A sério que sim
1.7.16

São publicados textos a explicar as duas razões que tramaram Miguel Relvas - e depois mencionam apenas uns detalhes jurídicos.

 

Sejamos honestos. As duas razões que tramaram Miguel Relvas foram: termos um primeiro-ministro chamado Pedro Passos Coelho que, perante dúvidas sobre o currículo académico do seu braço-direito político, deu carta-branca ao ministro da Educação para fazer uma investigação séria; e termos um ministro da Educação chamado Nuno Crato que, incumbido de tal tarefa, não hesitou em agir em conformidade e decretar a nulidade do diploma daquele que era - repito - tão somente o braço-direito político do seu primeiro-ministro.

 

Comparemos: quando o currículo académico do primeiro-ministro Sócrates esteve sob escrutínio, ele "ordenou" ao ministro Mariano Gago uma "investigação" - e este inventou uns pretextos manhosos para fechar a universidade em questão e enterrar as informações relacionadas com o caso.

 

No fim de tudo, o que fica é isto: durante quatro anos tivemos um primeiro-ministro e um ministro da Educação íntegros; nos seis anos antes, tivemos um manhoso como primeiro-ministro e um pau-mandado como ministro do ensino superior.

link do postPor João Sousa, às 12:52  comentar

8.7.12

Este caso Relvas também contribui para perceber (se alguém ainda tinha dúvidas...) a moral que rege a Esquerda que se movimenta no arco do Poder. Os socratistas não se chocam com a hipotética pulhice de Relvas; apenas se deliciam por os seus adversários, afinal, poderem ser tão pulhas como eles próprios. Ou seja, aquela gente não tenta invocar ou aparentar um comportamento acima de suspeitas; satisfaz-se apenas em apontar que os adversários também não conseguem evitar meter a mão no pote das bolachas.

 

Isto é o grau zero dos intérpretes da política, e mostra como não se pode esperar nada da Oposição.

link do postPor João Sousa, às 18:00  comentar

Quem me conhece, sabe qual a minha opinião sobre Miguel Relvas. Até já a expressei aqui: nunca senti particular simpatia pela pessoa. Há uns meses, escrevi "que me recorda demasiado esse personagem daninho do socratismo chamado Pedro Silva Pereira". Com esta história da licenciatura-do-dia, pode haver quem me queira acusar de imprecisão: que seria Sócrates o modelo na chico-espertice, não o seu Marechal-de-Campo Silva Pereira. A esses, eu respondo: e não são Sócrates e Silva Pereira almas gémeas e indistinguíveis?

 

Nesta algo sórdida história da licenciatura-Novas-Oportunidades, percebe-se um sistema que parece nortear o percurso desta nova geração de políticos formados nas juventudes partidárias: primeiro a carreira política, depois os amiguismos, só depois uma formação académica martelada graças a quem se foi conhecendo. Formação académica, ressalte-se o pormenor, obtida por norma numa faculdade privada.

 

Pode-se argumentar que há algumas ligeiras diferenças entre os canudos de Sócrates e Relvas. No primeiro caso, talvez existam potenciais aleijões à Lei, com faxes, carimbos, assinaturas rasuradas, datas que não correspondem, telefones que ainda não existiam, papéis passados ao Domingo. No segundo, por pouco ético que seja, parece apenas tratar-se da utilização ao extremo de uma ideia original e legislação que se prestam aos abusos. E parece mesmo que Relvas fez alguns exames, o que significa que alguém o deve ter visto por lá.

 

A questão fulcral é esta: são pormenores. A obtenção de equivalências graças a "experiência profissional", se já custa a engolir no Ensino normal com as fársicas Novas Oportunidades, parece-me particularmente indigesta numa licenciatura ou mestrado.

 

Por isso, eu questiono-me: os tais "catedráticos" que, segundo o DN (sem link), se insurgem contra estas "licenciaturas como a de Miguel Relvas", também se insurgiram contra as "licenciaturas como a de José Sócrates". E quando Bolonha apareceu, também se insurgiram? É que se não o fizeram então - não me parece terem grande moral para o fazerem agora.

link do postPor João Sousa, às 17:32  comentar

21.6.12

A ERC votou o caso Relvas como eu já esperava: os nomeados pelo PS queriam-no punir e os nomeados do PSD queriam-no ilibar. Dá vontade de perguntar o porquê de a ERC existir. Podia ser substituída com economia de meios por uma calculadora.

 

Entretanto, o Público fala no assunto... Público. Acho sempre interessante quando um jornal é notícia de si próprio. Bárbara Reis, directora, diz que

 

"(...) a ERC dá por provado apenas aquilo onde existe uma coincidência entre as partes. Em tudo o que não há rigorosa coincidência, a ERC dá por não-provado. Ora, isto não faz sentido pois é aí que está, justamente, o âmago da questão – houve ou não pressões inaceitáveis do ministro Miguel Relvas sobre o PÚBLICO? Mantemos que sim, como de resto desde o primeiro momento."

 

Traduzindo por miúdos, a directora do Público diz que a ERC dá razão ao jornal em tudo o que foi possível apurar como prova; quando houve conflito de versões, e não sendo possível apurar para lá de qualquer dúvida o que aconteceu na realidade, a ERC optou por ilibar o acusado; e a directora Bárbara Reis achou mal.

 

Ora eu, vá lá saber-se porquê, sempre achei interessante como a "presunção de inocência" é considerada um valor civilizacional ou um empecilho - conforme os seus recipientes. No caso Relvas, a directora Bárbara Reis pretendia isto: há conflito de versões, é a palavra de um contra a palavra de outro, não é possível obter provas, logo a ERC devia acreditar piamente em si e considerar Relvas um supino mentiroso, logo Relvas é culpado. Porque os jornalistas de política são seres impolutos e a sua palavra deve ser considerada letra de lei.

 

Um dos meus problemas com um certo tipo de jornalista é que, intimamente, todos querem o seu Watergatezinho pessoal.

link do postPor João Sousa, às 09:38  comentar


 
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