A sério que sim
23.1.18

João Abel de Freitas, economista (o que quer que isso signifique hoje em dia) que publica regularmente no Jornal Económico, diz-se apreensivo. Apreensivo, diz-se ele, pelo destino dos CTT e da TAP privatizados (curiosamente, não se diz apreensivo por um sistema de Saúde e por uma Educação em pantanas consequência das cativações públicas). O problema (bom, um dos muitos problemas) de todo aquele longuíssimo texto ideológico de João Abel de Freitas é que parte logo de uma falácia repetida até à náusea pelos esquerdistas:

"O governo anterior privatizou os CTT, contra tudo o que era inteligente, actuando apenas numa base ideológica, camuflando-a de eficiência económica e de melhoria de serviços. Na realidade, havia uma fome de privatização."

Eu sei perfeitamente que um esquerdista nunca se desdiz perante essa coisa menor chamada "factos", mas aqui vai um excerto de uma notícia publicada em Maio de 2011 (ainda era governo o PS de Sócrates que tinha acabado de assinar o acordo com a troika):

"Plano prevê receitas de 5,5 mil milhões em privatizações. Da lista de empresas a vender estão a já previstas pelo Governo: ANA, TAP, CP Carga, Galp, EDP, REN, CTT, Caixa Seguros e algumas participadas do Estado de menor dimensão"

Uma mentira dita mil vezes nunca se tornaria verdade - se houvesse uma comunicação social realmente preocupada com a verdade.

link do postPor João Sousa, às 10:21  comentar

27.8.17

Então, vamos lá a ver se eu percebo: aqueles que, há poucos anos, acusaram um adversário de procurar proveitos políticos no facto de a sua esposa não ocultar a doença grave de que padecia, são os mesmos que, agora, aplaudem como "corajosa", "digna" e de uma imensa "dimensão intelectual" a exposição, por uma política da sua área, de factos da sua vida privada e que são anunciados pela própria com um assumidíssimo móbil político. É isto, não é?

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link do postPor João Sousa, às 13:08  comentar

6.3.17

Ameaças à segurança e integridade física de Jaime Nogueira Pinto, feitas por alunos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas levaram a Direção a cancelar a conferência ‘Populismo ou Democracia: O Brexit, Trump e Le Pen’, agendada para a tarde de terça-feira, dia 7 de março, e onde o politólogo era o principal orador. (fonte: Correio da Manhã)

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link do postPor João Sousa, às 21:51  comentar

21.2.17

Segundo leio no Público, a nova proposta de lei do Governo de "combate à discriminação racial e étnica e à xenofobia" tem esta particularidade:

Na proposta também está contemplada a questão do ónus da prova: sempre que se verifique um acto racista ou xenófobo, a vítima não tem necessidade de provar os critérios que os motivaram – ou seja, presume-se a intenção discriminatória, que pode ser rebatida nas entidades competentes.

Portanto, o alegado racista (acusado) é que tem de provar que não discriminou ou que não é racista. Esta Esquerda, que sempre se contorceu como um verme com qualquer coisa que lhe cheirasse a inversão do ónus da prova em casos de corrupção ou enriquecimento ilegal, acaba de o inverter para putativas discriminações.

link do postPor João Sousa, às 14:30  comentar

24.8.16

Tão cíclico como as marés, levantam-se vozes contra o turismo que "descaracteriza" Lisboa e a "rouba aos lisboetas" - como se houvesse assim tantos lisboetas para serem roubados ou tanta Lisboa para roubar. São, em grande parte, vozes da Esquerda (que, quando lhe convém, se mostra muito ciosa da tradição), mas uma parte não negligenciável ouve-se da Direita - provando que a idiotice pode ser transversal à doutrina.

 

Estas vozes da Esquerda preocupam-se com o turismo que "empata" a vida dos lisboetas. Curiosamente, nunca ouvi tais vozes preocupadas com as sucessivas greves do Metro que agora se metamorfosearam em "perturbações de circulação" diárias - e que, por coincidência extraordinária, só se vulgarizaram na época alta do turismo. Não: estas "perturbações de circulação" não "empatam a vida" dos lisboetas.

 

De igual forma, não me recordo de ouvir preocupação nestas vozes da Esquerda pelas obras que constantemente esventram a cidade, interrompem ou desviam o trânsito e enchem, no calor do Verão, o ar de poeiras e cheiros. Não: parece que este frenesim camarário de mostrar obra em antevéspera de eleições não "perturba a vida" dos lisboetas.

 

Tal como nunca ouvi um tremor de ansiedade nestas vozes de Esquerda pelas árvores retiradas para serem substituídas por folclóricas ciclovias com menos uso do que o aeroporto de Beja, ou pelas fachadas de edifícios que se incentiva cobrir de graffitis de estética duvidosa para disfarçar a sua decadência: isto não é nunca, para estas vozes, "desvirtuar a cidade".

 

Nada disto é, parece, perturbador para a nossa vida. Aquilo que realmente empata são os turistas ingleses, franceses, alemães, italianos e etc. que deixam cá o seu dinheiro - e graças ao qual a tragédia da geringonça é levemente maquilhada. Talvez estas doces vozes preferissem que aqueles países se limitassem, simplesmente, a enviar-nos o dinheiro sem qualquer contrapartida - a bem desse conceito tão querido à nossa Esquerda chamado "solidariedade europeia" e que se traduz por partilhar deveres e direitos deste modo: nós ficamos com os direitos e eles com os deveres.

link do postPor João Sousa, às 09:58  ver comentários (1) comentar

14.7.16

A sério que, no dia em que notícias relacionam a mulher de Pedro Silva Pereira com o esquema de lavagem de dinheiro de José Sócrates, a TVI do amigo Figueiredo acha boa ideia convidar Pedro Silva Pereira para criticar a hipotética falta de ética de Durão Barroso?

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link do postPor João Sousa, às 22:10  comentar

12.7.16

Faço zapping e passo pela TVI24. José Alberto Carvalho modera um pequeno debate chamado "Portugal depois da vitória" em que os intervenientes são: Fernando Medina, Isabel Moreira, Ricardo Araújo Pereira e um eclesiástico cujo nome não apanhei. A TVI do amigo Figueiredo já nem tenta disfarçar.

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link do postPor João Sousa, às 21:41  comentar

14.6.16

O primeiro-geringonço António Costa disse há um dia ou dois:

"(...) alargar o ensino da língua portuguesa nas escolas francesas (...) é também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui."

O primeiro-geringonço António Costa diz hoje:

"Eu também não apelei à emigração!"

Costa diz agora o que Passos Coelho dizia em 2011. A diferença é que a Esquerda que, em 2011, puxava os cabelos pelas declarações de Passos Coelho, coloca-se agora do lado de quem o disse porque "o contexto é diferente". O contexto, como é bom de ver, é a Esquerda estar no poder.

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link do postPor João Sousa, às 18:30  comentar

9.6.16

A frente de esquerda justifica o voto contra as hipotéticas sanções a Portugal por "injusto face à grave crise económica e social que afetou Portugal". Ora permito-me divergir da frente num ponto que pode sugerir algum hipersimplismo na sua análise: a grave crise económica e social que até obrigou a um resgate financeiro não "afectou" Portugal - foi causada por Portugal e pelo desvario do governo socrático de então. E o problema é que a frente de esquerda está a fazer todos os possíveis para "afectar" Portugal com nova e idêntica crise económica e social.

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link do postPor João Sousa, às 13:21  comentar


 
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