente, parece haver uma extrema maléfica e uma extrema (quando muito) pitoresca.

link do postPor João Sousa, às 13:16  comentar

24.4.12

Quando se é jovem e ainda se acredita nos dias, têm-se visões de grandeza: Amor, Glória, Fortuna. Mas o Tempo é um bom professor. Hoje, limito-me a ambicionar que o envelhecimento me seja mais digno do que foi o de Soares e Alegre.

 

Egomaníacos, ainda os veremos a fazer ski-aquático para captar umas páginas de jornal. Por agora, basta-lhes solidarizarem-se com os "militares de Abril" que se recusam a participar nas sessões solenes de amanhã porque

 

"O poder político que a(c)tualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores."

 

Pelo que se infere dos seus discursos recentes, "os ideais e os valores" que guiaram gente como Otelo e Vasco Lourenço a fazer o 25 de Abril prefiguram um conceito algo maleável de Democracia. É irónico que estes senhores, que derrubaram o Estado Novo para - supostamente - vivermos em democracia, parecem incapazes de aceitar uma das suas consequências: que sejam outros, com posições ideológicas diferentes, a conquistar mais votos em eleições livres. Eleições livres, para Otelo e Lourenço, parecem só ter como resultado possível aquele que lhes convém.

 

Do nefelibata Alegre, tudo é expectável - portanto nada pode surpreender. De Soares, e do seu ego com gravidade jupiteriana, também não se pode esperar nada. Há muito que se tornou óbvia a verdadeira motivação para que se opusesse a uma putativa ditadura comunista no pós-25 de Abril: maior palco de influência para a sua augusta pessoa e o seu grupo. Que tal fosse menos maligno para o país - tal foi um simples acaso menos infeliz.

 

Já de Sampaio, confesso, esperava melhor. Por muito inútil que sempre o tenha achado, pensava-o com alguma genuinidade. Mas fazer depender a presença da "sua agenda internacional" parece mostrar que, também para ele, este dia tem um simbolismo muito relativizável.

 

E assim temos que aqueles que se preparam para celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, são precisamente aqueles que estão "contra os seus ideais e valores" - nas palavras dos que o fizeram, supostamente em nome desses "ideais e valores", mas se recusam agora celebrá-los na "casa da democracia".

 

link do postPor João Sousa, às 11:20  comentar

26.10.11

O Conselho Nacional de Transição líbio anunciou, finalmente, a libertação do país das garras de um pérfido regime, que o estrangulou durante mais de 40 anos.

 

Eu rejubilei.

 

Nunca mais teremos de suportar o encerramento de instituições de ensino superior porque alguém da cúpula do regime a usou como fachada para as suas supostas habilitações académicas, nunca mais veremos inspectores da polícia de investigação afastados, destruídos e enxovalhados em praça pública por investigarem temas "quentes", nunca mais veremos déspotas a subtrair aos jornalistas o seu material de trabalho porque as perguntas são incómodas, nunca mais homens como Chávez ou Robert Mugabe serão recebidos com honras de Estado, nunca mais orgãos independentes de comunicação social serão processados por "destapar a careca" ao regime, nunca mais ouviremos expressões como "quem se mete connosco, leva" e nunca, nunca mas nunca mais veremos um líder impecavelmente vestido e aprumado, preocupadíssimo com o melhor ângulo para a câmara, rodeado da sua terrível "entourage", a dizer os maiores disparates que se possam imaginar.

 

Caramba, viva a liberdade, viva a democracia!

 

 

link do postPor António Pinto, às 09:52  comentar


 
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