A sério que sim
23.1.18

João Abel de Freitas, economista (o que quer que isso signifique hoje em dia) que publica regularmente no Jornal Económico, diz-se apreensivo. Apreensivo, diz-se ele, pelo destino dos CTT e da TAP privatizados (curiosamente, não se diz apreensivo por um sistema de Saúde e por uma Educação em pantanas consequência das cativações públicas). O problema (bom, um dos muitos problemas) de todo aquele longuíssimo texto ideológico de João Abel de Freitas é que parte logo de uma falácia repetida até à náusea pelos esquerdistas:

"O governo anterior privatizou os CTT, contra tudo o que era inteligente, actuando apenas numa base ideológica, camuflando-a de eficiência económica e de melhoria de serviços. Na realidade, havia uma fome de privatização."

Eu sei perfeitamente que um esquerdista nunca se desdiz perante essa coisa menor chamada "factos", mas aqui vai um excerto de uma notícia publicada em Maio de 2011 (ainda era governo o PS de Sócrates que tinha acabado de assinar o acordo com a troika):

"Plano prevê receitas de 5,5 mil milhões em privatizações. Da lista de empresas a vender estão a já previstas pelo Governo: ANA, TAP, CP Carga, Galp, EDP, REN, CTT, Caixa Seguros e algumas participadas do Estado de menor dimensão"

Uma mentira dita mil vezes nunca se tornaria verdade - se houvesse uma comunicação social realmente preocupada com a verdade.

link do postPor João Sousa, às 10:21  comentar

28.1.16

António Costa diz que esta visita da troika "não tem nada a ver com as visitas anteriores". Tem razão. As anteriores serviam para acompanhar a saída da bancarrota; esta e as próximas vão servir para acompanhar a (re)entrada em bancarrota.

link do postPor João Sousa, às 11:18  comentar

17.9.15

João Miguel Tavares escreve no Público:

Andar a discutir quem chamou a troika é, mais uma vez, iludir aquilo que deveria estar a ser discutido nesta campanha: porque é que ela veio e o que fazer para que não volte.

Passando por cima de JMT, com muita cordialidade profissional, mencionar de passagem a manchete de ontem do jornal onde escreve mas não a sua extrema criatividade, o que ele escreve é muito correcto. Mais correcto só se tivesse escrito algo como:

Andar a discutir quem chamou a troika é, mais uma vez, iludir aquilo que deveria estar a ser discutido nesta campanha: porque é que ela veio e o que fazer para que não volte. Andar ainda a discutir quem chamou a troika é garantia de que ela regressará.

link do postPor João Sousa, às 11:32  comentar

16.9.15

O Público, na sua edição de hoje, publicou uma carta de 2011 que o então líder da oposição Pedro Passos Coelho enviou ao então primeiro-ministro José Sócrates:

carta_passos_sócrates.jpg

 Anunciou a publicação desta carta com os dizeres em chamada de primeira página:

PÚBLICO revela conteúdo da carta que o líder do PSD dirigiu ao então primeiro-ministro, a 31 de Março de 2011, a exigir que pedisse apoio externo para resolver os problemas financeiros do país.

A direcção do Público concluir, a partir desta carta, que Passos Coelho está a exigir algo, só me permite concluir que a direcção do Público é constituída por analfabetos - porque a alternativa seria a direcção do Público ser constituída por um grupo de reles canalhas.

link do postPor João Sousa, às 22:05  comentar

15.9.12

Eu já antes comentei isto: quando se dá relevância às declarações de alguém, é jornalismo questionável não mencionar detalhes públicos sobre esse alguém que possam influenciar a interpretação que se lhes faz.

 

Há alguns dias, o jornal I fez um artigo sobre a organização da eventual manifestação de hoje à tarde. Nesse artigo, é-nos apresentado um dos responsáveis pelo manifesto da convocação, Luis Bernardo, como ex-jornalista.

 

Resumir o currículo deste sr. Luis Bernardo a "ex-jornalista" parece-me altamente redutor - e desinformativo. Luis Bernardo tornou-se ex-jornalista em 1997, mas tem no seu trajecto profissional alíneas muito mais recentes e que podem fazer-nos reinterpretar o seu papel nesta manifestação: Luis Bernardo foi o fidelíssimo assessor de imprensa de José Sócrates, o seu maior especialista de spin e o tal "Luis" do famoso:

 

 

Luis Bernardo era tão íntimo de Sócrates e da sua comitiva que foi enviado em Março de 2008 (a expensas do contribuinte?) para estudar in situ a campanha eleitoral de Zapatero - como preparação para a campanha das legislativas portuguesas, disputadas daí a um ano e meio(!!!). Luis Bernardo, que é militante do PS desde que saiu da adolescência, até se tornou jornalista por acaso: quando entrou para a TVI, era para escrever guiões (já então um ficcionista). Luis Bernardo é o ex-jornalista que não consegue conceber um jornalismo sem estar ligado a interesses políticos. Luis Bernardo é, afinal, o ex-jornalista que, desde que o deixou de ser, tem trabalhado como assessor para o Partido Socialista.

 

A repórter e a redação do jornal I não consideraram relevante para a notícia a referência a este rico currículo do ex-jornalista Luis Bernardo? Porquê? Será porque, se o fizessem, teriam forçosamente de perguntar:

 

O que faz o assessor de imprensa do Primeiro-Ministro que nos trouxe a troika na organização de manifestos intitulados "Que se lixe a troika"? Não acha haver aqui uma certa hipocrisia?

link do postPor João Sousa, às 10:25  comentar


 
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