A sério que sim
24.7.14

No Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves diz das PACC realizadas pelos professores:

 

Estas "provas" são humilhantes até para um analfabeto funcional, quanto mais para pessoas que completaram, pelo menos, licenciaturas. 

 

Discordo dele (vem acontecendo com maior frequência). Humilhante, para um professor, será não conseguir passar numa prova que pouco mais é do que de cultura geral básica. Para a "classe dos professores", devia ser (mas não é!) humilhante a defesa da manutenção no seu seio de elementos incapazes de obter aprovação numa prova destas. Finalmente, para o nosso sistema de ensino, devia ser humilhante gerar licenciados tão abaixo de "analfabetos funcionais" que não consigam aprovar nesta prova.

 

O Ensino é algo demasiado importante para se fazerem as coisas pela metade. Esta prova vem tarde. É uma prova a posteriori, quando devia ter sido a priori. Repito algo que escrevi neste blogue: eu não encaro esta prova como um meio de determinar quais os professores que deixarão de dar aulas. Esta prova, para mim, é um meio de determinar quais os professores que nunca deviam ter dado aulas. E, pessoalmente, aguardo a divulgação dos resultados com alguma curiosidade.

link do postPor João Sousa, às 12:45  comentar

19.12.13

Se Engenheiros, Arquitectos, Advogados e outras classes profissionais têm que prestar provas a uma Ordem de que são capazes de o ser, porque raio os professores (propositadamente com letra minúscula) não o hão-de fazer também? A verdade é que, bem ou mal, as Ordens de Engenheiros, Arquitectos e etc. pretendem zelar pela qualidade dos que usam esses títulos. Já Mário Nogueira e correligionários não parecem ter o mínimo interesse na qualidade dos seus associados - antes pelo contrário, como se pôde ver, quanto piores melhor.

link do postPor João Sousa, às 10:15  comentar

O dinâmico António José Seguro tenta, como qualquer outro invertebrado o tentaria fazer no seu lugar, cavalgar esta onda de protestos dos professores. Ontem, afirmou:

 

Ninguém compreende que ao fim de três ou quatro anos de se estar a lecionar tenha de se fazer uma prova e que duas horas de exame determinem se uma pessoa continua ou não a lecionar numa escola.

 

Concordo com a primeira parte do seu argumento. Realmente, não compreendo como se demoram três ou quatro anos para prestar provas de aptidão para o ensino - isso devia ser feito ANTES de se começar a dar aulas. Quanto ao exame, Seguro está a ver a coisa ao contrário: as duas horas de exame, na minha opinião, não servem para determinar se uma pessoa continua ou não a leccionar numa escola - servem para determinar se essa pessoa ALGUMA VEZ devia ter leccionado.

 

O líder do PS defende que não faz sentido um exame para professores que já estão a lecionar (...)

 

Certo. Para Seguro, se alguém está a realizar um determinado trabalho (bem ou mal, parece não lhe interessar), não tem que prestar provas de capacidade para o fazer. Pelo mesmo argumento, poderia dizer que Artur Baptista da Silva não tem que provar ser economista - pois já fez de conta que o é.

 

Numa coisa concordo com Seguro: esta prova é injusta. Para mim, a prova, tal como avançou, representou um recuo lamentável de Nuno Crato. Seguro diz "compreender que para se aceder a uma profissão se possa exigir um conjunto de condições para saber se a pessoa o pode fazer para além das habilitações que obteve" (e, portanto, parece estar de acordo com a realização de uma prova deste género), mas não compreende porque se exige aos docentes com cinco ou menos anos de profissão. "Porque é que se aplica aos de cinco anos e não aos de seis ou sete ou aos de quatro»?", perguntou o líder socialista, que classifica esta prova de injusta. Eu também a acho injusta, mas não a limitaria aos seis ou sete anos. Todos os professores a deviam realizar - a começar por aqueles que são avaliados com um Bom sem darem uma aula há décadas.

 

Mas claro, com Seguro e o PS sempre dispostos à demagogia e ao desleixo, se a prova é injusta por apenas alguns a fazerem - ninguém a faz.

link do postPor João Sousa, às 09:46  comentar

Em Guimarães, professores/manifestantes insultaram colegas que faziam a prova e tentaram invadir as salas onde esta decorria. Em Almada, professores/manifestantes partiram os vidros da frente da escola Emídio Navarro (este caso, por razões pessoais, provoca-me especial revolta).

 

Que moral pode esta gente invocar?

link do postPor João Sousa, às 09:25  comentar

18.12.13

O conceito de democracia e liberdade individual que Mário Nogueira e acompanhantes têm é este:


Fonte: Público
link do postPor João Sousa, às 18:39  comentar

15.9.13

Os professores só querem o bem das nossas criancinhas. Os professores que, de olhos salientes e espuma aos cantos da boca, berram nas manifs contra toda e qualquer ideia vinda do ministério, só querem que os deixem cumprir a sua vocação - serem professores - e ensinar as criancinhas. Os professores que, nas manifestações, agitam bandeiras da Fenprof mas nunca - nunca! - a fotografia de um aluno, fazem o que fazem e reivindicam o que reivindicam apenas com o supremo interesse dos alunos em perspectiva.

 

Quando é pedido ao professor que esteja mais horas na escola - no fundo, que esteja tanto tempo no seu posto de trabalho como outra pessoa qualquer -, o professor desatina, pois é no aconchego do lar que melhor presta o seu serviço aos alunos.

 

Quando é pedido ao professor que faça um exame de aptidão, barafusta - pois é a manutenção de professores medíocres que melhor defende o ensino de qualidade.

 

Quando é pedido que se examine, no final do ano lectivo, a progressão dos alunos, o professor esperneia - pois será certamente mais eficaz que as criancinhas saltitem de ano em ano num ambiente de dolce far niente.

 

Os professores querem que os deixem ser professores - não estando na escola, não prestando contas da sua capacidade para o serem, não examinando os alunos.

 

Os professores não colocados querem que os deixem ser professores - colocados numa escola sem ter uma única turma.

 

Pois os professores, aqueles que não pensam em mais nada senão em como prestar um ensino de maior qualidade - vão, às centenas, ausentar-se das escolas para participarem na campanha eleitoral.

 

Deixá-los ser professores? Cada vez mais me parece necessário obrigá-los a serem professores.

link do postPor João Sousa, às 14:12  comentar

18.6.13

Quem ouça, veja ou leia blogues da esquerda, ou comentadores da esquerda, ou gente da esquerda, vê sempre o mesmo tipo de narrativa: que os professores são vítimas, que estão a defender as crianças, que o Ministério e Nuno Crato são teimosos e radicalizaram o discurso, etc, etc. Ferreira Fernandes, por exemplo, diz que Nuno Crato "escolheu" a altura dos exames para confrontar os professores.

 

Talvez fosse bom que não se deixasse um pormenor cair no esquecimento ou, pior, tornar-se mentira de tanto se dar a entender o oposto: foram OS PROFESSORES que marcaram greve para um dia em que estavam planeados exames - não o Ministério que marcou os exames para um dia de greve. Quem é que escolheu os exames para confrontar quem?

link do postPor João Sousa, às 13:36  comentar


 
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