A sério que sim
23.7.16

Alguém achou por bem assinalar com pompa e cerimónia os 40 anos do 1º Governo Constitucional. O geronte Soares, por lhe cheirar a adulação, marcou presença e toda uma tropa sinistra acorreu ao beija-mão: o afectuoso Marcelo, António Costa, Ferro Rodrigues, Pinto Balsemão, múltiplos ministros... Se alguém quisesse perceber como este país chegou ao triste estado actual, bastava ter ido ver a plateia: estavam lá o passado, o presente e o futuro da desgovernação de Portugal.

link do postPor João Sousa, às 20:22  comentar

24.1.16

Paulo Portas diz umas coisas vaguíssimas - e a CNE salta logo em defesa dos inocentes eleitores. O velho Soares-pai-do-filho, numas antigas autárquicas, apelou explicitamente ao voto no jovem Soares-filho-do-pai - e a CNE limitou-se a fazer beicinho. Nas últimas legislativas António Costa apelou, de forma bastante implícita, ao voto no seu partido - e a CNE fez de conta que estava a ver as horas.

 

A CNE, como se vê, é muito vigilante - quando lhe apetece.

link do postPor João Sousa, às 18:03  comentar

13.1.16

O governo da esquerda unida, que tem estado a reverter tudo o que foi feito pelo governo anterior (reverte exames, reverte avaliação de professores, reverte cortes, reverte feriados, reverte pagamento de dívida, etc.), não vai reverter "os compromissos assumidos com os colégios privados". Parece que a fúria reversiva pára... à porta do Colégio Moderno.

link do postPor João Sousa, às 13:03  comentar

5.12.15

A história conta-se de uma penada: na tarde de quinta-feira, o carro (pago com os nossos impostos) onde seguia o velho Soares abalroou, ao mudar de faixa, a viatura de uma senhora (jurista na Câmara Municipal de Lisboa). Perante o nervosismo da senhora, o motorista (pago com os nossos impostos), acatando as manifestações de pressa de Sua Alteza Soárica El-Rei D. Soares, atirou displicentemente pela janela um papel com o número de telemóvel (desligado) e largou a toda a brida.

Alguém ouviu alguma coisa de especial sobre o assunto? Com excepção do Correio da Manhã que fez jornalismo sobre ele, alguns outros (poucos) meios de comunicação social limitaram-se a retransmitir cobardemente a notícia como uma pequena nota de rodapé que esqueceram imediatamente. Parece que o JQT (jornalismo que temos) não acha de interesse público que o geronte Soares, que se faz transportar diariamente num automóvel pago por todos nós, incite o seu motorista pago por todos nós a abandonar o local de um acidente que provocou, deixando como única forma de contacto um número de telefone que está sempre desligado. O JQT também não acha relevante que, quando questionada sobre o assunto, a assessora paga por todos nós do Imperador Soares "não tenha nada para dizer".

O JQT também não acha digno de interesse que a senhora jurista da Câmara de Lisboa, que no próprio dia relatara os factos aos jornalistas, tenha algum tempo depois "reflectido" e se mostrasse contra a publicação de notícias, classificando agora como "um pequeno incidente de viação" o que antes a enervara até às lágrimas.

Acontece que a notícia não é sobre um "pequeno incidente de viação". Sê-lo-ia se, a seguir, tivesse acontecido o normal nestas circunstâncias: as partes preencheriam a declaração amigável, trocariam contactos ou esperariam pela polícia. O sucedido, pelo contrário, foi uma das partes, precisamente a parte com "influência", dizer com grosseria que se tinha de "despachar" e abandonar o local de um acidente que acabara de provocar sem manifestar qualquer sinal de preocupação pela condição em que se encontrava a acidentada - ou por aquilo que está escrito na lei.

Noutros tempos, se um azarado ficava esmagado pelo rodado de uma carruagem da nobreza, podia-se dar por satisfeito se um par de moedas fosse lançado pela janela. Hoje, com uma lei que é, supostamente, igual para todos, lança-se pela janela um número de telemóvel incontactável.

Soares é, como sempre foi, intocável. Soares sabe-se acima da lei e do escrutínio público porque o nosso jornalismo, sabujo e obediente, fecha os olhos a todo e qualquer comportamento prepotente e mafioso deste nosso auto-proclamado "pai da democracia".

link do postPor João Sousa, às 22:19  comentar

1.12.15

Os trabalhadores (serão mesmo?) do Metro irão fazer três dias de greve parcial na próxima semana, de 9 a 11. Curiosamente, são os dias a seguir ao feriado, mas não vamos lançar suspeições de conveniência. Ora é o PS que está no governo - mas não dizia o geronte Soares, ainda há meio ano, que "com o PS no governo não haveria mais greves"?

link do postPor João Sousa, às 16:58  comentar

12.5.15

O caduco e, pelos vistos, inimputável Soares afirma que qualquer pessoa lúcida reconhece que José Sócrates deve ser posto em liberdade quanto antes e com os devidos pedidos de desculpa. Eu acho que são devidos pedidos de desculpa, sim - mas é por não ter sido seriamente investigado antes. E, já agora, a mesma necessidade de investigação aplica-se a muitas pessoas que andam por aí a exigir a sua libertação.

link do postPor João Sousa, às 11:31  comentar

2.5.15

Sampaio da Nóvoa avança para Belém "inspirado em Soares e Sampaio". O proto-candidato vê neles "um legado de liberdade e uma herança que temos a obrigação de honrar e de renovar". Sim: Soares, o cavalheiro que passou um mandato a fazer campanha contra o Governo de Cavaco Silva ("o gajo") e não descansou enquanto não viu o seu PS no governo; Sampaio, o cavalheiro que geriu a sua agenda e arranjou uns pretextos manhosos para deitar abaixo um governo maioritário, só descansando quando viu o seu PS no governo. Soares deu-nos Guterres; Sampaio deu-nos Sócrates; Sampaio da Nóvoa quer-nos dar António Costa.

 

Talvez seja a isto que se costuma chamar "pesadas heranças".

link do postPor João Sousa, às 08:44  comentar

21.1.15

Com o recuperar da credibilidade nos mercados, o Governo consegue antecipar o pagamento do empréstimo do FMI. Com a queda do preço do petróleo, as previsões para o crescimento económico, que já permitiam algum optimismo, tornam-se ainda melhores.

 

Talvez por isto o velho Soares se mostre tão desejoso de uma vitória do Syriza nas legislativas gregas. Da sua perspectiva, nada melhor do que uma Grécia entregue à bicharada para (re)lançar o caos na Europa e boicotar aquilo que se conseguiu com tanto esforço.

link do postPor João Sousa, às 17:33  comentar

8.12.14

A TVI24 entrevistou ontem o jornalista Joaquim Vieira, autor da biografia não autorizada "Mário Soares - Uma Vida". De tudo o que foi dito, uma frase em particular ficou-me na memória pela economia de palavras e absoluta pontaria:

 

"Mário Soares sente-se dono deste regime".

 

A minha primeira intenção era apresentar Joaquim Vieira como o jornalista que melhor percebe Mário Soares. Contudo, não estaria a ser correcto se o fizesse. O ponto principal é que TODOS sabem muito bem a classe de pulha que o velho Soares é e sempre foi: um político (na mais baixa acepção da palavra) sem outro móbil que não seja o seu próprio interesse (pessoal e de carreira); alguém que olha para a actividade política apenas como um jogo de salões, em vez de como um serviço à comunidade.

 

O que me desilude e desiludiu na corporação do jornalismo é isto. Todos sabem do nevoeiro de mitos que a figura soária construiu à sua volta - e sabem-no porque permitiram e, em certas alturas, contribuiram mesmo para tal. Todos conhecem os negócios de bastidores feitos ou facilitados por Soares em seu prol, em prol do seu séquito de trafulhas e em prol do partido. À corporação de jornalistas nunca pareceu fazer confusão, por exemplo, o sumiço de toda a edição de um livro que desmascarava as actividades subterrâneas de Soares e do seu PS. O próprio Joaquim Vieira, quando menciona estas questões, fá-lo com um encolher de ombros impotente.

 

"Mário Soares não gosta dessa faceta da sua biografia e irrita-se muito quando alguém a aborda"

 

e por isso ninguém a aborda, ninguém o recorda, ninguém fala das malas de dinheiro que vinham a pedido; ou do cortejo de ilustres quadros do partido que visitava os escritórios das empresas de "import/export" angolanas; ou do sumiço de primeiras edições; ou da extinção da revista Grande Reportagem, então propriedade do "amigo Oliveira", por o seu editor - o próprio Joaquim Vieira - ter-se permitido recordar o passado cinzentíssimo de Soares.

 

Os jornalistas não o recordam porque não querem perder o lugar privilegiado à mesa do dinossauro; não queriam desperdiçar a oportunidade de uma "cacha" cedida por este velho intriguista; ou, simplesmente, porque para uma classe maioritariamente de Esquerda, um pulha "dos seus" é um pulha bom.

 

Os jornalistas não escrutinam e não escrutinaram - e a corte que rodeia este nosso reizinho de opereta comporta-se como se o passado não existisse e o antigo Soares fosse um farol de ética e sabedoria, um Buda à portuguesa.

 

E, no entanto, aconteceu. No entanto, continua a acontecer. Sócrates não foi uma mancha que surgiu do nada. Sócrates é, pelas suas acções e estilo de vida, o mais lídimo seguidor da cartilha soárica. E eu pergunto-me se José Sócrates existiria como existe se a corporação de jornalistas, em tempo próprio, não tivesse compactuado com a impunidade de Soares, evitando assim que uns quantos marginais se achassem "donos deste regime".

link do postPor João Sousa, às 18:41  comentar

28.11.14

Maria João Avillez, no seu texto de ontem no Observador, escreve:

Soares nunca “se” impediu nada.

Eu não discuto a justiça disto, mas acho incompleto. Deveria antes ser:

Soares nunca "se" impediu nada e a Soares nunca se impediu nada.

link do postPor João Sousa, às 12:53  comentar


 
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