A sério que sim
17.10.13

Quando a greve do Metro prevista para esta semana ficou sem efeito, eu pensei que os sindicatos, finalmente, estavam a mostrar flexibilidade. [Na verdade, não pensei tal coisa - mas fica sempre bem, neste tipo de texto, aparentar alguma crença ingénua na espécie humana.] Entretanto, os vários sindicatos dos transportes conluiaram-se para organizar duas semanas de greves.

 

E que tal se fossem à merda?

link do postPor João Sousa, às 17:42  comentar

28.6.13

Uma das coisas que mais me irritam é a cobardia dos nossos revolucionários de meia-tigela.

 

Ontem, como sempre acontece quando há greves, formaram-se piquetes em vários locais. No caso particular da Carris, tentaram impedir a saída dos autocarros que iriam prestar os serviços mínimos e a PSP agiu para repor a legalidade. Os membros do piquete, cobardes e hipócritas como sempre são os membros de piquetes, decidiram filmar a brutal actuação das forças policiais.

 

Eu vi o vídeo com toda a atenção: foi uma desilusão do princípio ao fim. Nem uma joelhada na boca do estômago, nem um pontapé nos rins, nem sequer uma bastonada na garganta de um qualquer piqueteiro. Para estes nossos bravos, os excessos de força da polícia são uns empurrões mais expectáveis no pátio de uma escola primária do que numa manifestação de esquerda.

 

Os grevistas sentiram-se violentados - mas até foram carregados ao colo! Que palhaçada! A polícia só poderia ter sido mais meiguinha - se fosse, à noite, aconchegar-lhes os lençóis do My Little Pony e murmurar-lhes histórias de princesas e bruxas-más.

link do postPor João Sousa, às 11:31  comentar

18.6.13

Quem ouça, veja ou leia blogues da esquerda, ou comentadores da esquerda, ou gente da esquerda, vê sempre o mesmo tipo de narrativa: que os professores são vítimas, que estão a defender as crianças, que o Ministério e Nuno Crato são teimosos e radicalizaram o discurso, etc, etc. Ferreira Fernandes, por exemplo, diz que Nuno Crato "escolheu" a altura dos exames para confrontar os professores.

 

Talvez fosse bom que não se deixasse um pormenor cair no esquecimento ou, pior, tornar-se mentira de tanto se dar a entender o oposto: foram OS PROFESSORES que marcaram greve para um dia em que estavam planeados exames - não o Ministério que marcou os exames para um dia de greve. Quem é que escolheu os exames para confrontar quem?

link do postPor João Sousa, às 13:36  comentar

14.11.12

A greve geral tornou-se um mecanismo de utilização recorrente por parte da facção terrorista do PCP. Chegaremos, em breve, a um tempo em que será convocada uma greve geral todos os meses. Perdendo em números e perdendo em atenção, nada mais resta aos peões de brega do Partido que não a organização de "piquetes de greve", cuja principal função é assegurar que o direito constitucional à greve é cumprido, enquanto que outro direito constitucional, o direito ao trabalho, é reprimido com violência sempre que as autoridades policiais não estão a olhar. Não merece, por isso, grande atenção. Confrontou-me, antes, com a evidência de um facto acerca do comunismo. Um facto que tendemos a esquecer.

 

O comunismo é um modelo de concepção socio-económico que já teve várias oportunidades, em diversos contextos, de dar provas. Que o digam os povos fustigados pelos seus horrores, levados, à laia de cobaias, aos mais baixos patamares de dignidade que a condição humana pode prever. O comunismo falhou. Falhou sempre e inapelavelmente. Falhou em termos económicos, sociais e humanos. Viveram-se, sob a égide de ditadores comunistas, alguns dos episódios mais arrepiantes que a História guarda, algo envergonhada, nos seus anais. Todos conhecemos os resultados obtidos pelos campeões vermelhos da democracia em cenários tão díspares como Cuba, Coreia do Norte, China, ex-URSS, ex-RDA ou Venezuela, por exemplo. É uma história manchada pelo vermelho do sangue, pelo sofrimento das vítimas que sucumbiram a regimes de repressão brutal, inconcebíveis à luz do Mundo moderno.

 

À nossa pequena escala, vemos que os países aflitos são, curiosamente, aqueles onde a extrema esquerda tem mais peso. Portugal e Grécia são ilustrações perfeitas deste pensamento. Países onde os princípios comunistas estão, ainda, teimosamente enraizados, como se pode constatar na lei laboral, por exemplo. Custa, muito sinceramente, perceber como é possível que facções políticas radicais de esquerda obtenham, em eleições, cerca de 20% ou mesmo 30% (caso grego) dos votos. O voto de protesto não justifica promover a eleição de pessoas oriundas de uma ideologia que produziu algumas das mais sinistras personalidades da história humana, como Estaline, Mao Tse-Tung ou Kim Il-Sung. Nada justifica! Estes ideais radicais e desnecessários no Mundo moderno deveriam, isso sim, seguir o caminho da ilegalização, à semelhança, por exemplo, do nazismo.

link do postPor António Pinto, às 14:30  comentar

9.7.12

Ah, mas isto é genial. Isto é o retrato do sindicalismo com freio nos dentes. O título expõe na perfeição todo o conceito de negociação, e do papel da greve, que vai atravessando as mentes sindicalistas:

 

Médicos consideram que se negoceia melhor depois da greve.

 

Como se não fosse suficiente, os senhores do sindicato lançam um apelo:

 

A paralisação também é em defesa dos doentes, diz Roque da Cunha, que não quer ver os doentes usados contra os médicos nos dias da greve. Por isso, apela a que os portugueses, nesses dias, não recorram aos serviços de saúde, "para não serem aproveitadas as suas doenças contra os médicos". 

 

Roque da Cunha, secretário geral do SIM (Sindicato Independente dos Médicos), não quer ver os doentes usados contra os médicos nos dias da greve. Isso não irá acontecer - porque os doentes já estarão sendo usados contra o Ministério nos dias da greve. Não sendo os doentes partículas subatómicas, não podem estar em dois locais ao mesmo tempo.

 

Acho magnífico que o SG do SIM também apele aos doentes para, no dia da greve... não estarem doentes. Infelizmente, e eu pensava que qualquer médico teria disto conhecimento, é um pouco complicado planear antecipadamente - um boicote à doença.

link do postPor João Sousa, às 23:14  comentar

Os sindicatos de médicos vão avançar para a greve (que surpresa!) e culpabilizaram o Ministério da Saúde pelas consequências que a greve venha a ter nos utentes.

 

Maravilhoso. Os médicos fazem a greve - mas o culpado pelas consequências dessa greve é o Ministério. Isto faz-me recordar os marialvas que dão uns valentes sopapos na mulher - e depois dizem-lhe: "A culpa disto é tua".

link do postPor João Sousa, às 22:56  comentar

22.3.12

Eu não me recordo de quais, nestas greves dos últimos meses, foram "gerais". No entanto, recordo-me perfeitamente das greves gerais de 1982.

 

Pode ser argumentado que esta diferença de percepção explica-se pela minha juventude em 82, para a qual tudo aquilo seria novidade. Não o creio, até porque não é assim que a minha memória fuciona e uma greve geral, na prática, apenas significava um dia sem (ou com muito poucas) aulas.

 

A explicação, acredito, está na banalização. Hoje, as greves gerais são convocadas pelo encrostado Arménio para justificar a existência do seu próprio posto.

 

Resultado da privatização da economia, uma greve geral tem hoje pouco mais efeito que uma greve sectorial nos transportes. A CGTP tinha dois caminhos possíveis. Por um lado, podia revalorizar o conceito de greve, usando-a com mais parcimónia e baseando-a em argumentário sério. Escolheu, claro, o segundo caminho: greves sucessivas e manifestações em fila indiana, que já pouco mais despertam nas pessoas do que a reacção de uma inconveniência folclórica.

 

Corre-se o risco de, tal como na fábula, um dia o lobo vir e ninguém já dar importância aos gritos de Pedro. E isso é mau: mau para os trabalhadores que o sindicalismo é suposto representar e defender; e mau para uma democracia que se quer saudável e perde assim uma das suas ferramentas. 

 

Mas também, quanto mais conheço Arménio Carlos, menos me parece que "democracia saudável" esteja no topo das suas preocupações...

link do postPor João Sousa, às 12:11  comentar

O primeiro teste do camarada Arménio como testa de ferro vermelho está a ser um profundo fiasco. Senão vejamos:

 

- 5% de adesão na Autoeuropa

- 50% (números dos sindicatos) na CGD

- as ligações do Barreiro, Montijo, Cacilhas e Seixal estão a funcionar, pela primeira vez em dia de greve geral

- 20% de adesão nas Finanças de benfica (a dos cocktails molotov)

- Hospital de Santa Maria funciona com normalidade

- Metro do Porto opera as principais linhas, responsáveis por transportar 80% dos habituais passageiros

 

Se calhar, o facto do camarada Arménio não ter tomado banho não o ajudou particularmente a arregimentar as tropas, mas não serve de desculpa. 

 

O camarada Arménio é, de todas as formas, uma personagem engraçada, como se vê aqui, onde explica de forma eloquente que um tipo que quer ir trabalhar mas não pode, porque a greve dos transportes o impede, é contabilizado nos números da central como um grevista. E é contabilizado porquê? Porque ele até queria fazer greve, mas como não tem liberdade para tal, porque o patrão é mau, utiliza a greve dos transportes para fazer a sua própria greve. É este género de argumentos propagandísticos, clássicos da escola comunista da Guerra Fria, que faz do camarada Arménio uma caricatura. Um tipo que diz que os conflitos na Grécia são provocados por infiltrados de extrema-direita, com a conivência das autoridades, no sentido de denegrir a luta dos trabalhadores e dos sindicatos, não pode ser levado a sério em pleno século XXI.

 

O João acha que ele é uma pessoa perigosa. Eu acho que é apenas tolo, deslocado no tempo e insignificante.

link do postPor António Pinto, às 11:30  comentar

25.11.11

Ontem, tudo aconteceu como tinha de acontecer: o sector dos transportes foi o único que levou a greve a sério, apesar das condições principescas de que gozam os seus trabalhadores, os piquetes de greve fizeram o seu habitual trabalho de sapa de intimidação descarada, mas sempre impune, sobre os colegas que pretendiam fazer aquilo que são pagos para fazer, quem violou as barreiras de segurança à frente da Assembleia da República foi veementemente convidado a recuar pela PSP (que não estava em greve) e os cartazes em tons de vermelho colocados por trás dos fossilizados líderes das centrais intersindicais caíram, simbolicamente, enquanto as ditas almas faziam um balanço imaginário daquilo que foi "mais uma jornada de luta".

 

A greve institucionalizou-se e parece que o movimento dos "indignados" também. Mais atenção a este último: um grupo de jovens que aparenta não tomar banho há semanas, que nunca teria emprego em qualquer sociedade civilizada, mas totalmente cartelizado a nível europeu, pode ser portador de más notícias.

link do postPor António Pinto, às 09:34  comentar

24.11.11

E eis que chegou: o glorioso dia em que os sindicalistas repõem a verdade e sanam todas as injustiças sociais e laborais que assolam o país desde Junho. Cenas lamentáveis na Vimeca, na Renault, à porta da Maternidade Alfredo da Costa, nas instalações da Câmara Municipal de Oeiras, entre outros, quando os eternos e muito democráticos piquetes de greve tentam impedir os seus colegas de exercer o seu direito ao trabalho. Louçã orgulhava-se hoje, nas instalações da Autoeuropa, de que "nenhuma unidade será aqui produzida, naquela que é a maior unidade industrial portuguesa".

 

São estes os exemplos de democracia e "avanço civilizacional" que estas pessoas transmitem. Este é o país que querem. Este sim, sem garantias, sem direitos, sem nada.

link do postPor António Pinto, às 09:56  comentar


 
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