A sério que sim
24.8.16

Tão cíclico como as marés, levantam-se vozes contra o turismo que "descaracteriza" Lisboa e a "rouba aos lisboetas" - como se houvesse assim tantos lisboetas para serem roubados ou tanta Lisboa para roubar. São, em grande parte, vozes da Esquerda (que, quando lhe convém, se mostra muito ciosa da tradição), mas uma parte não negligenciável ouve-se da Direita - provando que a idiotice pode ser transversal à doutrina.

 

Estas vozes da Esquerda preocupam-se com o turismo que "empata" a vida dos lisboetas. Curiosamente, nunca ouvi tais vozes preocupadas com as sucessivas greves do Metro que agora se metamorfosearam em "perturbações de circulação" diárias - e que, por coincidência extraordinária, só se vulgarizaram na época alta do turismo. Não: estas "perturbações de circulação" não "empatam a vida" dos lisboetas.

 

De igual forma, não me recordo de ouvir preocupação nestas vozes da Esquerda pelas obras que constantemente esventram a cidade, interrompem ou desviam o trânsito e enchem, no calor do Verão, o ar de poeiras e cheiros. Não: parece que este frenesim camarário de mostrar obra em antevéspera de eleições não "perturba a vida" dos lisboetas.

 

Tal como nunca ouvi um tremor de ansiedade nestas vozes de Esquerda pelas árvores retiradas para serem substituídas por folclóricas ciclovias com menos uso do que o aeroporto de Beja, ou pelas fachadas de edifícios que se incentiva cobrir de graffitis de estética duvidosa para disfarçar a sua decadência: isto não é nunca, para estas vozes, "desvirtuar a cidade".

 

Nada disto é, parece, perturbador para a nossa vida. Aquilo que realmente empata são os turistas ingleses, franceses, alemães, italianos e etc. que deixam cá o seu dinheiro - e graças ao qual a tragédia da geringonça é levemente maquilhada. Talvez estas doces vozes preferissem que aqueles países se limitassem, simplesmente, a enviar-nos o dinheiro sem qualquer contrapartida - a bem desse conceito tão querido à nossa Esquerda chamado "solidariedade europeia" e que se traduz por partilhar deveres e direitos deste modo: nós ficamos com os direitos e eles com os deveres.

link do postPor João Sousa, às 09:58  ver comentários (1) comentar

26.1.16

Os ciclistas querem ter direito a pedalar em segurança. E os peões querem ter o direito a andar no passeio em segurança sem serem abalroados por ciclistas; e querem ter o direito a atravessar as passadeiras em segurança sem serem atropelados por ciclistas; e querem ter o direito a esperar pelo metropolitano em segurança sem terem de se desviar de ciclistas.

link do postPor João Sousa, às 19:12  comentar

14.10.14

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Há uns meses, o alcaide António Costa queria para si a gestão do Metro e da Carris. Até nisto se percebe a sua incompetência. Pelo que foi evidente nestas últimas semanas, António Costa tem muito mais necessidade - da Transtejo.

link do postPor João Sousa, às 09:56  comentar

26.12.13

Numa empresa em que trabalhei, circulava uma história sobre um nosso colega (e, com um bizarro orgulho, nunca desmentida pelo próprio) segundo a qual após uma noite de farra colectiva, ele terá telefonado perto da hora de almoço a justificar-se por ter faltado de manhã:

 

- Desculpem lá, mas deixei-me dormir e só acordei agora.

 

Ao que lhe responderam:

 

- Está bem, nós já estávamos a ficar preocupados. Mas então e ontem, porque é que não vieste?

 

Veio-me esta história por causa daquilo que leio no Público:

 

Greve dos trabalhadores de recolha faz lixo acumular-se nas ruas de Lisboa.


(Imagem: Público)

 

A minha resposta é: está bem, mas então e nos outros dias todos, qual é a justificação?

 

Quem leia esta notícia do Público, ainda pode ficar com a ideia de que Lisboa, em condições normais, é uma autêntica cidade-sol, rebrilhante de higiene. Claro que basta andar um pouco pelas ruas para se perceber como estamos muito longe dessa ficção. A relação desta gestão(?) camarária com o lixo sempre tem sido bastante disfuncional - a começar pela peregrina ideia de colocar um camião a fazer a recolha do lixo no Chiado a meio da tarde, quando as ruas estão cheias de visitantes e o comércio está no pico.

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link do postPor João Sousa, às 10:02  comentar

26.8.13

Nesta linda cidade:

 

 

Que anda neste estado:

 

 

 

 

A Câmara Municipal de Lisboa anda preocupada com os cães sem trela.

 

 

Tendo mandado afixar dezenas destas placas nos parques e jardins da cidade. António Costa é um visionário!

link do postPor António Pinto, às 12:28  ver comentários (1) comentar

12.8.13

Fernando Seara vai-se candidatar à Câmara de Lisboa; Fernando Seara não se pode candidatar à Câmara de Lisboa; afinal, Fernando Seara sempre se pode candidatar à Câmara de Lisboa...

 

Nisto tudo, o que mais me surpreende não é o imbróglio causado por (mais) uma lei mal elaborada pela nossa deputação. Nem sequer é o prazer assumido com que os juízes se vão tornando cada vez mais parte activa do jogo político.

 

Não: aquilo que mais me surpreende é que depois de reinado e meio de António Costa, os candidatos conhecidos consigam a proeza de não só garantirem a manutenção da nulidade que tem sido a sua gestão camarária, como também que reforce a sua votação!

 

Quais as marcas (cicatrizes será uma palavra mais correcta) do edil Costa em Lisboa? Vejamos: há locais em que o lixo transborda dos contentores como se estes fossem perversas cornucópias. Noutros, manchas de urina decoram as paredes e o seu cheiro acidifica o ar. A cidade é um contínuo estaleiro, e os passeios e ruas cobrem-se de areia e pó, ou lama quando cai um chuvisco, ou lagos quando chove pouco mais do que um chuvisco - pois mais depressa se conseguirá a fusão fria do que, em Lisboa, se resolverá o problema do escoamento da água. A zona dos Anjos tornou-se um prostíbulo a céu aberto. Num claro desrespeito pelo lisboeta ou simples frequentador, passeios vêem-se encolhidos para albergar ciclovias que estão às moscas. Gastou-se mais de meio milhão de euros em experiências de trânsito na Rotunda do Marquês, mas não há uns míseros milhares para recuperar o quiosque da Estrela, que vai entretanto apodrecendo e será - eventualmente - recuperado "o que for possível" (expressão notável).

 

Observe-se a Rua do Ouro.

 

Aproxima-se a campanha eleitoral, e é preciso mostrar alguma obra? Esventre-se, a semanas das eleições, a Rua do Ouro! A obra foi mal planeada, provocando curto-circuitos na cablagem da Carris, e a segurança foi negligenciada, criando dificuldades a uma eventual actuação dos bombeiros? Coincide com o pico do turismo? As lojas vêem-se privadas de dois meses altos de facturação? Os restaurantes lutam com a poeira que lhes entra pela porta, e o ruído que faz vibrar as vitrinas? O visitante, esperando a cidade cuja beleza é elogiada na imprensa internacional, depara-se com o Rossio invadido por vendedores de haxe e uma das ruas comerciais monopolizada pelas máquinas, em que se tem de espremer entre os prédios e as redes das obras? O turista, em vez de ser banhado pela famosa luz de Lisboa, vê o seu reflexo nas pás das escavadoras?

Aos actuais ocupas da Câmara, nada disto interessa. O que interessa é fazer o eleitor esquecer, ele que já tem por génese tão fraca memória, anos de imobilismo quando se devia ter agido, e medidas folclóricas quando seria preferível a inércia. Mostre-se obra ao povo!

 

A câmara de Lisboa, para o alcaide António Costa, não passa, nunca passou e nunca passará de um local de pousio onde aguarda o tempo oportuno para outras aventuras eleitorais (aprendeu com Jorge Sampaio). A sua actuação tem-se pautado por um claro desinteresse, na melhor das hipóteses, e pela mais danosa negligência na pior.

 

Fosse isto um país decente, e o eleitorado uma classe informada e exigente, os Costas, Salgados e Zés não seriam premiados nas urnas pelos seus actos - mas sim sentados nos tribunais.

link do postPor João Sousa, às 19:30  comentar

9.8.13

Uma das coisas que me entedia nas militâncias folclóricas, e em particular nas associadas ao que se convencionou chamar "estilos de vida", é o ar de superioridade moral que exibem. O problema disto é que as ilusões de superioridade moral servem amiúde como justificação para se isentarem do cumprimento das regras comuns - porque se julgam, afinal, num patamar superior da ética. A coisa piora ainda mais quando existe uma classe política pronta a apoiar certas bandeiras a troco do voto destas franjas - e poucos, assim, acabam por perturbar muitos, até porque a sociedade se resignou, a bem do politicamente correcto, a não reagir perante os comportamentos destas minorias folclóricas.


Veja-se o caso dos "ciclistas urbanos". Arrogam-se como solução para o trânsito, para a poluição, até para a saúde pública - e é vê-los, alegremente, a passar semáforos vermelhos, a andar pelos passeios a alta velocidade, a desrespeitar passadeiras (no entanto, ai de um peão que esteja sobre uma das ciclovias quando os cavalheiros pilotam as suas máquinas). Mas são "cool", fazem umas fotografias "radicais", acham-se de Esquerda por se acharem "transgressores" do status-quo. Perante esta gente, logo apareceu um idiota como o Zé-que-nunca-fez-falta a cobrir os passeios de ciclovias praticamente às moscas, e um António Costa que afirma querer substituir os carros por bicicletas - como se tal, pela meteorologia e pela geografia da cidade, fosse uma coisa possível. Quanto mais vêem esta aparente legitimação da sua filosofia pessoal, mais aumenta o fanatismo do pessoal das bicicletas.


Cenário: passadeira no Cais do Sodré, 13h, 6 de Agosto. A passadeira está lá: há um sinal de trânsito a indicar a presença da passadeira; as regras de trânsito estipulam que os peões têm prioridade nas passadeiras; as bicicletas, os seus utentes parecem esquecê-lo, são veículos; sendo veículos, os seus condutores têm obrigação de andar nas faixas de rodagem e seguir as regras do código; os ciclistas, quando montados nas suas bicicletas, são obrigados a respeitar a prioridade dos peões nas passadeiras.


Pois naquele fatídico 6 de Agosto, enquanto várias pessoas já se encontravam sobre a passadeira, um pequeno mamífero, montado na sua bicla, atravessou-a sem sequer abrandar, forçando duas senhoras a saltarem para não serem abalroadas e vários outros peões a imobilizarem-se para que Sua Alteza Bicicleteira seguisse o seu caminho, talvez na direcção de futuros canoros.


Eu próprio estava ainda razoavelmente longe da passadeira em questão. Tenho pena, pois gostaria de ter demonstrado ao ciclista o que pensava da sua conduta.

 

O autor destas linhas, de camisola vermelha, chamando pedagogicamente
à razão um ciclista que desrespeita as regras de trânsito. 

 

E, no entanto, isto teria uma solução fácil. Bastaria que os Zés e os Costas tivessem a coragem de estipular que, se os ciclistas têm direitos acrescidos em Lisboa (pistas suaves exclusivas, subtraídas aos passeios e aos jardins, para darem às perninhas), também lhes seriam exigidos deveres: respeito pelo código da estrada, com coimas em caso contrário, e exigência de uma licença de condução - como é necessário para conduzir qualquer outro tipo de veículo.

link do postPor João Sousa, às 09:44  ver comentários (1) comentar

27.2.13

Numa conversa que tive, há anos, com um vizinho então emigrado em Londres, ouvi dele um arroubo de poesia: "Lisboa tem uma luz muito própria". E depois riu-se do seu próprio romantismo, mas reiterou que há ali uma luminosidade que não se encontra noutras cidades.

 

Não me surpreende demasiado que Lisboa esteja no top-10 das cidades mais belas do mundo. Eu também acho Lisboa uma cidade bonita. Aliás: eu ainda acho Lisboa uma cidade com algumas zonas muito bonitas. E é um testemunho da sua beleza que assim o seja, apesar dos esforços de sucessivos alcaides, com António Costa e respectiva trupe à cabeça, para a enterrar numa eternidade de imundíciefolclore e estaleiros.

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link do postPor João Sousa, às 10:46  comentar

20.11.12

Há quem diga que António Costa nutre um ódio visceral por carros. Discordo. Como nunca vi A.C. afadigar as perninhas gordas nas ciclovias que vai pintando nos passeios, ou espremendo-se num autocarro da Carris ou numa carruagem do metropolitano, inclino-me mais para uma cobiça envergonhada comum nestes burgueses de Esquerda.

 

Costa proibiu (como as gentes de Esquerda adoram o verbo proibir!) a circulação de carros com mais de 12 anos no centro da cidade. Agora, Costa vai instalar em semáforos um sistema de vigilância (como estas gentes de Esquerda adoram o verbo vigiar!) que irá identificar as matriculas dos prevaricadores. A justificação para isto é a omnipresente "qualidade do ar".

 

Que magnífico exercício de hipocrisia! O lisboeta (residente ou de passagem) tem que suster a respiração por causa de um cocktail infernal que se evola da cidade: lixo, dejectos, urina, poeira das constantes obras. E o indizível António Costa pretende-nos salvar - proibindo os Mini.

link do postPor João Sousa, às 12:57  comentar

25.9.12

No mesmo documento onde se percebem 278 juristas na folha de pagamentos da Câmara Municipal de Lisboa, o Má Despesa Pública assinala - 108 coveiros.

 

No Mapa de Pessoal, não há nomes individuais. Quer-me parecer, por isso, que aquele número está incorrecto. Não serão 108 coveiros ao serviço da CML, mas sim 109. Pois o que tem feito António Costa senão enterrar Lisboa?

link do postPor João Sousa, às 10:44  comentar


 
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