A sério que sim
15.4.16

praça hugo chavez.jpg

Desde terça-feira que temos na Amadora uma praça Hugo Chavez. Surpreendido, eu? Nem por isso. Estamos num país onde existem ruas Otelo Saraiva de Carvalho, obreiro-mor das FP25, mas não há (tanto quanto eu saiba) uma rua Gaspar Castelo Branco, assassinado pelas mesmas FP25 à porta de casa com um tiro na nuca. Não há uma rua, uma praça, uma praceta, nem sequer um envergonhado beco em honra de um funcionário do estado abatido a tiro por terroristas (porque não há que fugir à palavra: terroristas) por defender a lei. No entanto, há uma praça em honra de um ditador que prendeu opositores, fez da liberdade de expressão uma miragem e deixou na miséria um país sentado em petróleo.

link do postPor João Sousa, às 09:48  comentar

31.10.14

O António questiona-se sobre como foi possível a reeleição de Dilma. Eu não tenho respostas definitivas - mas sempre vou dizendo que não chamamos aos brasileiros "povo irmão" por acaso. Os brasileiros, apesar de todas as evidências, votaram pela manutenção do petismo; os portugueses, apesar de todas as evidências, mostram-se dispostos a votar o regresso dos socráticos. Onde está a diferença?

link do postPor João Sousa, às 10:05  comentar

1.7.13

O advogado que defendeu (ou, pelo menos, tentou defender) Paco Bandeira no caso de violência doméstica - foi agora condenado por violência doméstica.

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link do postPor João Sousa, às 10:05  comentar

11.5.12

A acreditar no jornal Sol, Isaltino Morais já não pode ser chamado corrupto - apesar de ter sido julgado e provada a sua culpa.  Uns advogados manhosos, pagos regiamente, encontram sempre forma de anular condenações por "irregularidades processuais" (expressão que entrou em definitivo no léxico português). E entretanto houve prescrição, não podendo ser feito novo julgamento. Palpita-me que algo semelhante se vai passar no caso Face Oculta. E se fossem investigados Sócrates e os seus corsários, a mesma coisa.

 

Se isto não muda, é todo um país que vai prescrever.

link do postPor João Sousa, às 12:56  ver comentários (1) comentar

1.4.12

O Homem, criatura que se atribui (sem corar) o título de "único animal racional", desmente-se continuadamente em relação à racionalidade e esquece-se da sua animalidade - enquanto pratica esta de forma infrene.

 

Hoje, percorri na transversal o Jornal de Notícias online. É um verdadeiro desfilar de horrores. Tal como Dante, descemos ao Inferno e vemos a corrupção, a loucura e a podridão que existem neste nosso pequenino rectângulo de mundo.

 

Aqui, um idoso de 73 anos tentou agredir a tiro e à martelada uma vizinha que fazia mudanças às 10 da noite. Já não se acredita na existência de uma Autoridade que nos proteja da insensatez e da falta de civismo: responde-se - de forma algo desproporcionada, diria eu - com um martelo e uma pistola apontados à cabeça.

 

Aqui, um bancário (estamos a falar de um director de banco, não de um trolha avinhado ou de um cavador de batatas algures numa quinta isolada) violou e agrediu a filha adoptiva, de forma sistemática e ao longo de sete anos. O notável cavalheiro justifica-se afirmando que se apaixonou pela criança e que ela também "queria" ter sexo com ele. A jovem tem hoje quinze anos: se a matemática não me falha, este gentil-homem iniciou os abusos (ou, segundo ele, "apaixonou-se") quando ela tinha oito anos. Eu repito: 8.

 

Aqui, o língua-de-pau Manuel Tavares, director do jornal, faz um ridículo exercício de revisionismo: apresenta-nos um Sócrates trágico e injustiçado, um Sócrates tão paralelo à realidade que conhecemos que se diria resgatado a um outro universo. O Sócrates que Manuel Tavares nos pintou no Sábado (logo, não penso ser uma brincadeira de Dia das Mentiras) foi "um líder demasiado forte", um líder temido e detestado por aqueles homens menores que eram incapazes de acompanhar o seu "trabalho intenso para estar informado". Um Sócrates que criou adversários no interior do seu partido por procurar fora dele "pessoas e instituições que o ajudassem a concretizar as suas políticas" (vêm-me à memória três exemplos desse escol: Armando Vara, Joe Berardo, JP Sá Couto). Um Sócrates que "nos últimos meses de governação (...), quando já declarara a absoluta necessidade de atacar a dívida acumulada bem como as despesas de funcionamento da Administração Pública" (dívida e despesas pelas quais, fico em crer, Manuel Tavares não imputa qualquer responsabilidade aos desmandos desse Übermensch chamado José Sócrates), foi traído por "passarões especialistas em usar e abusar dos cartões de filiação partidária" que "desataram a arranjar empregos para a vida a familiares e amigos ou a concluir negócios improváveis à luz da falta de dinheiro e dos sacrifícios que a crise já prometia". Foi assim que se passou, remata o oráculo Tavares, o pitoniso Tavares.

 

Para quê deprimir por um passado que já não pode ser corrigido? Este presente é grotesco o suficiente para o fazer pelos seus méritos - com a (des)vantagem de ser alheio.

link do postPor João Sousa, às 13:07  comentar

9.3.12

Soares tarda em perceber que já não é ninguém. Dissimula, teimosamente, a sua insignificância com artigos como este, publicado no El País. Traz à luz, mais uma vez, como tem sido seu apanágio nos últimos tempos de liderança da oposição em Portugal, ideias erradas, perversas e francamente falaciosas. Diz, como sempre disse, as maiores atoardas sem que seja, como nunca foi, responsabilizado pelas mesmas.

 

Ao afirmar que Portugal devia seguir um caminho parecido com o espanhol (alívio das metas do défice sem consultar a UE), o provecto cidadão esquece-se dos mais variados factos importantes: Portugal não é Espanha, não tem a margem de manobra que Espanha tem e, lamentavelmente, os portugueses demoraram muito mais tempo a perceber que estavam a ser comidos por dentro por uma corja política sem escrúpulos e sem pudores; Espanha não está sob um programa de apoio externo que obriga, como o cidadão soares deveria saber, ao cumprimento restritivo de determinadas metas económicas; Espanha tem uma economia muito mais pesada do que Portugal, muito mais importante no cenário macro-económico ocidental, o que lhe dá um certo "à-vontade" e uma alavanca negocial que Portugal já perdeu no século XVII.

 

Alheio a tudo isto (que interessam os dados objectivos da realidade, quando apenas servem para atrapalhar a credibilidade do discurso do maior buda do socialismo português?), continua este cidadão (que, convém lembrar, foi o responsável pela primeira película da série "Troika em Portugal") a largar as suas "bujardas" onde e como lhe aprouver. É um ser sem importância, não mereceria sequer este insignificante post não fosse pela mais flagrante hipocrisia que insiste em exibir. 

 

Já se sabe que soares é esquecido, mas o povo não deveria ser...

link do postPor António Pinto, às 11:59  comentar

14.11.11

As palavras tontas de "otolo" saraiva de carvalho chamaram para si mais atenções do que aquelas que o pobre senhor alguma vez poderia ambicionar ter nesta altura da sua vida. Esquecido pelos mais velhos, desconhecido dos mais novos, em desespero de causa, proferiu atoardas que, caso existisse em Portugal um verdadeiro Estado de Direito (o tal que o velho capitão tanto proclama), o levariam, segura e merecidamente, ao banco dos réus.

 

Foram variadas as declarações de repúdio por um claro incitamento à revolta por parte daqueles que devem, ou deviam, ser o primeiro garante da segurança nacional. Nem militares, nem políticos, nem a minha vizinha de 80 anos que tem um canário perderam a oportunidade de, directa ou indirectamente, chamar a otelo aquilo que ele é: parvo. E, já agora, lembrar-lhe que os bons velhos tempos já passaram: hoje em dia, o Campo Pequeno é uma praça de espectáculos, nada mais.

 

É o canto do cisne, o anúncio de que o protagonismo de uma das figuras mais sombrias da história do Portugal contemporâneo está a desvanecer-se. Finalmente, acrescento eu.

link do postPor António Pinto, às 09:34  comentar

10.11.11

Começou hoje a discussão na generalidade do Orçamento de Estado na Assembleia da República. Passos, rodeado de uma equipa jovem e competente, frequentemente acusada de ter falta de experiência política (o que, tendo em consideração o fosso que os nossos políticos experientes escavaram ao longo das últimas décadas, me soa ao mais aberto dos elogios), tem feito o que é preciso fazer. Tirar o Estado de cena enquanto player, liberalizar o mercado, abri-lo ao investimento externo sem obstáculos volumosos e poeirentos, impor ao Estado e, consequentemente, ao País, uma dinâmica de despesa que não ultrapassa o rendimento, são passos essenciais para recolocar Portugal no sítio em que um dia esteve.

 

O actual ajuste, "empobrecimento", como lhe chamou o PM, é absolutamente indispensável, apenas colhendo de surpresa os incautos dada a Matrix em que temos vivido: os portugueses serão, ainda este ano, o povo da Europa com maior nível de consumo per capita na altura do Natal. Almoços fora todos os dias, jantares fora com regularidade, férias gloriosas todos os anos... nada disso é compatível com uma economia verdadeiramente sustentável. É lamentável que tenhamos vivido inebriados pelo crédito fácil ao longo de tantos anos, alimentados por uma máquina de propaganda de fazer inveja ao Terceiro Reich.

 

A factura chegou!

 

link do postPor António Pinto, às 14:25  ver comentários (7) comentar


 
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