A sério que sim
27.11.13

 

Depois de tudo o que tem acontecido, a última coisa que os portugueses merecem é conviver com a invasão mediática, na mesma semana, de sombrias personagens como Otelo, Vasco Lourenço e Mário Soares debitando os seus disparates.

 

Levados, quiçá, pelo dissipar da virilidade própria de outras idades, falam de violência, murros e tiros como quem navega na sua própria realidade. As suas afirmações são, no entanto, para levar mais a sério. Seria, concordo com o João, benevolente justificar estes apelos primitivos com o irremediável declínio mental que se apodera destas personalidades.

 

Estão, porém, desfasados da realidade. Não vivem já no país tumultuoso que um dia conheceram e tudo lhes permitiu. São olhados com complacência, da mesma forma que se encaram dois velhos aldeões disputando, à bengalada, um qualquer metro de terra.

link do postPor António Pinto, às 15:47  comentar

18.10.12

A Lusa foi ouvir Otelo (a que propósito se lembraram dele? Irão ouvir todos os loucos no Júlio de Matos?). Este diz que a revolução está iminente e termina:

 

"Tal como lhe disse em novembro do ano passado, com 800 homens eu fazia uma operação militar e mudava o regime. Mais do que mudar o governo, é preciso mudar o regime".


Sim, nós já percebemos que o problema de Otelo é mesmo o regime - esta coisa da democracia é uma chatice.

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link do postPor João Sousa, às 11:39  comentar

24.4.12

Quando se é jovem e ainda se acredita nos dias, têm-se visões de grandeza: Amor, Glória, Fortuna. Mas o Tempo é um bom professor. Hoje, limito-me a ambicionar que o envelhecimento me seja mais digno do que foi o de Soares e Alegre.

 

Egomaníacos, ainda os veremos a fazer ski-aquático para captar umas páginas de jornal. Por agora, basta-lhes solidarizarem-se com os "militares de Abril" que se recusam a participar nas sessões solenes de amanhã porque

 

"O poder político que a(c)tualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores."

 

Pelo que se infere dos seus discursos recentes, "os ideais e os valores" que guiaram gente como Otelo e Vasco Lourenço a fazer o 25 de Abril prefiguram um conceito algo maleável de Democracia. É irónico que estes senhores, que derrubaram o Estado Novo para - supostamente - vivermos em democracia, parecem incapazes de aceitar uma das suas consequências: que sejam outros, com posições ideológicas diferentes, a conquistar mais votos em eleições livres. Eleições livres, para Otelo e Lourenço, parecem só ter como resultado possível aquele que lhes convém.

 

Do nefelibata Alegre, tudo é expectável - portanto nada pode surpreender. De Soares, e do seu ego com gravidade jupiteriana, também não se pode esperar nada. Há muito que se tornou óbvia a verdadeira motivação para que se opusesse a uma putativa ditadura comunista no pós-25 de Abril: maior palco de influência para a sua augusta pessoa e o seu grupo. Que tal fosse menos maligno para o país - tal foi um simples acaso menos infeliz.

 

Já de Sampaio, confesso, esperava melhor. Por muito inútil que sempre o tenha achado, pensava-o com alguma genuinidade. Mas fazer depender a presença da "sua agenda internacional" parece mostrar que, também para ele, este dia tem um simbolismo muito relativizável.

 

E assim temos que aqueles que se preparam para celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, são precisamente aqueles que estão "contra os seus ideais e valores" - nas palavras dos que o fizeram, supostamente em nome desses "ideais e valores", mas se recusam agora celebrá-los na "casa da democracia".

 

link do postPor João Sousa, às 11:20  comentar

15.3.12

Ouvi no passado, tal como ainda continuo a ouvir em determinados círculos, que "a nossa democracia existe graças a Otelo". É uma evidência que, naquela frase, deve fazer-se a substituição de um substantivo por um advérbio: "a nossa democracia existe apesar de Otelo".

 

Otelo teve um papel inegável no abanar da árvore de onde pendia, como fruto já apodrecido, o Estado Novo. Numa das ironias em que a vida é fértil, desde esse momento que o Otelo aspirante a actor se tornou, isso sim, num personagem Otelo: um personagem ora trágico, ora sinistro, ora patético.

 

Felizmente, o cidadão comum dá hoje a Otelo a mesma importância que dá aos restantes velhos loucos que gritam, no Metro ou nos jardins públicos, as suas psicoses.

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link do postPor João Sousa, às 11:17  comentar

19.1.12

Otelo Saraiva de Carvalho mostra-nos, aqui, posições curiosamente paradoxais, em especial esta:

"Quanto ao teor das suas declarações, que já provocaram polémica por serem entendidas como um apelo ao tumulto, o 'militar de Abril' defende que a 'Revolução dos Cravos' teve como um dos seus objetivos garantir-lhe precisamente esse direito: "O de poder dizer as alarvidades que eu quiser, porque o que eu digo é a minha opinião e, num país livre, eu não posso ser condenado por expressá-la".


Examinando as palavras deste homem com alguma minúcia, esbarramos com a seguinte idiossincrasia: Otelo acha que um golpe militar lhe deu a liberdade para instigar outros golpes militares, ainda que a ideia seja classificada pelo próprio como uma "alarvidade". Temos, aqui, um vislumbre da extrema complexidade intelectual deste homem. Uma pequena afirmação, que contém três ou quatro conceitos que se incompatibilizam e ridicularizam entre si. Otelo precisa de acordar do sono profundo em que entrou por alturas do PREC e do verão quente de 75 e perceber que a incitação ao tumulto e à insurreição seja de que sector da sociedade for é um crime grave, justamente punido por lei. Existe, no entanto, a muito provável atenuante da inimputabilidade...

link do postPor António Pinto, às 09:37  ver comentários (1) comentar

14.11.11

As palavras tontas de "otolo" saraiva de carvalho chamaram para si mais atenções do que aquelas que o pobre senhor alguma vez poderia ambicionar ter nesta altura da sua vida. Esquecido pelos mais velhos, desconhecido dos mais novos, em desespero de causa, proferiu atoardas que, caso existisse em Portugal um verdadeiro Estado de Direito (o tal que o velho capitão tanto proclama), o levariam, segura e merecidamente, ao banco dos réus.

 

Foram variadas as declarações de repúdio por um claro incitamento à revolta por parte daqueles que devem, ou deviam, ser o primeiro garante da segurança nacional. Nem militares, nem políticos, nem a minha vizinha de 80 anos que tem um canário perderam a oportunidade de, directa ou indirectamente, chamar a otelo aquilo que ele é: parvo. E, já agora, lembrar-lhe que os bons velhos tempos já passaram: hoje em dia, o Campo Pequeno é uma praça de espectáculos, nada mais.

 

É o canto do cisne, o anúncio de que o protagonismo de uma das figuras mais sombrias da história do Portugal contemporâneo está a desvanecer-se. Finalmente, acrescento eu.

link do postPor António Pinto, às 09:34  comentar


 
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