A sério que sim
24.2.17

lista_vip.JPG

O título da notícia é uma certeza caça-cliques: "Lista VIP impediu acompanhamento da saída de 10 mil milhões para offshores". Depois, lê-se a notícia e a certeza, afinal, é a certeza de Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos. O I podia ter titulado -  "O sindicalista Paulo Ralha afirma que Lista VIP impediu acompanhamento da saída de 10 mil milhões para offshores"? Poder podia - mas não era a mesma coisa.

 

Ralha, na sua tão típica atitude bloquista, diz-se não surpreso pela fuga dos tais 10 mil milhões para offshores. Ralha quer fazer-nos esquecer, com este palavreado, que os tais milhões que toda a gente de esquerda anda a esganiçar terem "fugido" foram reportados pelos bancos, pelo Banco de Portugal, e os dados estão de facto nos servidores do fisco. Isto seria um pouco como alguém fugir de uma cadeia e passar pela guarita dos guardas deixando-lhes um papel com a morada onde estaria escondido e o seu número de telemóvel - mas, desta esquerda, não se pode pedir melhor.

 

Ralha diz que o dinheiro não foi controlado. Ora se não foi controlado, não foi por não terem as informações necessárias. Mais, se não foi controlado, pode ainda ser durante muitos anos - pois foi o governo PSD/CDS que ampliou o período de prescrição de quatro para doze anos. Ralha talvez não tenha reparado que, se ainda estivesse em vigor a regra deixada pelo governo de Sócrates, então sim já não seria possível controlar estes movimentos. Mas lembrar tal seria, para Ralha, desmentir a sua verdade alternativa.

 

A mim choca-me que gente como Ralha venha dizer, por exemplo, barbaridades como "uma parte do trabalho de combate à evasão fiscal é feita através de tiros no escuro" como álibi para atribuir ainda mais poder sem escrutínio aos funcionários da polícia fiscal. Ralha acha que os funcionários do fisco devem, a bem dos tais "tiros no escuro", poder aceder indiscriminadamente aos dados de todo o contribuinte. Ralha acha bem que funcionários fiscais possam aceder livremente aos dados do Presidente da República porque "tinham curiosidade em saber quanto ele ganha". Ralha não se importa que o meu vizinho, funcionário nas finanças, tenha a liberdade de ir bisbilhotar os meus dados fiscais - talvez para me tentar chantagear na próxima reunião de condomínio. 

 

Ralha denuncia a interferência política no trabalho. Ralha fala em intimidação pelos dirigentes políticos. Ralha não fala, muito convenientemente, disto:

A lista VIP terá sido criada com o objetivo de monitorizar acessos indevidos aos processos dos cidadãos em causa, depois de vários funcionários das Finanças terem sido descobertos a fazer consultas irregulares. O caso foi descoberto depois de uma notícia do i que divulgou informações do IRS de Passos Coelho e levou a demissões na Autoridade Tributária, obrigando o governo a lançar com urgência um novo concurso.

Mas talvez Ralha não tenha culpa de não saber disto. Afinal, o jornal I relegou, para o final de um texto que se prolonga por quatro ecrãs, a parte que desmente toda a credibilidade do sindicalista.

tags:
link do postPor João Sousa, às 15:54  comentar

27.7.15

O Expresso anuncia, e o Sapo dá-lhe direitos de ecrã completo, que o Governo desviou dinheiro do IVA para pagar os Audis sorteados em 2014. Concedo: não é estritamente correcto em termos de planeamento. Mas, fosse no tempo do outro cavalheiro que esteve lá antes, a despesa teria sido feita às escondidas, desorçamentada, e seria descoberta anos depois pelo governo seguinte para acrescentar à dívida pública. Têm saudades desse tempo? Dar tanto tempo de antena àquilo que não passa de uma tecnicalidade legal parece-me um pouco despropositado. 

link do postPor João Sousa, às 10:59  comentar

23.3.15

No Sábado, ao passar por um televisor sintonizado na SIC-Notícias (onde mais?), li em rodapé (e daí não deveria ter passado): "Oposição quer que Paulo Núncio e ministra das Finanças retirem consequências políticas".

Ora: e porquê ficarmo-nos por aqui? Porque não sermos realmente ambiciosos, por uma vez? Porque não exigir também a demissão do primeiro-ministro que nomeou a ministra que escolheu o Secretário de Estado que manteve o Director? E porque não exigir a renúncia do Presidente da República que deu posse ao Primeiro-Ministro que nomeou a ministra que escolheu o Secretário de Estado que manteve o Director? E porque não exigir a demissão do eleitorado estulto que votou no Presidente da República que deu posse ao Primeiro-Ministro (também eleito por esse eleitorado ingrato) que nomeou a Ministra que escolheu o Secretário de Estado que manteve o Director?

link do postPor João Sousa, às 12:22  comentar

19.3.15

O presidente do sindicato dos trabalhadores dos impostos diz que os responsáveis pela (agora) famosa lista-VIP "atentaram contra o Estado de direito e contra os interesses dos portugueses". Curiosamente, não me recordo de ainda ter ouvido o senhor presidente do sindicato dizer, dos funcionários que acederam sem justificação processual a dados confidenciais de alguns contribuintes por auto-recreação, tédio ou pura malícia, que "atentaram contra o Estado de direito e contra os interesses dos portugueses"

link do postPor João Sousa, às 12:46  comentar


 
subscrever feeds
Statcounter
blogs SAPO