A sério que sim
23.5.16

Os apologistas da geringonça, agora cansados com as manifs (pelos vistos, o direito à indignação tem limites impostos pela mediatriz política), acodem ao governo no assunto "ensino privado" com o argumento de que o Estado não deve ter gastos redundantes. Já o contribuinte que paga compulsivamente, quer usufrua dele quer não, o ensino público, pode ter gastos redundantes.

link do postPor João Sousa, às 15:38  comentar

9.5.14

A Sic-Notícias afirma: Organização do ano le[c]tivo criticada por Fenprof e FNE. Ora... a Sic-Notícias até poderia já noticiar "Organização do ano lectivo 2019/2020 será criticada por Fenprof e FNE".

link do postPor João Sousa, às 12:38  comentar

12.2.14

Em Barreiros, concelho de Leiria, pais de alunos da escola EB1 fecharam-na a cadeado por falta de condições:

 

As crianças não têm condições para brincar, falta papel higiénico e toalhetes, os autoclismos estão frequentemente avariados e ninguém atende os nossos pedidos.

 

Estes pais não se devem recordar de quando eram crianças, em que de um caco de tijolo faziam uma espada de pirata, um laser de astronauta ou uma pistola de cowboy. As crianças sabem sempre encontrar formas de se divertirem, mesmo nas situações - em aparência - mais estéreis. Veja-se a Escola Secundária de Maximinos, em Braga: os alunos, talvez por a escola não lhes dar um recreio e campos de futebol, divertem-se nas salas lançando bolas de papel em chamas, vendo pornografia nos computadores e... masturbando-se nas aulas.

 

Masturbando-se nas aulas! Só espero que em Braga, ao contrário do que acontece em Barreiros, não haja falta de papel higiénico e toalhetes - e os autoclismos estejam a funcionar.

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link do postPor João Sousa, às 11:45  comentar

15.9.13

Os professores só querem o bem das nossas criancinhas. Os professores que, de olhos salientes e espuma aos cantos da boca, berram nas manifs contra toda e qualquer ideia vinda do ministério, só querem que os deixem cumprir a sua vocação - serem professores - e ensinar as criancinhas. Os professores que, nas manifestações, agitam bandeiras da Fenprof mas nunca - nunca! - a fotografia de um aluno, fazem o que fazem e reivindicam o que reivindicam apenas com o supremo interesse dos alunos em perspectiva.

 

Quando é pedido ao professor que esteja mais horas na escola - no fundo, que esteja tanto tempo no seu posto de trabalho como outra pessoa qualquer -, o professor desatina, pois é no aconchego do lar que melhor presta o seu serviço aos alunos.

 

Quando é pedido ao professor que faça um exame de aptidão, barafusta - pois é a manutenção de professores medíocres que melhor defende o ensino de qualidade.

 

Quando é pedido que se examine, no final do ano lectivo, a progressão dos alunos, o professor esperneia - pois será certamente mais eficaz que as criancinhas saltitem de ano em ano num ambiente de dolce far niente.

 

Os professores querem que os deixem ser professores - não estando na escola, não prestando contas da sua capacidade para o serem, não examinando os alunos.

 

Os professores não colocados querem que os deixem ser professores - colocados numa escola sem ter uma única turma.

 

Pois os professores, aqueles que não pensam em mais nada senão em como prestar um ensino de maior qualidade - vão, às centenas, ausentar-se das escolas para participarem na campanha eleitoral.

 

Deixá-los ser professores? Cada vez mais me parece necessário obrigá-los a serem professores.

link do postPor João Sousa, às 14:12  comentar

28.2.13

Gostaria só de acrescentar uma questão à análise do João: este protesto, de carácter indubitavelmente selvagem, era contra o quê?

link do postPor António Pinto, às 12:32  comentar

Pedro Passos Coelho foi à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Claro que houve circo.

 

Algumas alunas, diz o Público, empunhavam cartazes onde se lia, entre outras coisas, "Quero o meu país de volta". O que me ocorre, de imediato, é questionar porque não vão as tais alunas exibir este cartaz à porta da pessoa que, de facto, entregou o país aos credores e fugiu logo a seguir para Paris.

 

Mas o mais burlesco foi a exibição por alguns grunhos desta linda encenação:

Nem de propósito: o Público também noticia que, em 2011/2012, reprovaram no 12º ano mais 6,4% dos alunos do que em 2009/2010, "o que se ficará sobretudo a dever à maior exigência dos exames nacionais". Como se vê pelo que está exposto acima, tal acréscimo de exigência já vem dois ou três anos atrasado.

link do postPor João Sousa, às 08:33  comentar

11.4.12

Parece que a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues foi ao Parlamento dizer de sua justiça sobre a Parque Escolar, obra sua. Ao contrário do que Estrela Serrano e outras vozes próximas do socratismo disseram e dirão, não penso ter sido um extraordinário desempenho de um conhecedor dos dossiês: foi um desempenho cara-de-pau de um político. Ao bom estilo socrático, misturou conceitos, deturpou datas e respondeu com slogans em vez de explicações. Reconheço isto: MLR teria sido uma boa advogada.

 

Deixarei a análise aprofundada para outros, melhores e com mais paciência do que eu. Limitar-me-ei a apontar para um trio de pontos que penso reflectirem a arrogância ou má-fé ou loucura da ex-ministra (ainda não decidi qual destas é).

 

A ex-ministra reconheceu que foi um programa caro mas, a propósito, lembrou o ditado popular "o que é barato, às vezes, sai caro". Segundo Maria de Lurdes Rodrigues foi isso que "aconteceu às nossas escolas" nas intervenções anteriores à existência da Parque Escolar.

 

A ex-ministra citou a propósito uma intervenção realizada na escola secundária Camões, entre 2000 e 2005, orçada em 4 milhões de euros e que não só não melhorou as condições daquele liceu histórico, como pode ter causado um "imenso prejuízo" na estrutura daquela escola.

 

Acho sempre bem que, numa discussão que se pretende técnica, alguém introduza um ditado popular à laia de argumento. Mas gosto principalmente que a ex-ministra apresente, como exemplo de um "barato que saiu caro" pré-Parque-Escolar, um projecto supostamente falhado orçado em 4 milhões de euros. E gosto porquê? Porque eu já mencionei antes um projecto da era Parque Escolar, que mete literalmente água e se esboroa, e que foi orçado em 8 milhões de euros. Foi só o dobro, sra. ex-ministra, e chove nas salas, chove no ginásio, os azulejos descascam e baldes tentam conter as fugas. Mas talvez para a ex-ministra a Escola Secundária Alcaides de Faria tenha saído cara por 8 milhões de euros serem barato - talvez se devesse ter lá enterrado 16 milhões...

 

A ex-ministra lamentou também que nas escolas se “considere ser luxo o que não é considerado como luxo noutros espaços”. Maria de Lurdes Rodrigues respondia assim às observações de deputados do PSD e do CDS sobre a compra de 12 candeeiros de Siza Vieira, por 1700 euros cada, para uma das escolas requalificadas e a utilização de materiais nobres em várias instalações, que também é criticada no relatório da IGF.

 

Fico deliciado: a ex-ministra lamenta que nas escolas seja considerado luxo aquilo que não é considerado noutros locais. Pois deixe-me explicar-lhe isto, sra. ex-ministra, e nem vou cobrar por tal: no mundo real, há de facto coisas que se justificam nuns locais e não noutros. Justifica-se, num casino de Las Vegas, colunas em mármore Carrara - mas o mesmo não terá razão de ser num armazém de rações. De igual modo, justifica-se que a relações públicas de uma cadeia de hotéis se vista com um fato de qualidade feito à medida - mas há que reconhecer que tal será um pouco excessivo numa oficina bate-chapa...

 

Tentar justificar os 12 candeeiros de Siza Vieira, orçando 1700 euros cada (20.400 euros no total), é um exercício impossível. Só tentar fazê-lo é insultuoso para quem ouve. Não consigo imaginar quantos valores a média dos alunos melhorou com tanta auto-estima fornecida pelos candeeiros de Siza Vieira.

 

São 1700 euros por candeeiro: em moeda antiga, cerca de 340 contos cada. Sabe a sra. ex-ministra o que vale cada um destes candeeiros mágicos? Vale certamente as obras completas dos clássicos portugueses na biblioteca de uma escola. Vale provavelmente mesas e cadeiras para uma ou duas salas de aula. Pelo custo de cada um desses candeeiros, muito boa gente é capaz de equipar a sua cozinha - e ainda sobrar dinheiro para o faqueiro e toalhas.

 

Para terminar, diz Maria de Lurdes Rodrigues:

 

“O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia”

 

Esqueceu-se das fadas e das libelinhas, sra. ex-ministra.

link do postPor João Sousa, às 23:46  comentar


 
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