A sério que sim
17.2.17

O Público titula que "Ambiente falhou medição de enxofre no ar em Setúbal" a propósito do incêndio na Sapec Agro que libertou vastas quantidades de dióxido de enxofre. Fosse há um par de anos e o título seria algo do género "Cortes orçamentais deixam viatura avariada incapaz de medir enxofre no ar em Setúbal". Mas talvez seja cinismo meu. Talvez isto não seja mais do que seriedade na linha editorial agora que David Diniz está ao leme.

link do postPor João Sousa, às 09:04  comentar

25.8.16

público de 18/08/2016

Faz hoje uma semana, o Público bradou, com voz grossa e indignada, que PSD e CDS pagaram, entre os dois, 475 mil euros a um especialista em comunicação política para a campanha das últimas legislativas. Logo a seguir, o Público surrurrou timidamente, decerto para não acordar o menino que dormia, que o PS pagou 751 mil euros (58% mais) a um militante para lhe decorar as salas de campanha.

 

Pergunto hoje o que já perguntei mil vezes antes: para que sustenta a Sonae esta triste sombra de jornalismo?

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1.6.16

Bárbara Reis deixa a direcção do Público. A ver se, finalmente, o Público volta a ser um jornal - em vez de um panfleto.

link do postPor João Sousa, às 08:02  comentar

16.3.16

rr_lula_ministro.png

O título da Rádio Renascença não é inteiramente correcto: Lula não virou ministro mesmo suspeito de corrupção - Lula virou ministro por ser suspeito de corrupção.

link do postPor João Sousa, às 18:12  comentar

10.3.16

Arons de Carvalho, constante socialista e vice-presidente da ERC (nomeado, já agora, durante o anterior governo PSD), conversa com Sócrates, em privado, sobre o processo deste contra o Correio da Manhã e chega a fornecer-lhe elementos da defesa do jornal. Ninguém se demite, ninguém é demitido, ninguém é processado, ninguém sequer leva uma palmatoada na mão? Onde estão os jornalistas sempre tão pressurosos pela pureza da sua classe - quando o interveniente é da direita?

link do postPor João Sousa, às 10:51  comentar

7.2.16

Algo de errado se passa com o meu browser: eu escrevo publico.pt no endereço mas ele insiste em encaminhar-me para o Acção Socialista.

link do postPor João Sousa, às 19:51  ver comentários (1) comentar

2.2.16

O editorial de hoje do Público mostra um jornal que já foi de referência a estatelar-se no chão - e continuar a escavar. Escrito num linguajar que não destoaria na página web do Bloco de Esquerda (ou num blogue de João Galamba), afirma que Bruxelas tem uma "agenda autista" e que os credores, membros da troika, "escrevem uma coisa e fazem outra, como inimputáveis em permanente risco de surto psicótico". Mas o auge do delírio é o magnífico parágrafo final:

É fundamental que Bruxelas perceba que a vontade dos portugueses conta e que há um antes e um depois de 4 de Outubro de 2015. Um Governo que não faça valer a sua legitimação nas urnas não está só a defraudar os eleitores, mas a contribuir também para a criação de uma caricatura da própria democracia. Mas quem se quer fazer respeitar e ouvir não pode enviar sinais errados. As 35 horas e a reintrodução dos feriados são mesmo prioridades?

O Público quer que "Bruxelas perceba que a vontade dos portugueses conta" - quando o próprio governo que temos resulta de a vontade dos portugueses não ter sido levada em conta. O Público afirma que "Um governo que não faça valer a sua legitimação nas urnas" (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja legitimidade resulta de ter sido derrotado nas urnas) "não está só a defraudar os eleitores" (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja existência defrauda os eleitores) "mas a contribuir também para a criação de uma caricatura da própria democracia." (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja criação, depois de pesadamente derrotado nas urnas, resulta de uma visão caricatural da democracia).

 

Eu continuo a não compreender a relação que Belmiro de Azevedo tem para com o Público. 

link do postPor João Sousa, às 21:18  comentar

5.12.15

A história conta-se de uma penada: na tarde de quinta-feira, o carro (pago com os nossos impostos) onde seguia o velho Soares abalroou, ao mudar de faixa, a viatura de uma senhora (jurista na Câmara Municipal de Lisboa). Perante o nervosismo da senhora, o motorista (pago com os nossos impostos), acatando as manifestações de pressa de Sua Alteza Soárica El-Rei D. Soares, atirou displicentemente pela janela um papel com o número de telemóvel (desligado) e largou a toda a brida.

Alguém ouviu alguma coisa de especial sobre o assunto? Com excepção do Correio da Manhã que fez jornalismo sobre ele, alguns outros (poucos) meios de comunicação social limitaram-se a retransmitir cobardemente a notícia como uma pequena nota de rodapé que esqueceram imediatamente. Parece que o JQT (jornalismo que temos) não acha de interesse público que o geronte Soares, que se faz transportar diariamente num automóvel pago por todos nós, incite o seu motorista pago por todos nós a abandonar o local de um acidente que provocou, deixando como única forma de contacto um número de telefone que está sempre desligado. O JQT também não acha relevante que, quando questionada sobre o assunto, a assessora paga por todos nós do Imperador Soares "não tenha nada para dizer".

O JQT também não acha digno de interesse que a senhora jurista da Câmara de Lisboa, que no próprio dia relatara os factos aos jornalistas, tenha algum tempo depois "reflectido" e se mostrasse contra a publicação de notícias, classificando agora como "um pequeno incidente de viação" o que antes a enervara até às lágrimas.

Acontece que a notícia não é sobre um "pequeno incidente de viação". Sê-lo-ia se, a seguir, tivesse acontecido o normal nestas circunstâncias: as partes preencheriam a declaração amigável, trocariam contactos ou esperariam pela polícia. O sucedido, pelo contrário, foi uma das partes, precisamente a parte com "influência", dizer com grosseria que se tinha de "despachar" e abandonar o local de um acidente que acabara de provocar sem manifestar qualquer sinal de preocupação pela condição em que se encontrava a acidentada - ou por aquilo que está escrito na lei.

Noutros tempos, se um azarado ficava esmagado pelo rodado de uma carruagem da nobreza, podia-se dar por satisfeito se um par de moedas fosse lançado pela janela. Hoje, com uma lei que é, supostamente, igual para todos, lança-se pela janela um número de telemóvel incontactável.

Soares é, como sempre foi, intocável. Soares sabe-se acima da lei e do escrutínio público porque o nosso jornalismo, sabujo e obediente, fecha os olhos a todo e qualquer comportamento prepotente e mafioso deste nosso auto-proclamado "pai da democracia".

link do postPor João Sousa, às 22:19  comentar

29.11.15

O antigo jornal de referência Público anda agora muito encanitado com a contratação de Sérgio Monteiro pelo Fundo de Resolução do Novo Banco. O Correio da Manhã, que é actualmente o único jornal que faz realmente jornalismo, também não se coibiu de fazer um pequeno exercício de chico-espertice quando chamou para a primeira página de ontem:

sérgio-monteiro-sexta-feira.png

Ora o que o Correio da Manhã escreve é factualmente correcto, tal como o descreve no corpo da notícia: Sérgio Monteiro vai, de facto, ganhar 20.000 euros quando ganhava 3.600 euros como secretário de Estado. Acontece que a notícia também diz que estes 20.000 euros eram o salário do mesmo Sérgio Monteiro antes de ir para o governo. O Correio da Manhã, portanto, poderia titular na primeira página com igual correcção:

"Ex-secretário de Estado ganha o mesmo que ganhava antes de entrada no Executivo."

De igual forma, não me recordo de ter visto o Correio da Manhã, o Público, o DN, o Expresso ou qualquer outro escreverem há quatro anos:

"Secretário de Estado ganha 5 vezes menos com entrada no Executivo".

O que o Correio da Manhã faz, e não vi o Público fazer, é noticiar que "outro assessor contratado por valores milionários é o escritório de Vasco Vieira de Almeida, que intervém no processo como consultor jurídico". Como nos recordamos todos, este escritório já esteve envolvido no negócio Freeport, no negócio Submarinos e sabe-se lá em quantos mais: o nome Vasco Vieira de Almeida é tão omnipresente nos grandes negócios de regime como o de Proença de Carvalho ou José Miguel Júdice.

link do postPor João Sousa, às 20:13  comentar

25.11.15

O Expresso de Balsemão titula: "Cavaco provoca conflito com o Parlamento por causa de tomada de posse". Depois, subtitula: "Presidência da República marcou tomada de posse do Governo para a mesma hora de sessão plenária na Assembleia da República. Ferro Rodrigues não gostou (*). Grupos parlamentares também não."

 

Ora se no fim do mesmo subtítulo afirma que "Belém diz que a cerimónia foi acordada com António Costa", porque raio o Expresso de Balsemão não titulou "António Costa provoca conflito com o Parlamento por causa de tomada de posse"?

 

(*) Parafraseando o nosso vasto presidente da assembleia de república: estou-me cagando para aquilo de que Ferro Rodrigues não gosta.

link do postPor João Sousa, às 20:29  comentar


 
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