A sério que sim
24.5.15


 

Se ganhar as próximas eleições legislativas, o Partido Socialista vai querer reabrir negociações com o vencedor da privatização da TAP. E forçá-lo a baixar a participação comprada de 61% para 49%, de modo a manter o controlo da transportadora aérea em mãos do Estado. [in Expresso]

Quando governava, o PS fez um acordo com entidades que emprestaram dinheiro ao Estado. Passou à oposição e negou imediatamente os acordos que assinara meses antes, chegando a dizer, pela boca de Pedro Nuno Santos e quejandos, "não pagamos e os joelhos deles até tremem".  Agora, o PS ameaça "reabrir negociações" com quem quer que compre a TAP ao Estado, "forçando-os" a baixar a participação comprada.

 

Torna-se evidente que o PS não dá particular importância à palavra do Estado. Honra lhe seja feita, não se mostra preconceituoso: quer seja dada por si, quer seja dada por adversários, a palavra do Estado não é coisa para ser levada a sério. Repudia aquilo que deixou como herança - e repudia aquilo que herda.

 

Isto já seria mau, mas piora quando leio expressões como "querer reabrir negociações" e "forçá-lo a baixar a participação comprada". "Forçar", segundo o dicionário Priberam, pode significar:

- Exercer força contra;

- Entrar à força em;

- Obrigar, constranger;

- Violentar.

O que acontece se o outro lado não quiser "negociar" com o PS, uma vez que as condições do acordo de venda serão já definidas? Que armas pretende usar o PS para "forçar" uma entidade que adquiriu uma transportadora a abdicar de parte da sua participação e, mais importante, do controlo daquilo em que investiu muito dinheiro? O PS ameaçará represálias usando o seu peso de controlador do Estado? Sugerirá que não acatar o "pedido" implicará "dificuldades acrescidas" em futuros negócios? Ou irá comprar parte da participação, dessa forma enterrando mais dinheiro do contribuinte nas suas ideias estapafúrdias daquilo que é o papel do Estado?

 

Esta gente é perigosa, muito perigosa, e comporta-se como mafiosos.

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link do postPor João Sousa, às 17:04  comentar

 
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