A sério que sim
19.2.14

 

O lançamento do livro "Vítor Gaspar por Maria João Avillez" causou uma enchente no Centro Cultural de Belém. Gente de todos os espectros políticos, à excepção dos fanáticos de extrema esquerda que devem andar entretidos a escavar trincheiras algures em Serpa, fez questão de estar presente no evento, mostrando o seu apreço por este homem. De João Proença a Vítor Bento, de António Vitorino (que apresentou o livro) a Pires de Lima, todos deram um sinal de que as pontuais discordâncias não põem em causa o valor de Vítor Gaspar.

 

Fiquei surpreendido.

 

Sempre disse que Vítor Gaspar seria lembrado com saudade, mas não pensei que o reconhecimento do seu trabalho chegasse tão rapidamente. Provavelmente, até ele estará surpreendido.

 

Sei que vivo num país onde um papalvo bem falante, enfiado à calçadeira num fato caro, é muito mais apreciado do que um homem honesto que diz aquilo que nem todos querem ouvir. Sei que o português gosta do homúnculo medíocre alavancado a cargos de chefia pelo seu dom da oratória. Gosta que vença o pequenino, que ganhe o mole, pois assim a vitória está dissociada do trabalho e do valor. É mais democrática.

 

Fica a minha vénia, também por isto, a Vítor Gaspar.

link do postPor António Pinto, às 10:46  comentar

 
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